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Veio da sociedade civil e quer ser voz minhota no Parlamento Europeu

Isabel Estrada © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

“A Europa não é só dinheiro. É um projeto de paz”. Isabel Estrada Carvalhais está na décima posição da lista de candidatos ao Parlamento Europeu pelo Partido Socialista, sufrágio que se realiza a 26 de maio, e esteve esta noite em Soutelo, concelho de Vila Verde, onde apresentou um pouco do projeto europeísta que a arrastou da sociedade civil para a política

Doutorada em sociologia pela Universidade do Minho, onde é docente, a bracarense, sem filiação política, associou-se ao projeto do PS com uma “visão de cidadão” e pretende ser “uma voz de esquerda” eleita pelo distrito de Braga. E as sondagens são-lhe favoráveis, com os socialistas a liderarem as intenções de voto com 39,2%, o que permitira a eleição de dez deputados.

À margem do encontro em Soutelo, que visou a Segurança Rodoviária, a n.º 10 e única minhota do time de António Costa para a Europa assegurou ao Semanário V estar a ver a candidatura “de uma forma positiva”.

Isabel Estrada participou em seminário sobre Segurança Rodoviária em Soutelo © FAS / Semanário V

Isabel Estrada diz ser importante levar à população minhota a informação sobre a importâncias da Europa e demonstrar que os eurodeputados não são todos iguais em termos de posicionamento político e ideológico, mostrando-se crítica das políticas “neo-liberais levadas a cabo pelo grupo parlamentar do PPE”. “A Europa é sobretudo um projeto de paz, de justiça, de prosperidade e de solidariedade entre povos como não há memória na história deste continente”, referiu.

Campanha afastada de comícios

“Eu gosto de estar com as pessoas, falar com elas, mas sobretudo ouvi-las. porque quando as pessoas sentem que não são escutadas de uma forma ativa elas também se desliga e arcamos com abstencionismo ou outras situações piores, como os extremismos”, disse, apontando exemplos vindos da Hungria e um “apoio” do PPE [que engloba PSD e CDS-PP] a líderes que apelam a políticas anti-Europa.

“[Sobre os populismos] Tudo tem uma origem, e são muitas as causas, e uma delas é as pessoas não sentirem-se escutadas. Por vezes há impressão que são ouvidas mas o tempo que o outro está em silêncio é para dar uma resposta estratégica”, salienta.

Autora dos livros “Cidadania no Pensamento Político Contemporâneo” e “Os Desafios da Cidadania Pós-Nacional”, a candidata ao PE destaca o facto de sair da sociedade civil e não de dentro de um partido, algo que demonstrou confiança por parte de António Costa.

Seminário sobre Segurança Rodoviária © FAS / Semanário V

“Digamos que me dá uma outra visão do que é o sentimento do cidadão e procuro fazer esta conciliação entre a visão política e visão de cidadão”, explica, destacando que “é vantajoso,ter distanciamento e perceber porque é que as pessoas se abstêm e porque não sabem o que é o Parlamento Europeu”.

Isabel Estrada acredita num projeto político “alinhado com o que é a identidade do projeto europeu: a solidariedade e a justiça”. “Outros projetos apresentados em cima da mesa não dão garantias, nunca estiveram na Europa com convicção, ou então estão mas fazem derivas por caminhos ultra liberais que acabam por minar o que é a solidariedade entre os povos”.

“Estou disponível ao serviço do distrito de Braga para todos os que querem uma voz de esquerda, moderada e progressista como voz no parlamento europeu”, vincou.

Segundo a biografia disponível no portal da Universidade do Minho, Isabel Estrada Carvalhais é doutorada em Sociologia pela Universidade de Warwick, Reino Unido, e atualmente é professora de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade do Minho.

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Fernando André Silva

Jornalista