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O caminho dos santuários marianos entre o Sameiro e a Galiza já está aberto aos peregrinos

Apresentação Via Mariana © Mariana Gomes / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Uma rota de 372 quilómetros que liga Braga à cidade galega de Muxia, foi criada com o objetivo de guiar os peregrinos pelos santuários marianos. Intitulada “Via Mariana”, a ideia de peregrinação é passar pela cerca de uma dezena dos maiores templos de devoção à principal figura matriacal da igreja católica.

Esta rota é percorrida a partir do santuário do Sameiro, em Braga, ou do Santuário da Virgem da Barca, na Galiza, e, apesar de alguns peregrinos já terem começado a longa caminhada, este trilho foi apresentado oficialmente em Portugal esta manhã, 14 de março, em conferência de imprensa no santuário do Sameiro.

 

Apresentação Via Mariana © Mariana Gomes / Semanário V

A Via Mariana percorre, no lado de Portugal, os concelhos de Braga, Vila Verde, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Melgaço. A iniciativa partiu do lado galego que, inicialmente, pensou em estabelecer um percurso que ligasse Santiago de Compostela a Braga.

O Cónego João Paulo Abreu, presidente da confraria do Sameiro, explica que este percurso surgiu da ideia de potenciar uma nova espiritualidade. “De facto impôs-se o caminho de Santiago, mas haveria hipótese e, historicamente, isto era sustentável, pensar-se num caminho mariano. Do lado galego começaram a pensar que seria bom implementar-se este novo caminho”.

De seguida começou a ser pensado por que locais passaria este caminho mariano, o que poderia trazer de interesse, o que haveria para ver nestes locais e que tipo de território seria abrangido.

A ideia principal foi ligar a capital da Galécia com Santiago. “Com o passar do tempo estes caminhos foram ficando intransitáveis e, então, agora é preciso restituí-los aos peregrinos. Neste momento todo o trajeto está devidamente identificado e assinalado e todo o trajeto é transitável”, afirmou o Cónego João Paulo Abreu, acrescentando que “este caminho nunca pode ser feito por grupos muito grandes, mas estou a acreditar que num ano teremos aqui milhares de peregrinos quando isto começar a funcionar a sério”.

 

Apresentação Via Mariana © Mariana Gomes / Semanário V

 

Ainda de acordo com o presidente da Confraria do Sameiro, uma das prioridades será criar um espaço “para ter um chuveiro, uma sala de estar, uns sofás, um espaço de beliche ou de camarata, ou simplesmente para pôr um colchão no chão para as pessoas descansarem”, tendo em conta que o Sameiro não é apenas o ponto de partida, mas também o ponto de chegada. “Para quem chega temos de ter este tipo de estrutura, mas para quem parte também temos de fornecer informações, como pode aceder à informação, onde são os pontos de paragem, onde são as igrejas, onde são as estalagens e os restaurantes”.

No percurso, os peregrinos têm a possibilidade de conhecer lendas e mitos de aldeias da Galécia, cuja capital foi Braga, que dominava toda  a área do Minho e da Galiza no período pós-romano. A Associação Via Mariana, composta por elementos galegos e minhotos, tem como finalidade valorizar as áreas rurais galegas, bem como recuperar o património material e imaterial.

“Abrimos caminhos pelos quais ninguém passava há mais de 50 anos e que estavam cobertos de mato, foram muitas e muitas mãos voluntárias que pegaram em motosserras e sacholas, num trabalho entusiasta, voluntário e altruísta”, referiu, ainda, o Cónego João Paulo Abreu.

A presidente da Associação Via Mariana, Maria José Silva, explicou que “foram dois anos de trabalho intensivo, onde pouco a pouco, um monte de pessoas foram dando a mão desde Braga a Muxia, trabalhando por um fim comum”.

Esta iniciativa vai muito para além da fé. Está assente, como destaca Maria José Silva, no património, na natureza e na fé. “Está tudo integrado, a fé não se pode desintegrar da natureza, porque também perdemos parte da nossa essência. Por isso recorremos aos santuários de fé e recorremos, também a autênticos santuários da natureza”, explicou a presidente da Associação.

Os peregrinos terão de seguir um código de conduta e têm, ainda, direito a uma credencial personalizada e a um certificado, no fim do caminho. Ao longo do caminho, os peregrinos têm toda a informação necessária ao descarregar uma aplicação do site da associação.

 

 

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Jornalista