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Vila Verde. Escuteiros preparam armadilhas contra a vespa asiática

Foto: Daniela Rocha
Fernando André Silva

Os escuteiros do Agrupamento 1247 de Vila Verde, com sede em Aboim da Nóbrega, preparam uma ação de prevenção para minimizar o efeito da vespa velutina [asiática] no região Norte do concelho.

Em conjunto com um grupo de apicultores daquela freguesia, os escuteiros criaram 30 armadilhas caseiras para capturar as vespas fundadoras, antes que estas comecem a deixar as larvas nos ninhos. A ação de implementação no terreno destas armadilhas será feita no próximo dia 31 de março.

Foto: Daniela Rocha

Carla Barros e Daniela Rocha, responsáveis deste agrupamento, explicaram ao Semanário V que a ideia partiu de dois apicultores, Domingos Costa e Jorge Maia, de forma a minimizar os estragos que estas vespas têm feito nos enxames das abelhas autóctones um pouco por todo o norte e centro do país. “É também uma questão de minimizar os riscos que elas apresentam para a saúde pública”, vincou Carla Barros, explicando que “ao criarmos estas armadilhas há a probabilidade de que existam menos vespas no verão”.

As armadilhas, criadas pelos escuteiros na sede de agrupamento, em Aboim da Nóbrega, são feitas com material reciclado, como garrafas de plástico. Dentro da armadilha, será colocado um isco, como explicou ao Semanário V Domingos Costa, apicultor.

Foto: Daniela Rocha

“A ideia surgiu devido ao aumento de vespa asiática na região, que tem sido um problema de saúde pública e também uma ameaça para as abelhas”, disse o apicultor, alertando que cada vez mais “os ninhos estão em sítios de maior risco, como ao pé do chão, dentro de troncos velhos, entre outros locais”.

“A ideia de convidar os escuteiros surgiu porque sabemos que eles são prestáveis e depois da primeira abordagem tive um feedback muito positivo dos chefes do agrupamento de Aboim”, explica Domingos.

Sobre as armadilhas, explica que a sua idealização surgiu numa troca de ideias durante uma formação específica sobre o controle de vespa velutina. “E resultam”, assegura. “É possível, nesta altura, apanhar as vespas fundadoras que saíram agora de hibernação e já estão a construir os ninhos primários através de um isco que é feito com vinho branco, cerveja preta e groselha, ingredientes que são patrocinados pela Junta de Aboim da Nóbrega e Gondomar”, refere o apicultor.

Foto: FAS / Semanário V

Domingos explica que a importância de se fazer a captura ainda no início da primavera é de extrema importância, pois “cada ninho pode ter milhares de vespas e cada fundadora eliminada será menos um ninho ativo nos meses de verão”.

O apicultor salienta ainda que estas armadilhas são seletivas, uma vez que a entrada possui 9mm, evitando que a vespa carbo (autóctone) entre. Há também um buraco perfurado de 6 milimetros para que outro tipo de insetos que entrem possam sair, como as abelhas, ao contrário da velutina.

“Todas as armadilhas vão ser catalogadas e vão ser colocadas em pontos estratégicos, de distância de 200 a 500 metros  das colmeias, que são um chamariz para a velutina. É onde fazem habitualmente os ninhos, nessa distância, que calculámos depois de observarmos vários ninhos em atividade”, explica.

A vespa velutina já provocou direta e indiretamente a morte de pelo menos três pessoas no concelho de Vila Verde desde 2011, e um sem número de ataques, alguns com gravidade. Segundo informações divulgadas pela Câmara de Vila Verde, foram destruídos mais de 300 ninhos de vespa asiática durante o ano de 2018.

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Jornalista