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Cães errantes chacinam rebanhos em Oleiros e Prado. Um foi caçado

Ataque de cães a ovelhas em Prado © Luís Ribeiro / Semanário V
Fernando André Silva

Fernanda Prado, produtora de ovelhas com rebanhos em Oleiros e Prado, foi lesada por cães vadios durante esta madrugada, numa chacina que resultou em três ovelhas adultas mortas e duas crias desaparecidas. Este foi já o segundo ataque sofrido pelos rebanhos da produtora em dois dias e o quarto em 2019.

Fernanda Prado © Luís Ribeiro / Semanário V

Um dos cães foi apanhado numa armadilha implementada pelos serviços veterinários da Câmara de Vila Verde na sequência de um ataque ocorrido na madrugada do passado domingo, em que morreram quatro ovelhas adultas. O cão tinha o focinho ensanguentado e, segundo explicou fonte da Guarda Nacional Republicana ao Semanário V, é agressivo.

Um dos cães foi capturado numa armadilha colocada pelos serviços de veterinária da CM Vila Verde © Luís Ribeiro / Semanário V

Estivemos no curral onde se deram as duas chacinas destes dias e o cenário é desolador. Corpos de ovelhas jazem na propriedade agrícola ao redor enquanto várias sobreviventes ainda tremem com medo, juntas, dentro do curral. Todas ficaram com várias mazelas, algumas sem olhos, outras sem parte da face, outras sem membros.

Ataque de cães a ovelhas em Prado © Luís Ribeiro / Semanário V

Esta quarta-feira, o pai de Fernanda ligou-lhe a dizer que não via as ovelhas cá fora, no pasto situado no lugar dos Carvalhinhos. Foi a segunda sequência de ataques em 2019. No mês de março, em Oleiros, perdeu 22 ovelhas em dois ataques ocorridos, ao que tudo indica, pela mesma matilha. O prejuízo direto foi de 1.800 euros. Falta contar ração e tempo de trabalho investido na criação dos rebanhos chacinados.

Fernanda Prado não esconde as lágrimas. “Por muito que pagam o prejuízo não pagam dores de ninguém. São os nossos animais. Como vocês têm um cão, nós temos as ovelhas. Nós vê-mo-nos lesados e roubados desta forma porque isto é um roubo”, explica, vincando que estes cães “estão viciados em matar”. “E eu não duvido que os que atacam aqui em Prado são os mesmos que atacam em Oleiros”, queixa-se, pedindo mais apoio por parte da autarquia.

Um canídeo ficou preso numa armadilha implementada pela veterinária da Câmara de Vila Verde e aguardava recolha por parte dos serviços municipais. Explica fonte da GNR que é obrigação da CMVV recolher não só este animal como todos os errantes, não cabendo essa função à Guarda.

GNR tomou conta da ocorrência

Fernanda Prado aponta que estes ataques são recorrentes. “Daí a minha revolta. Todos os anos temos entre 10 a 50 animais abatidos. Em Oleiros, Prado e Marrancos, em Vila Verde e também em Ponte de Lima, onde moro”, explica, lamentando que não exista nenhum fundo de precaução para estes casos.

Terreno de pasto das ovelhas. Algumas foram encontradas mortas no exterior do curral © Luís Ribeiro / Semanário V

“O ataque de lobo é ressarcido, pagam os prejuízos ao agricultor. Se for de cães, não existe qualquer fundo”, lamenta. “Todos os anos trabalhámos para aquecer. Cães vão existir sempre e pessoas sem responsabilidade para com os cães também. A Câmara poderia ter um seguro, um fundo, que arranjem forma de conseguirmos sobreviver a estes ataques. Isto é um caso de sobrevivência. Sempre vivemos da agricultura. São horas e horas de trabalho”, reforça a agricultora.

Recolha de cães

A produtora já apanhou alguns cães e foi entregá-los no canil municipal, e pede mais eficácia aos serviços e consciência aos proprietários de cães que depois os abandonam. “Os organismos podem estar a tentar a ajudar mas não é suficiente. Não é só o apanhar os cães vadios. Os particulares tenham consciência que há muita despesa para manter um cão. Ninguém os recolhe. Há cães vadios na zona industrial de Oleiros que são alimentados por pessoas que lá trabalham. Há cães que são abandonados na zona da Veiga, em Cabanelas”, denuncia, apelando a que os serviços municipais façam a devida apreensão dos canídeos errantes.

Ataque de cães a ovelhas em Prado © Luís Ribeiro / Semanário V

Outros produtores queixam-se

Também Maria Barros, de Oleiros ficou sem três ovelhas que pereceram à mercê de uma matilha de sete cães errantes, na madrugada da terça-feira de Carnaval. Ao lado, um produtor também viu o seu rebanho ser atacado.

Ao Semanário V explica que os sete cães conseguiram abrir um portão através da força. “Nem sequer se deram ao trabalho de saltar a cerca, abriram logo o portão e mataram-me as três ovelhas que tinha”, lamenta.

Também outros rebanhos em Oleiros foram alvo do ataque de cães errantes durante o último mês.

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Jornalista