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Caso Tancos. Major de Vila Verde ouvido à porta fechada após ameaças

FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Roberto Carlos Pinto da Costa, natural de Parada de Gatim, Vila Verde, foi ontem ouvido à porta fechada pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso Tancos no âmbito do desaparecimento e recuperação do armamento furtado dos paióis daquele quartel.

Pinto da costa, investigador da Polícia Judiciária Militar, foi ouvido na manhã de terça-feira em conjunto com outro investigador. Ambos foram constituídos arguidos na Operação Húbris.

O atual major do Exército Português e militar da Polícia Judiciária Militar (PJM), de 47 anos, é apontado pelo DCIAP como um dos oito envolvidos no plano que, alegadamente, a PJM terá desenvolvido para um “reaparecimento” das supostas armas furtadas em Tancos. Há ainda suspeitas de que Pinto da Costa sabia de antemão que o furto iria ocorrer e não terá comunicado às chefias.

O advogado de Pinto da Costa invocou o papel de arguidos dos dois inspetores, alegando segredo de justiça, para que, pela primeira vez desde o início da comissão parlamentar, alguém fosse ouvido à porta fechada. Esta comissão inclui ainda outro nome ligado a Vila Verde, o deputado do PSD, Rui Silva, que tem questionado os militares sobre os furtos.

Segundo o requerimento para que a audiência fosse efetuada sem acesso por parte da comunicação social, tanto Pinto da Costa como outro arguido receiam que a divulgação das suas declarações “fora do âmbito da comissão de inquérito os possa colocar em risco sério de ofensa à sua integridade física”.  Em outubro de 2018, o anterior advogado de Pinto da Costa disse ao Semanário V que o na altura seu cliente já tinha recebido ameaças de morte na sequência de todo este caso do armamento furtado.

Luís Neves diretor da Polícia Judiciária, disse na passada semana que Pinto da Costa foi quem terá desvalorizado uma informação, que a PJ lhe passou três meses antes, de que estaria a ser preparado um furto em instalações militares.

“A conclusão é que o senhor major Pinto da Costa não terá credibilizado e transmitido a informação à hierarquia”, declarou Luís Neves, quando foi ouvido na comissão de inquérito, no passado dia 26 de março. Pinto da Costa estará ainda envolvido numa alegada tentativa de recuperação de armamento e munições que não seriam as roubadas inicialmente. A alegada recuperação do armamento – uma encenação -, iria culminar com uma agraciação do Presidente da República à PJM e a Pinto da Costa. Algo que acabou por não acontecer na sequência de uma investigação da PJ que expôs a encenação.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017 e o reaparecimento das armas, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, foi revelado quatro meses depois pela PJM, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

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Jornalista