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JLN acusa Câmara de exclusão: “Os alunos da EPATV não são extraterrestres”

João Luís Nogueira © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V
Fernando André Silva

João Luís Nogueira, diretor-geral da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) , queixa-se que a escola profissional foi excluída de um programa de combate ao insucesso escolar promovido pelo Município de Vila Verde, apontando motivações políticas por parte do executivo liderado por António Vilela para esta recusa. No entanto, a vereadora da educação, Júlia Fernandes, refere que, por a EPATV ser uma escola privada, a integração não é possível.

A EPATV, através da diretora-pedagógica Sandra Monteiro, solicitou a adesão ao Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar (PIICIE) no passado dia 5 de dezembro à Câmara de Vila Verde. O município, através da vereadora da Educação, Júlia Fernandes, respondeu com o regulamento do concurso, indicando que a integração não é possível, sem, no entanto, explicar o motivo.

O diretor da escola profissional diz não compreender a exclusão daquela escola, questionando mesmo se os alunos da EPATV serão “extraterrestres”. João Luís Nogueira pretende que a EPATV obtenha ainda melhores resultados de aproveitamento escolar [situam-se nos 89%] durante os próximos anos e para isso acha importante que os alunos sejam integrados nas atividades previstas para este plano, criado pela Comunidade Intermunicipal do Cávado e orientado pela Câmara de Vila Verde, que pretende reduzir o número de alunos que reprovam ou deixam de estudar, através de atividades pedagógicas.

João Luís Nogueira © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

“Poderíamos estar melhor classificados no ranking das escolas [EPATV ficou em 9.º a nível nacional nas escolas de ensino profissional], mas não nos permitem participar nos programas contra o abandono escolar”, diz JLN, explicando que “não é necessário o dinheiro do programa”, mas sim “das boas práticas e das atividades decorrentes desse mesmo programa”.

“O regulamento diz que os alunos do ensino profissional podem participar nas atividades deste plano, por isso só posso entender que a Câmara está distraída ou então não está sensível à adesão da EPATV”, expõe JLN.

“Não tenho qualquer reposta para a não inclusão da nossa escola, apenas posso dizer que lamento e que gostaria que essa decisão fosse revista, até porque quero perceber o verdadeiro motivo de termos sido excluídos. A resposta que nos deram foi uma cópia do regulamento, e a mim parece-me claramente que é uma decisão política”, acusa JLN.

O diretor da EPATV insinua ainda discriminação perante os alunos da EPATV. “Os alunos da EPATV não são extraterrestres, são vila-verdenses, bracarenses, amarenses e de outras localidades. Em causa nem sequer está o dinheiro proveniente desse programa, mas sim o combate ao insucesso escolar, que queremos baixar até aos 0%”, vinca JLN.

“Se integrasse este plano tinha ambições de estar no top3”

Questionado sobre o que podem perder os alunos caso não participem nas atividades do programa, JLN aponta uma “visão global das ofertas que o concelho tem”. “Não somos um oásis, temos de interagir com os alunos da escola pública, ter atividades com eles que não passem só pelo Corta Mato ou, agora, pelo concurso de Matemática”, diz.

João Luís Nogueira © Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

“Há muitas coisas que podemos fazer melhorando o desempenho do ensino, a qualidade do ensino, interagindo com outros grupos, para que possamos aprender uns com os outros”, diz, argumentando que “as escolas não podem ser prisões”.

“Não podemos levantar um muro à volta da escola. Temos a prova provada que desde que iniciamos Erasmus, os nossos alunos a estagiar no estrangeiro crescem quando se relacionam com os outros. Se nos relacionarmos com colegas da outra escola, temos mais capacidade de ser mais capazes, porque juntos somamos, mas unidos multiplicamos”, diz.

JLN vira novamente as “lanças” à Câmara de Vila Verde: “Desde que adquirimos esta sociedade a CMVV achou que deveria continuar a mandar nela. Tivemos de alterar toda uma estratégia de práticas que permitisse atingir mais objetivos. E o objetivo é o ranking, que aponta 89% de empregabilidade”, vinca.

Câmara remete esclarecimentos para a CIM Cávado. CIM Cávado remete esclarecimentos para a Câmara

Em ofício enviado pela vereadora da Educação, Júlia Fernandes, à EPATV, é dito que “desde a primeira hora foi questionada a integração da EPATV neste projeto, uma vez que muitos dos alunos que frequentam essa escola têm um histórico elevado de insucesso escolar. No entanto (…) tal não era possível”. No entanto, em lugar algum do ofício é explicado o motivo da recusa. Escreve ainda a vereadora que qualquer esclarecimento adicional deve ser dirigido à CIM Cávado, algo que o Semanário V fez.

Falámos com a técnica responsável pelo PIICIE, da CIM Cávado, que indicou ser apenas uma técnica e que qualquer esclarecimento deve ser dirigido à vereadora da Educação, Júlia Fernandes.

Em uma breve declaração aos jornalistas, a vereadora indicou que “as escolas privadas não são elegíveis” no programa, admitindo, no entanto, que, “caso haja possibilidade”, os alunos serão integrados nas atividades.

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