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Património. Palácio D. Chica foi vendido e vai ser local de eventos

Palácio de Dona Chica (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

O Palácio de Dona Chica, em Palmeira, Braga, foi vendido há alguns meses e deverá transformar-se num local para realização de eventos, como casamentos e outras celebrações religiosas. Desconhece-se o valor oficial da transação, mas, ao que apuramos, deverá rondar o milhão de euros

O Semanário V confirmou a venda com o antigo proprietário do edifício, uma imobiliária da Póvoa de Varzim, com o atual presidente da Junta de Palmeira e com o vereador do Património da Câmara de Braga.

Miguel Bandeira, vereador, confirmou a venda, indicando que a mesma trouxe “um grande alívio” à Câmara de Braga que, em junho de 2018, viu-se forçada a intimar o antigo proprietário a realizar obras de conservação que impedissem a entrada de vândalos para o interior, algo que vinha a acontecer ao longo dos últimos anos.

O vereador conta que teve uma reunião com os dois novos proprietários, dois irmãos, um emigrado nos Estados Unidos e outro a residir em Portugal, e que estes pretendem realizar algumas obras de adaptação no espaço envolvente, para servir os propósitos a que se destina o imóvel.

“Estão a pensar construir um anexo para servir de apoio à realização de eventos mas, no próprio edifício, não devem realizar alterações”, indica, confessando, no entanto, que “algumas obras foram feitas já nos anos 80 e não fazem grande sentido quando comparadas com a obra inicial de Korrodi”, arquiteto que desenhou o palácio no início do século XX.

Miguel Bandeira indica ainda que qualquer alteração que seja pretendida pelos novos proprietários terá sempre de passar pelo Ministério da Cultura, uma vez que o imóvel está classificado como Monumento de Interesse Público desde 2013, depois de quase três décadas de luta do antigo presidente da Junta de Palmeira, Manuel Vieira, ficando o imóvel salvaguardado pela Direção Geral de Património e, mesmo que nas mãos de privados, será sempre obrigatória a sua conservação.

Miguel Bandeira salientou que, ainda se podia pensar fazer algo ao género de Serralves, com longos jardins, mas a construção de vivendas nas imediações acaba por impedir esse intento.

Recorde-se que o Palácio de D. Chica pertenceu à Junta de Palmeira durante mais de duas décadas, tendo sido adquirido pela Caixa Geral de Depósitos e posteriormente vendido a um privado, em 2004. O mesmo privado que agora procedeu à venda do mesmo e que contactámos mas não quis prestar declarações sobre o assunto.

Falámos também com o atual autarca de Palmeira, César Gomes, que não quis avançar informação sobre as alterações que os novos donos pretendem fazer no espaço envolvente. “Confirmo a venda mas ainda não há muito a dizer sobre o futuro do edifício. Os proprietários pediram algum tempo até tornarem públicas as intenções, algo que deverá acontecer no verão”, explicou.

Como tinha dito Manuel Duarte, da Associação Katavus, que zela pelo ambiente e património ao redor do rio Cávado, a zona envolvente também está incluída na classificação de interesse público, devendo ser salvaguardadas as árvores e outras estruturas que se encontrem no jardim, algo que ainda não é possível saber se está nas intenções dos novos proprietários.

Palácio de Dona Chica

O palácio foi mandado construir em 1915 por um nobre residente na região para oferecer à sua prima brasileira Francisca, com quem tinha casamento marcado.

Dona Chica terá vindo do Brasil, na altura com 15 anos, depois do pai morrer, para um casamento por conveniência com o abastado primo. O marido mandou construir mas nunca chegaram a lá viver, nem o palácio ficou inteiramente concluído, porque o casamento desfez-se antes da conclusão da obra, em 1919.

A família acabou por vender o palácio a estrangeiros, tendo ficado sempre nas mãos de privados estrangeiros até regressar ao património da Junta de Freguesia, mas acabou por ver o mesmo hipotecado pela Caixa Geral de Depósitos em meados da década de 90, tendo sido vendido a privados em 2004.

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Jornalista