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“Sarrabulho de Amares é melhor que o de Ponte de Lima”

Sarrabulho em Amares 2019 © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Arrancou ao início da tarde deste sábado a 17.ª edição do festival das Papas de Sarrabulho de Amares, onde vários estabelecimentos de restauração daquele concelho servem as tradicionais papas acompanhadas de outras iguarias gastronómicas.

Durante a abertura do certame, que decorreu ao final da manhã, foram várias as entidades presentes neste evento organizado pela Câmara de Amares que, dizem os empresários da restauração, deveria ser promovido duas vezes por ano.

Sarrabulho em Amares 2019 © FAS / Semanário V

Com estimativa de venda de mais de 200 mil litros de papas de sarrabulho, esta feira conta ainda com vários stands que destacam outras atividades, como a apícola ou a promoção da solidariedade.

“Ponte de Lima é arroz. Aquilo não é o verdadeiro sarrabulho”

O Semanário V esteve na inauguração do evento e falou com alguns dos especialistas a confecionar estas papas, que se diferenciam do sarrabulho de Ponte de Lima, mais mediático, por não levar o arroz limiano.

Há 16 anos que o restaurante Carias, da freguesia de Goães, Amares, participa neste evento. Este ano, pretendem vender cerca de 2.500 litros de papas, mais 500 do que no ano transacto.

Manuela Silva, mais conhecida como Manuela “Carias”, não tem dúvidas em realçar a qualidade das papas de Amares, apontando-as como as mais fidedignas em relação às receitas de antigamente, e diz mesmo: “o sarrabulho de Amares é melhor que o de Ponte de Lima”.

Manuela “Carias” na Festa do Sarrabulho em Amares 2019 © FAS / Semanário V

“Se quer que lhe diga, ouço muitas vezes falar no arroz de sarrabulho. Já comi, mas gosto muito mais das papas cá de Amares. Há pessoas que vêm de Ponte de Lima comer ao nosso restaurante e dizem que este é que é o verdadeiro sarrabulho. E eu acho o mesmo. A diferença é que em Ponte de Lima leva o arroz, e aqui em Amares é só com carnes e pão, nada de arroz, que enche mais a barriga”, atira.

Para vincar a opinião, Manuela “Carias” recorda os antepassados. “Antigamente o sarrabulho era farinheira, rojões, tripa, sangue e fígado. Depois começaram a fazer as papas com essas carnes. Sou suspeita a falar sobre isso, mas não percebo o motivo de meter o arroz. Não faz qualquer sentido. Mas cada um é que sabe do que mais gosta”, brinca.

Sobre as papas, explica que aprendeu a “arte” há 40 anos, com a mãe. “Ela aprendeu com o meu padrinho que trabalhou na Pensão Económica em Braga. Há sempre uns extras que meto para aperfeiçoar um bocado. Sabe qual é o segredo? Boa qualidade das carnes, porque isso é essencial. E ter gosto no que fazemos”, vinca.

Sarrabulho em Amares 2019 © FAS / Semanário V

Sobre o evento, considera-o muito importante para Amares e pede ‘segunda ronda’ durante o ano: “Acho que só um por ano é pouco. Pelo menos duas vezes por ano deveria existir, não só pelas papas, mas com outras iguarias”.

Abrir franchising em Braga

Diana Teixeira, filha de Manuela “Carias”, gostava de levar as papas do “Carias” até ao centro de Braga. “Funcionava em Braga, não tenho a menor dúvida, até pelo aumento do turismo na cidade. Aqui estamos numa aldeia e os acessos são difíceis. O problema é que só a minha mãe consegue fazer estas papas, ninguém consegue fazer igual, e isso seria mais trabalho para ela e não é possível abrir porque teríamos de manter a qualidade”, explica.

Diana Teixeira © FAS / Semanário V

“Acho que resultava, temos clientes de Porto, Coimbra, e até de Lisboa. Temos muitos clientes de vários sítios do país. Em agosto há papas de sarrabulho por causa dos emigrantes e aquilo é a loucura. O nosso restaurante é conhecido pelas papas de sarrabulho. Mas é tudo feito pela mão da minha mãe”, vinca.

A mão de cada um é que faz a diferença no tempero das carnes

Rui Tomada, gerente do restaurante Tomada’s, participa pela segunda vez no festival e aponta que a participação do ano passado foi “proveitosa”. O chef revela que seria mais proveitoso tornar este evento numa estrutura fixa para o resto do ano e crê que isso “seria uma mais valia para o comércio”.

Restaurante Tomada’s 2019 © FAS / Semanário V

Com especialidade em carne bovina, explica que toda a carne é produzida pelo próprio restaurante, através de uma quinta de gado bovino em Seramil, concelho de Amares. “Neste momento não é suficiente para o que vendemos e adquirimos animais diretamente a outros produtores da região”, vinca.

Rui crê ser “muito importante” para o consumidor “ter uma garantia de qualidade da carne, incomparável para quem não produz a própria carne”. Sobre as papas, refere que o segredo para se ter umas papas de excelência, é “ter carnes de excelência”. Com nove colaboradores, o Tomada’s abriu há dois anos em Amares e conta atualmente com nove colaboradores.

Sarrabulho em Amares 2019 © FAS / Semanário V

Sobre a diferença para Ponte de Lima, Rui Tomada vinca que “o sarrabulho de lá é diferente do prato das papas em Amares, muito pelo facto do tempero da carne. As vinhas de alho de Ponte de Lima são diferentes das de Amares, de Trás-os-Montes, do Sul. Não acho que haja melhor ou pior, há temperos diferentes e a mão de cada um é que faz a diferença”, finaliza.

Broa de Avintes mistura-se muito bem com as papas de Amares

Falámos com Paulo Sá Machado, presidente da Confraria da Broa de Avintes, presença habitual desde a fundação do festival, há 17 anos. Ao Semanário V, explica que o local tem melhorado ao longo dos anos, e que foi uma “aposta ganha” por Amares.

Presidente da Confraria da Broa de Avintes 2019 © FAS / Semanário V

“A Câmara de Amares tem promovido muito bem as papas de Amares, que já são conhecidas a nível nacional”, explica. Sobre se combina com a broa, Paulo Sá Machado refere que trazem sempre “broinhas” para acompanhar as papas. “Uma das particularidades da broa é que liga muito bem com as papas, ao contrário de outros tipos de pão”, explica.

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Fernando André Silva

Jornalista