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Cabanelas. Agricultores esperam anos pelo financiamento do Governo

Rui Silva e Jorge Rocha na veiga de Cabanelas © FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Agricultores com estufas na Veiga de Cabanelas estão à espera de um despacho conjunto do Governo que permita reverter a classificação de perigo de cheias apontado para aquele local, que impede o financiamento público. Um agricultor já instalou estufas com fundos próprios e “desespera” pelo anunciado apoio do Governo.

Jorge Rocha, instalado na Veiga de Cabanelas há três anos, está à espera desta alteração de forma a receber uma comparticipação estatal de 130 mil euros, já aprovada há cerca de três anos. No entanto, o apoio ainda não chegou, apesar das promessas do Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, aquando da visita a Cabanelas para a assinatura do contrato de construção do regadio.

O caso foi exposto pelo deputado da Assembleia da República eleito pelo PSD, Rui Silva, que aponta “inércia” ao Governo por, três anos depois, ainda não ter financiado o jovem agricultor que investiu perto de 500 mil euros na construção de estufas em três hectares de terreno naquela zona onde a agricultura é favorecida.

Rui Silva e Jorge Rocha na veiga de Cabanelas © FAS / Semanário V

“É incompreensível fazer-se um investimento de milhões numa obra como o regadio e os potenciais investidores, que estão com projetos aprovados desde 2016, ainda aguardam que o Estado proceda ao licenciamento para que recebem os fundos para que as empresas tenham viabilidade financeira”, apontou Rui Silva ao Semanário V. Recorde-se que está em marcha a construção de um regadio para servir aqueles agricultores, em investimento de 8 milhões de euros por fundos próprios do Governo.

Também António Vilela, presidente da Câmara de Vila Verde, refere que a “câmara já muito antes de 2016, junto da ccdr-n, pediu para que esta zona fosse desintervencionada em termos de Reserva Ecológica Nacional e pedisse autorização para o licenciamento e financiamento”. “A Câmara em tempo devido fez os pedidos e pugnou por esta alteração e continua a pugnar”, explicou António Vilela, que, em dezembro último, se deslocou a Lisboa acompanhado do produtor de floricultura para falar com o Ministério da Agricultura.

Rui Silva, António Vilela e agricultores na Veiga de Cabanelas © FAS / Semanário V

O produtor esclarece que nessa reunião foi garantida a celeridade do processo e que a zona passaria a deixar de ser classificada como reserva ecológica, mas tal ainda não aconteceu, como salienta Jorge Rocha.

“É engraçado porque o regime atual desta zona impede construção de estufas por existir um alegado risco de cheias, mas eu já me mudei de outro lado, onde efetivamente ocorriam cheias, e aqui não há cheia nenhuma, o rio Cávado está quase mais de 1500 metros de distância”, aponta o produtor.

Já o deputado Rui Silva salientaa que o regadio tem como suporte o apoio à agricultura “e os projetos são aprovados pelos fundos europeus e depois não se pode fazer licenciamento”.

“O Ministério da Agricultura enviou para o secretário de Estado do Ordenamento de Território o pedido para alterar a lei, mas foi em dezembro e já vamos em abril”, explica o deputado. Rui Silva explica que a visita a este agricultor serve para recolher informação para “questionar o ministro de Agricultura ou a secretária de Estado para a urgência da resolução deste problema que está a asfixiar os agricultores”. “É preciso abrir os olhos e perceber que este Governo é mestre na ilusão e na mentira, que promete no papel mas que depois não se vê obra nenhuma”, reitera.

Documento aprova financiamento do Governo © FAS / Semanário V

Jorge Rocha teme pelo encerramento da empresa

O floricultor teme mesmo o encerramento da empresa caso não receba o apoio estatal. “Tenho os pedidos de pagamento prontos e tenho a empresa estagnada nestes três anos porque andei sempre a pedir dinheiro à banca”, lamenta Jorge Rocha.

Jorge Rocha refere que “basta-me um documento que me diga que posso avançar. Tenho lá os documentos todos para ser financiado e quero fazer um investimento de caldeiras de bio massa, para rentabilizar a empresa, mas não vou estar a pedir mais dinheiro ao banco”.

Jorge Rocha, com a empresa Veigaflor, produz rosas, margaridas e cravos, entre outras flores.50% do investimento total neste “horto” foi dinheiro pedido ao banco, sendo o restante investimento próprio. “A empresa está a ficar em rotura financeira por estarmos à espera do apoio do Estado. São só 130 mil euros, mas para pequenas empresas como esta, esse valor faz toda a diferença”.

Em jeito final, o produtor volta a salientar que nunca sofreu cheias neste novo espaço que ocupa há mais de três anos. “Vim para aqui para não ser inundado e levei com um papel que me proíbe de ter estufas por causa das inundações, que aqui não existem”.

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Jornalista