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Braga. População está farta da “passadeira da morte” em Maximinos

(c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

A passadeira situada no topo da Rua Nova da Estação, em Maximinos, poucos metros abaixo da Estação de Comboios de Braga, já registou quatro atropelamentos no ano de 2019 e ainda não foi deslocalizada, como estava apontando pelas Infraestruturas de Portugal, entidade responsável.

O Semanário V falou com Luís Pedroso, presidente da Junta de Maximinos, Sé e Cividade, que reforça o que já tinha sido dito no verão de 2018 à nossa reportagem: “Estamos à espera que o Governo faça a prometida intervenção”.

(c) FAS / Semanário V

Situado pouco abaixo da estação de comboios, no topo da Rua Nova da Estação, em Maximinos, Braga, este atravessamento pedonal tem registado um número elevado de atropelamentos, seja pelo encandeamento do sol, pela chuva intensa ou por mera distração dos automobilistas.

“De manhã, quem sobe é encandeado pelo sol naquele local, e de tarde é quem desce”, explica ainda o autarca.

Luís Pedroso recorda que já foi enviado um ofício por parte da IP à Câmara de Braga a informar que nos primeiros meses de 2019 seria feita uma intervenção nesse sentido. “Ainda não sabemos que intervenção será feita mas se porventura as infraestruturas passassem isso para a esfera do municipio, seria fácil de resolver”, assegura, reforçando que “se a área de jurisdição é da IP, o município nada pode fazer”.

Passadeira “da morte” em Maximinos (c) FAS / Semanário V

“E reparem bem, se tenho este problema em cima, em baixo o meu colega autarca de Real tem o mesmo problema com outras passadeiras. Penso que com um despacho do Governo se resolvia este problema em vez de ver a vida dos peões constantemente em causa”.

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“Aquela passadeira tem de ser deslocalizada porque é muito perigosa. Não consigo resolver o problema, a única forma é alertar e tentar fazer alguma pressão para que o estado da situação seja alterado”, reforça Luís Pedroso.

Joaquim Dias foi a última vítima de atropelamento naquela passadeira

O Semanário V falou com Joaquim Vieira Dias, residente na Rua Manuel Joaquim Gomes, e que foi a última pessoa a receber assistência hospitalar na sequência de atropelamento naquele local.

O homem, de 79 anos, que se desloca com auxílio de uma bengala, ia a atravessar quando sofreu um pequeno toque de um carro que subia a avenida. O carro não vinha com grande velocidade e o condutor terá sido encandeado pelo sol.

Joaquim Vieira Dias foi a última vítima de atropelamento no local (c) FAS / Semanário V

“Se não fosse a bengala estar entre o carro e a perna partia-me os ossos da perna”, diz Joaquim, revelando que caiu “em cima do carro” e teve de ser suturado no sobreolho com três pontos. “Fiquei com várias partes pisadas que ainda hoje me doem”, aponta.

Joaquim foi atropelado no passado dia 26 de fevereiro, pelas 9h05 horas, segundo o auto de ocorrência da PSP de Braga, a que o V teve acesso.

O idoso refere que “há dois ou três meses houve outro atropelamento” no local, tendo o mesmo chamado a atenção a um agente da PSP que deviam exercer maior fiscalização de velocidade naquele local. “O agente disse-me que a culpa era dos peões”, atira Joaquim Vieira Dias. “Foi a resposta que ele me deu”.

Joaquim Vieira Dias foi a última vítima de atropelamento no local (c) FAS / Semanário V

Proprietário de restaurante é quem chama a emergência

Rui Santos, proprietário de um restaurante situado junto à passadeira em causa refere que só em 2019 já presenciou pelo menos quatro atropelamentos, dois dos quais com transporte hospitalar. Um deles foi o de Joaquim Dias.

Rui Santos (c) FAS / Semanário V

“Estou aqui há 6 anos, já vi dezenas de casos, geralmente com pessoas idosas, de atropelamentos graves”, refere. “Houve já várias queixas para a Junta de Freguesia, que diz que é com Governo, mas isto continua, para não falar nos sustos que as pessoas apanham, com carros a travar de repente”, atira.

“Rotunda, lombas, ou sinais, há várias opções”, diz o empresário, apontando soluções.

Rui Santos refere que o maior problema “é a velocidade”. “Mesmo que haja encandeamento, se a velocidade for moderada, já não há desculpa”, vaticina.

Já Fernando Vilaça, morador na Rua Manuel Joaquim Gomes, refere que o problema não é a obra mas sim a falta de civismo. “Só há falta de civismo porque não há venda. A culpa acaba por ser de todos. Em Braga, os automobilistas fazem o que querem, param em todo o lado, não cumprem limites de velocidade, mas a culpa é também dos peões, que se atiram nas ruas sem olhar”, vinca.

Parecer do Governo indica obras no primeiro semestre de 2019

Segundo o parecer das Infraestruturas de Portugal, na sequência de uma reclamação de Luís Pedroso, aquela entidade referiu que irá proceder à relocalização do atravessamento pedonal e realizar uma intervenção no passeio no lado direito da EN 201 “para aumentar a circulação de peões e impedir paragem de automóveis, esperando uma real melhoria nas condições de segurança ao atravessamento pedonal em causa”. A obra encontra-se prevista para o primeiro semestre de 2019.

Segundo as Infraestruturas de Portugal, foi ainda pedido um reforço à PSP de Braga para reforçar o policiamento e a fiscalização no local.

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Jornalista