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Há uma nova rota de peregrinos que liga o Sameiro à Galiza. E passa em Vila Verde

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Fernando André Silva

Uma associação de caminheiros está a ligar Braga à cidade galega de Muxia com a criação de uma rota de 372 quilómetros que unirá os templos de devoção mariana onde cada uma tem uma habitual rota de peregrinação. No percurso, os peregrinos vão conhecendo lendas e mitos em aldeias do antigo reino da Gallaécia, que chegou a ter capital em Braga e dominava toda a área do Minho e da Galiza no período pós-romano.

A Via Mariana nasce a partir do santuário do Sameiro, em Braga pela vontade desta associação composta por elementos galegos e minhotos que pretendem valorizar as áreas rurais galegas e recuperar partimónios únicos que se encontram abandonados e esquecidos, para além de unirem as nove principais rotas marianas da região. Esta segunda-feira apresentaram o projeto à Arquidiocese de Braga que se mostrou compelida a apoiar e promover esta nova rota para peregrinos e caminheiros.

A rota parte do santuário do Sameiro, passa na Sé de Braga, e dirige-se para Prado, seguindo. pelo concelho de Vila Verde até Goães, em Ribeira do Neiva, onde se encontra um albergue de peregirnos que acolherá os caminheiros ao fim do primeiro dia da rota. Segue depois por Duas Igrejas, Godinhaços, Codeceda, Portela do Vade, terminando em Aboim da Nóbrega, onde o Parque de Campismo local será o segundo ponto de dormida. Segue depois pelo concelho de Ponte da Barca até à Senhora do Livramento, passa em Arcos de Valdevez, no Soajo, terminando no segundo templo mariano da rota – Senhora da Peneda. Passa depois a fronteira seguindo até Santiago de Compostela, terminando em Múxia, a 25 quilómetros de Finisterra, local habitual onde os usuários da rota jacobeia terminam a peregrinação.

Henrique Malheiro, representante em Portugal da direção da Associação Luso-Galaica da Via Mariana, explicou ao Semanário V que já se encontra em andamento a marcação provisória do novo caminho, que aproveita troços do caminho jacobeu rumo a Santiago de Compostela, como é o caso do que liga Prado ao albergue de Goães, mas salienta que uma rota não tem nada a ver com a outra, pois partem por diferentes caminhos a partir do albergue. Explica também que esta é ainda uma marcação provisória elaborada para um grupo de 140 espanhóis que conheceu este domingo o novo percurso.

Sobre as marcações da nova rota, Henrique lamenta que esteja a ser difícil contactar com as juntas de freguesia do concelho de Vila Verde e até com a própria Câmara para expor o projeto e solicitar apoio para ajudar a manter as marcações nos trechos da rota do concelho e para os manter “abertos” por onde há dificuldade em atravessar. No entanto, Henrique refere que já recebeu bom acolhimento por parte da Arquidiocese de Braga e das Câmaras de Arcos de Valdevez de Ponte da Barca. Também a Junta da Galiza está a apoiar este novo projeto.

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O responsável português pela Via Mariana deixa vincado que este não é um tradicional “caminho de Santiago” mas sim uma “via Mariana”, uma vez que a ideia de peregrinação não é a de ir até Compostela, mas sim de passar pelos nove maiores templos de devoção à principal figura matriarcal da igreja católica, recordando tradição de peregrinações que, mesmo antes do cristianismo, remontam à idade do ferro e ao paganismo que prestava culto nos mesmos locais através de romarias e peregrinações. “É sobretudo um caminho de cariz popular”, vinca.

Primeiro peregrinos já ligaram Braga a Múxia

Este fim de semana, mais de uma centena de peregrinos espanhóis já percorreu a rota de Vila Verde, durante o percurso, visitando vários locais de culto religioso e de património histórico. Henrique refere que o grupo ficou encantado com várias partes do caminho e que se “deslumbraram” como os arranjos em talha dourada da parte superior da Igreja de Aboim da Nóbrega.

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Fernando André Silva

Jornalista