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Caso Tancos. Rui Silva questiona diretor da PJM sobre major de Parada de Gatim

“Não acho nada normal”. Foi esta a resposta do atual diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM) sobre o alegado conhecimento do major Pinto da Costa, natural de Parada de Gatim e a residir em Braga, de que estaria preparado um assalto à base militar de Tancos e, alegadamente, não ter dito nada às suas chefias.

Em comissão de inquérito, esta quinta-feira, o deputado do PSD, indicado por Vila Verde, questionou Paulo Isabel sobre o alegado envolvimento de militares no caso Tancos, nomeando o major Pinto da Costa como um dos envolvidos. O diretor não escondeu críticas ao comportamento do grupo de militares.

“Foi-nos dito que o major Pinto da Costa teve conhecimento da possibilidade da existência do furto. Acha normal um oficial e investigador com tanta experiência não ter reportado à chefia da PJM?”, questionou Rui Silva.

Paulo Isabel foi perentório e utilizou-se como exemplo do que o major Pinto da Costa deveria ter feito. “Não acho nada normal [não divulgar aos superiores] tendo essa informação a gravidade e importância associada, mesmo podendo não dar em nada”.

“Posso confessar que desde que estou em funções, tive uma informação que um sargento investigador da PJM poderia ter alguma influência na nossa segurança interna, relacionado com as Forças Armadas, e não fosse o diabo tecê-las eu contactei a secretariai geral da segurança interna e informei da situação. Eu preferia dar a informação do que ver mais tarde que fiz isto ou aquilo e ter ficado com a informação para mim”, disse Paulo Isabel, sem entrar em mais pormenores.

Rui Silva deixou ainda questões relativamente a um alegado impedimento feito no quartel de Santa Margarida a uma equipa de investigadores da PJ civil, que terá durado cinco horas, algo que Paulo Isabel não conseguiu justificar. Rui Silva aponta que Joana Marques Vidal, na altura Procuradora Geral da República, questionou o Ministro da Defesa sobre esse impedimento, não obtendo qualquer resposta.

Paulo Isabel refere que existem processos administrativos que podem atrasar as diligências, mas aponta que quando existe suspeita de crime, os inspetores devem entrar nas unidades e acautelar elementos de prova, algo que não terá acontecido nas investigações que se seguiram ao caso Tancos.

Major de Parada de Gatim já foi ameaçado

Roberto Carlos Pinto da Costa, nascido em Parada de Gatim, Vila Verde, é um dos oito arguidos na Operação Húbris, caso que envolve o “desaparecimento e recuperação” do armamento militar do quartel de Tancos. O antigo advogado de Pinto da Costa, ao Semanário V, referiu que este já foi ameaçado de morte depois de iniciar o inquérito judicial.

Nascido em Parada de Gatim, o atual major do Exército Português e militar da Polícia Judiciária Militar (PJM), de 47 anos, é apontado pelo DCIAP como um dos oito envolvidos no plano que, alegadamente, a PJM terá desenvolvido para um “reaparecimento” de armas que, na realidade, não seriam as furtadas inicialmente em Tancos, numa alegada tentativa de tranquilizar a população.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista