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Empresa de Vila Verde produziu tetos para o primeiro navio oceânico português

Empresa Conformetal © Luís Ribeiro / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

A empresa Conformetal, de Oleiros, Vila Verde, construiu os tetos falsos metálicos para o primeiro navio oceânico construído em Portugal, o MS World Exporer, que irá navegar por águas polares.

Trata-se do primeiro navio oceânico totalmente construído em Portugal com 126 metros de comprimento, 19 metros de largura, 4,7 metros de calado e oito pisos.

Inaugurado no passado sábado, 6 de abril, o navio que zarpa de Viana do Castelo em maio tem a capacidade para 200 passageiros e 110 tripulantes.

A empresa Conformetal ficou responsável pelos tetos, tendo encarado o desafio de “encontrar soluções que não são muito típicas, num curto espaço de tempo”, explicou Jorge Castelar, advogado e gerente da empresa.

Tendo em conta que se trata de uma embarcação marítima que irá fazer viagens oceânicas e expedições na Antártida e no Ártico, este projeto necessitou de soluções inovadoras, capazes de responder às necessidades específicas da obra.

Esta é a primeira obra em navios da empresa, o que apresenta um projeto desafiante para os seus 23 colaboradores.

 

Jorge Castelar e Vitor Pinto © Luís Ribeiro / Semanário V

 

Por se tratar de um projeto para um navio, implica a utilização de outro tipo de materiais, diferentes das obras comuns com que a empresa trabalha.

Vítor Pinto, designer industrial, explica que “os tetos são todos feitos em alumínio devido à corrosão do ar marítimo”. Além disso, trata-se de “uma obra em movimento que está suscetível a vibrações e que temos de garantir que o próprio sistema do teto falso metálico não se desmonte em plena viagem e crie danos aos utilizadores do barco”, acrescentou.

As condições diferenciadoras deste projeto passam pela instabilidade do mar e do barco e estes sistemas têm de garantir a durabilidade física do material, para não criar lesões a quem está a utilizar estes espaços.

Jorge Castelar adianta que o teto típico que a empresa produz é em aço. No entanto, “este tipo de condições implica outro tipo de materiais resistentes à corrosão”. Há dois processos que tiveram de ser alterados, segundo o gerente, “a alteração do aço por alumínio, que é normalmente o tipo de teto que utilizamos neste tipo de construções, e a utilização de um teto pós lacado, o que lhe confere uma maior resistência à corrosão”.

“O teto, para ter propriedade de isolamento acústico, é perfurado e essa perfuração, em conjunto com a aplicação de uma tela acústica no interior dele, confere-lhe ausência de eco. Para que o revestimento seja mais resistente à corrosão, usa-se uma técnica diferente que é perfurar primeiro e depois lacar”, prossegue Jorge Castelar.

Esta é a primeira vez que a Conformetal trabalha “em situações de mar e obras em movimento”, algo que Jorge considera um desafio que destaca a capacidade “instalada e o know-how da empresa para responder às necessidades”.

 

Jorge Castelar © Luís Ribeiro / Semanário V

 

Já Vítor Pinto assegura que “as características deste projeto são as mesmas: o sistema tem de garantir durabilidade do próprio e a segurança dos utilizadores”.

A empresa foi contactada pelo produtor de interiores do navio para implementar os tetos com um prazo curto, devido à data de inauguração. “Foi preciso arranjar uma solução, uma parte em termos de equipamentos standard que nós produzimos e outra parte foi desenhada especificamente para outras partes do navio”, afirma Jorge Castelar.

Este não é o maior projeto da empresa, mas distingue-se pelas características, “por ser diferente do produto standard e, por isso, constitui um desafio que é sempre motivador”.

Em maio, a empresa do grupo IBG comemora os 12 anos de existência. A Conformetal produz tetos falsos metálicos e faz perfilaria, quer para os próprios sistemas de tetos falsos, quer para gesso cartonado.

Além deste navio, a empresa, que em 2018 gerou uma receita de cerca de 4 milhões de euros, é responsável pelos tetos de vários hospitais, incluindo do Hospital de Braga, da Sede do Banco de Moçambique, do Aeroporto de Nacala e de Catumbela e, ainda, do Altice Forum Braga.

Está responsável, também, por “uma autoestrada que está a ser construída há vários anos na Argélia que será a maior autoestrada consecutiva do mundo e os tetos das portagens foram feitos pela Conformetal”, avança o advogado.

 

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