Braga Destaque

Braga. Câmara elogia proprietários que mantêm achados arqueológicos

Escavação prévia arqueológica revelou alicerces medievais © Arquivo UAUM / DR
Fernando André Silva

As recentes descobertas arqueológicas dos alicerces do antigo Castelo de Braga, na Arcada, noticiado em exclusivo pelo Semanário V, não passaram indiferentes à Câmara de Braga, com o vereador do Turismo, Altino Bessa, a elogiar o proprietário do edifício que, não olhando aos custos, resolveu manter os achados incorporados no próprio edifício, com concordância do promotor da obra que irá gerir o espaço durante os próximos anos.

Na sequência de escavações prévias levadas a cabo pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho no edifício N.º1 da Praça da República, foram encontrados os alicerces de uma antiga “cerca manuelina”, uma muralha defensiva que protegia o antigo Castelo de Braga, demolido entre 1905 e 1906. Foi também encontrado o alicerce de um dos torreões do próprio castelo.

O proprietário do edifício, Luís Pinhão, não olhou a custos, como confidenciou ao Semanário V, e pediu que os achados fossem musealizados dentro da futura loja comercial de artigos de vestuário, de forma a que possam ser visitados pelo público.

Altino Bessa, vereador do Turismo, aponta este como um “excelente exemplo” e elogia Luís Pinhão pela sensibilidade demonstrada. Em declarações ao Semanário V, o vereador aponta que o empresário “interpretou bem estas descobertas, ao contrário do passado”. “O empresário está de parabéns porque fez tudo para preservar e não destruir, como acontecia há uns anos”, refere.

“É um bom exemplo, ao contrário do passado, em que a palavra de ordem era destruir. E muito património foi destruído durante as décadas de 70, 80 e 90”, lamenta. Altino Bessa salienta que, nos dias de hoje, o património descoberto através das sondagens arqueológicas, começa a ser do interesse dos próprios empresários. “Eles querem preservar porque sabem que é uma forma de atratividade para o negócio”, salienta, indicando que “tudo isto ajuda a que cada vez venham mais turistas para a cidade”. “Mais turismo, maior criação de riqueza e mais emprego”, destaca ainda o vereador.

Uma viagem no tempo

Altino Bessa salienta que todos estes achados são apontamentos que ajudam a concretizar o conceito para Braga definido pelo Município. “Uma Viagem no Tempo” ao longo de 2.000 anos de história.

“Todos os apontamentos que possam ajudar a concretizar este conceito e que se traduzem em apontamentos históricos visíveis e palpáveis, como é o caso, e visitáveis, são sempre elementos que incrementam e ajudam a apoiar esta estratégia”, diz o vereador do Turismo.

“Quanto mais achados houver em Braga, maiores motivos existem para que os que nos visitem queiram fazer esta viagem no tempo, este desafio que fazemos, de um percurso de 2.000 anos, e assim compreender a evolução da cidade ao longo dos milénios”.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista