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Será Vila Verde uma potencial fonte de ‘petróleo branco’? Empresa australiana diz que sim

Tubo de carotagem
Fernando André Silva

Vem aí uma fase de prospeção e pesquisa de lítio, também conhecido como ‘ouro branco’ ou ‘petróleo branco’ e outros minérios, na zona do “Cruto”, que abrange as freguesias de Cabanelas e Cervães, do concelho de Vila Verde, e ainda parte da zona ribeirinha do rio Cávado, até à margem de Braga, e na freguesia da Ucha, concelho de Barcelos.

Os estudos para esta futura exploração vão iniciar em breve, tendo sido o pedido de prospeção publicado esta sexta-feira em Diário da República por parte de uma empresa australiana de exploração mineral.

São 99,123 quilómetros quadrados de área total requerida para estudos por parte da Fortescue Metals Group Exploration Pty Ltda, agora aprovados pela Direção-Geral de Energia e Geologia após concurso público internacional vencido por aquela empresa australiana. Entre os minerais a serem estudados, está o lítio, mas também ouro, prata, chumbo zinco, cobre, tungsténio, estanho e outros depósitos “ferrosos” e “metálicos”.

Tubo de carotagem para prospeção de ouro, em Marrancos, Vila Verde (c) FAS / Semanário V

O Semanário V sabe que a empresa já reuniu com a Câmara de Vila Verde para dar conta desta intenção, revelando que, numa fase inicial, será apenas feito um estudo para recolher amostras do minério, sobretudo lítio, não sendo intenção da empresa “invadir” terrenos com escavações.

Manuel Lopes, vereador com o pelouro do ordenamento de território, disse ao Semanário V que a empresa quer voltar a reunir com os responsáveis camarários antes do início de qualquer tipo de prospeção, existindo ainda intenção por parte da empresa em reunir também com as juntas de freguesia abrangidas pela área solicitada e os respetivos proprietários dos terrenos.

“Responsáveis da empresa reuniram com a Câmara para nos informar que iriam iniciar estes estudos naquela região, mas, segundo disseram os responsáveis, não se trata de uma ação intrusiva”, esclareceu o vereador.

Hélder Forte, presidente da junta de Cervães e Manuel Lopes, vereador da CMVV (c) Mariana Gomes / Semanário V

Ao que apurámos, numa fase inicial, depois de 30 dias a contar da publicação desta sexta-feira em Diário da República, a empresa irá iniciar alguns estudos, com pequenos buracos em diversas zonas das freguesias já citadas, para extrair pequenas amostras de minério. Caso os resultados sejam favoráveis, numa fase posterior, poderá ser pedida a licença para extração de diversos minérios. É também intenção da empresa, caso os estudos apontem lítio com os padrões de qualidade exigidos pelo mercado, contratar trabalhadores da região para avançar com a prospeção e possível exploração das minas.

Zona ribeirinha do Cruto, em Cabanelas (c) FAS / Semanário V

O Semanário V falou com os presidentes de junta de Cervães e Cabanelas, que já tomaram conhecimento da intenção da empresa, mas, como ainda não foram contactados de forma oficial, preferiram remeter declarações para uma fase posterior.

Portugal tem uma das maiores reservas de lítio a nível mundial. O potencial deste minério classificado como “ouro branco”, está identificado há vários anos, tendo já dois grandes projetos individuais em curso: Sepeda, em Montalegre e Covas do Barroso, em Boticas. A população de ambos os locais tem contestado estas explorações.

A Fortescue Metals Group Ltd (FMG) é uma empresa australiana de minério de ferro e a quarta maior produtora de minério de ferro do mundo. A mesma empresa vai ainda avançar com estudos e prospeção na região de “Viso”, localizada nos concelhos de Vieira do Minho, Montalegre, Cabeceiras de Bastos e Fafe.

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Jornalista