Destaque Vila Verde

Vespa asiática. Fundadoras já andam à solta para criar novos ninhos

Inchaço após picada de abelha c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

A vespa velutina, vulgo asiática, já anda à solta em busca de alimento e de locais para procederem à elaboração dos ninhos primários, causando já alguma apreensão para com os apicultores e com as próprias abelhas, que pressentem a agitação à volta das colmeias.

Esta manhã, na freguesia de Aboim da Nóbrega e Gondomar, alguns enxames de abelhas foram já atacados por fundadoras daquela espécie carnívora, como deram conta relatos de apicultores, no local, ao Semanário V.

A agitação das abelhas provocou ainda alguns ataques a humanos, com registo de um apicultor que foi alvo de várias picadas de abelhas na sequência de um ataque de uma vespa fundadora a uma caixa feita por mão humana “enxameada” com abelhas.

Inchaço após picada de abelha c) FAS / Semanário V

A vespa velutina tem sido alvo de vários programas de extermínio, sem grande sucesso

Apesar dos números avançados pelas autarquias da região do Minho, dando conta de centenas de ninhos abatidos durante os últimos meses de outono e inverno, a verdade é que estas vespas vão consolidando o seu lugar no ecossistema minhoto e português, destruindo colmeias e causando avultados prejuízos na indústria apícola.

Ninho primário de velutina © FAS / Semanário V

A vespa asiática começa, em março, a fundar os ninhos primários, através das fundadoras, que estiveram hibernadas durante os meses de maior frio. Através desses ninhos, vão gerando outras rainhas (fundadoras) que se multiplicam e criam ninhos secundários, aqueles que habitualmente vemos nas copas de árvores com dimensões consideráveis e que albergam milhares de vespas, tornando-se uma ameaça para a população.

Como avançado em exclusivo pelo Semanário V, há já um novo método de extermínio desta espécie nativa da Ásia, que chegou a Portugal no início da década através da região do Alto Minho.

A nova esperança para apicultores pode surgir durante o ano de 2020, através do projeto ARMA4VESPA, que pretende desenvolver armadilhas seletivas para a eliminação daquela espécie.

Cápsulas ARMA4VESPA © INL / Direitos Reservados

O projeto, financiado pelo Programa Apícola Nacional do Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas, I.P. (IFAP), está a ser liderado pelo Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL) em parceria com a TECMINHO – Associação Universidade – Empresa para o Desenvolvimento, a Federação Nacional de Apicultores (FNAP) e a Associação de Apicultores do Cávado e do Ave (APICAVE), num investimento de 149.845,00 euros.

Miguel Ângelo Cerqueira, investigador do INL e coordenador científico deste projeto com epicentro em Braga, explicou em primeira mão ao Semanáiro V que esta é uma cápsula que contém compostos atrativos para a vespa velutina, fazendo com que esta se sinta atraída pela partícula. Para isso, a equipa de investigação e desenvolvimento elaborou vários testes, desde setembro de 2016, onde foram analisados diferentes aromas e compostos. “Depois disso chegámos a uma fórmula que está introduzida na cápsula pela qual as vespas se sentem atraídas e compelidas a pegar nessa cápsula e levá-la para o ninho, pensando tratar-se de alimento”, explicou o investigador.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista