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Sem espaço em Portugal Manuel forma cozinheiros de elite na Suíça

Manuel Faria © Facebook Manuel Faria
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Manuel Faria, de Vila Verde, rumou para a Suíça com apenas 24 anos. Hoje, é um chef de cozinha que gosta de recriar pratos tradicionais em pratos gourmet, sempre utilizando produtos sazonais.

Estudou na Escola Secundária de Vila Verde e, quando ficou sem emprego aos 24 anos, tomou a decisão de viajar para a Davos, na parte alemã da Suíça.

Manuel, num trabalho desconhecido, confessa que “os primeiros anos foram os mais complicados”, porque nunca tinha trabalhado em cozinha, não tinha qualquer conhecimento da língua e, para dificultar, estava sozinho. As suas tarefas passavam por lavar loiça, ajudar os cozinheiros em pequenos trabalhos, arrumar mercadoria e ajudar “no que fosse preciso”.

Manuel Faria recorda que, quando era mais novo, passava muito tempo à volta da mãe, para perceber como se fazia comida e ia tirando apontamentos de receitas, porque sempre gostou de cozinha.

No entanto, num país estrangeiro, não se conseguiu adaptar ao alemão e decidiu enviar o curriculum para Leysin, na parte francesa da Suíça, onde foi aceite num restaurante numa estância de Ski. O seu trabalho passava por preparar pratos frios, como saladas e sandes, bem como lavar a loiça e tudo o que envolvia a limpeza.

“Com vontade de evoluir, passado uns anos, encontrei um trabalho num restaurante italiano, onde, no primeiro ano, trabalhei como pizzaiolo”, conta o chef. No segundo ano ficou responsável pela cozinha e, nessa altura, pediu ao seu patrão para estudar cozinha. O seu pedido não foi aceite e Manuel despediu-se.

A partir daí, começou a procurar ajuda para estudar cozinha e, com muita insistência, conseguiu tirar o primeiro curso relacionado com cozinha. “Entretanto tinha de encontrar um estágio” e, após ter conseguido, o chefe de cozinha do local de estágio propôs-lhe fazer um curso de cozinheiro.

 

Manuel Faria © Facebook Manuel Faria

 

“Na altura surgiu uma complicação, porque só me deixavam fazer um AFP durante dois anos, que é um curso para ajudante de cozinheiro”, conta Manuel, uma vez que não tinha nível de francês para fazer um segundo. Porém, a força de vontade e determinação mostraram o contrário e, após acabar o primeiro ano com boas notas, conseguiu passar para um CFC, um cozinheiro certificado e “isto tudo correndo o risco de que, se tirasse más notas ou reprovasse, perdia o trabalho e a ajuda do Estado”.

Acabou por correr tudo como planeado e, com muita dedicação, conseguiu o diploma. Durante os três anos de curso, explica o chef de cozinha, foi aproveitando o pouco tempo livre e completou, ainda, várias formações de pastelaria moderna e técnicas modernas de cozinha.

Apenas há um ano e meio conseguiu entrar para uma escola de hotelaria, tornando-se chef de uma das cozinhas da escola onde dá formação sobre estudos práticos de culinária. “Trabalhamos com menus de todo o mundo, desde europeus, asiáticos ao norte e sul da América”, revela.

Mas o percurso de Manuel não fica por aqui. Enquanto trabalhava tirou, também, um curso na Universidade de Dervy na Inglaterra.

O Chef de cozinha confessa que nunca participou em concursos de culinária, mas recentemente foi protagonista de um artigo sobre o seu trabalho na escola, numa revista de hotelaria.

“O meu objetivo é especializar-me no máximo de áreas possíveis relacionadas com a cozinha”, revela, afirmando que a sua especialidade, devido ao seu trabalho, tem de envolver todo o tipo de cozinha, sendo que em todos dá o seu melhor e, até agora, tem recebido boas criticas ao seu trabalho.

É o único chef da escola multicultural onde dá formação, sendo que os seus clientes são estudantes e staff.

Tem dois objetivos que pretende cumprir num futuro próximo. O primeiro é voltar ao seu país, Portugal, e o segundo é conseguir concretizar as suas ideias de formar cozinheiros e contruir o seu próprio restaurante.

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