Destaque Vila Verde

Centro Social Vale do Homem quer 10.000 euros de junta mas “sem obra não há dinheiro”

Estalou o verniz entre direção do Centro Social Vale do Homem (CSVH) e executivo da Junta de Freguesia de Ponte S. Vicente, no concelho de Vila Verde, a propósito das obras a realizar no edifício da antiga escola primária para a instalação de um lar para doentes mentais a cargo daquela IPSS’s com sede em Lanhas.

A direção do CSVH, liderada por Jorge Pereira, está à espera de receber um subsídio de 10 mil euros por parte daquela autarquia, mas o presidente da junta, Bruno Macedo, diz só libertar o dinheiro quando “houver obra” no terreno.

O subsídio de apoio foi aprovado em Assembleia de Freguesia logo depois das eleições autárquicas de 2017, tanto por Bruno Macedo, novo autarca, como por António Vieira, antigo autarca e atual tesoureiro da junta, que é, simultaneamente, elemento da direção do CSVH.

No entanto, Jorge Pereira, presidente do CSVH, lamentou ao Semanário V que a junta ainda não tenha disponibilizado aquele subsídio, indicando que o terreno já foi comprado pelo CSVH e que foi feito um alargamento de um caminho de acesso ao novo espaço.

“As obras ainda não arrancaram porque estamos à espera de resposta de uma candidatura que fizemos à CIM Cávado, a fundos perdidos, há +/- 1 ano. Não vamos estar a pedir empréstimos à banca agora para começar a obra se temos a possibilidade de receber esse dinheiro”, esclarece Jorge Pereira.

Mas Bruno Macedo não concorda com os argumentos daquela IPSS e mantém-se firme, reforçando o que já havia sido transmitido à direção da CSVH, através de ofício registado. “Sem obra não há dinheiro”.

Contactado pelo Semanário V, o presidente da junta argumenta que os 10 mil euros são “uma percentagem muito grande” para uma autarquia com um orçamento anual de 20 mil euros. “Se nós damos o dinheiro e as obras não arrancarem, que cara vou ter perante os eleitores de Ponte S. Vicente?”, questiona Bruno Macedo.

“Quando o projeto estiver pronto, depois querem meter cunhas para funcionários!”

Mas Jorge Pereira não vê qualquer condicionante perante os eleitores e relembra que o apoio foi aprovado em Assembleia de Freguesia, dizendo que “a junta tem dinheiro em caixa” para além do orçamento. “Ainda há pouco venderam muitos pinheiros”, diz o antigo deputado da Assembleia da República eleito pelo PSD.

“Leva-nos a crer que o sr. presidente de junta não acredita em nós nem no projeto, a pensar assim [só darem a ajuda quando as obras arrancarem] nada se faz”, salienta, deixando ainda, em tom irónico, uma “profecia” no ar. “Quando o projeto estiver pronto, depois querem meter cunhas para funcionários!”.

Porém, Bruno Macedo, autarca, não entende esta pressão para o dinheiro, numa obra que custará perto de meio milhão de euros. “Não é por causa dos nossos 10 mil euros que a obra não avança, até porque aquilo vai custar 500 mil euros. Eles compraram o terreno ao lado mas foi a Câmara que lhes deu o dinheiro”, acusa. “Agora dizem que tiveram despesas com projetos mas nós já apoiámos muito, fizemos a limpeza e manutenção do local e vamos iniciar, em breve, o alargamento da rua em frente à antiga escola, assim que a Câmara de Vila Verde der o ok”, diz.

“Pedem-nos isto como se a Junta de S. Vicente não tivesse mais onde gastar o dinheiro. Esta é uma obra muito importante e a junta estará aqui para ajudar como pode, mas só quando houver coisas a vista. Enquanto não houver obra não há dinheiro”, garante Bruno Macedo.

Casa da Citânia

É intenção do CSVH reaproveitar o edifício de uma antiga escola, em Ponte S. Vicente, para a criação de uma unidade socio-ocupacional, com capacidade para acolher 30 pessoas na área da saúde mental, 30 pessoas na área específica da demência e, ainda, acompanhamento de 8 utentes por dia em regime de serviço de apoio domiciliário (SAD).

Comentários

Acerca do autor

Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista