Destaque

EPATV denuncia “apagão” de dívida da Câmara de Vila Verde

Partilhe esta notícia!

Os negócios entre a Câmara de Vila Verde e a Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) estão em risco depois daquela escola ter vindo a público contrariar as afirmações de António Vilela, presidente da autarquia, de que não existe nenhuma dívida da CMVV perante aquela escola.

O edil falava durante a última Assembleia Municipal do concelho, respondendo a uma questão do deputado socialista Carlos Araújo, garantindo que não existe qualquer dívida para com aquela escola. O deputado questionou o edil porque motivo uma dívida de 24 mil euros estava inscrita no relatório de 2017 e “desapareceu” do relatório de 2018 sem que a mesma tivesse sido paga.

António Vilela garantiu que a dívida não foi paga nem apagada porque não existe nenhuma prova de que a dívida tenha sido contraída pelo municipio, algo que motivou resposta por parte da escola.

Em comunicado, a gerência da EPATV, a cargo de João Luís Nogueira, mostra-se indignada, sobretudo com uma tirada do presidente da Câmara onde este referiu, em tom irónico, que “se são só 24 mil euros, se fosse 24 milhões estaria preocupado”, apontando ainda um “tropeço” do edil para com as contas em dívida para com a EPATV.

Segundo o documento enviado às redações, é confirmada uma dívida fruto de vários serviços e salienta que “a noção de cumprimento das nossas obrigações não depende do valor mas sim de sermos ou não honestos”.

A gerência da escola salienta que “a verdade vem sempre ao de cima, e os utentes que beneficiaram destes serviços não se esqueceram, lembro só alguns exemplos: diferença de preços dos serviços da Lazer e piscinas de Vila Verde e Prado, utentes com cartão jovem Municipal, PPSEM- Programa de apoio a deficientes nas piscinas selecionados pelas juntas de Freguesia e Câmara Municipal, almoços e jantares dos encontros e festivais de folcore e concertinas, vários seviços de coffee break, aluguer do auditório a pedido da Câmara para várias instituições”, relembra.

E, ao contrário do que referiu António Vilela na AM, “as faturas correspondentes até já foram enviadas pela segunda vez, e nunca foram devolvidas”, garante a gestão da escola.

No mesmo documento enviado pela gerência da EPATV, é salientado que, no passado, a autarquia dispunha “das dívidas e do dinheiro da escola a seu belo prazer”, e que essa alegada atitude já terá terminado.

“Já em 2014, quando declarou e afirmou que não devia nada a escola, depois já só devia 40 mil Euros e depois, na defesa de uma acão judicial de cobrança coerciva da verdadeira divida ,superior a 1Milhao de Euros, o Sr Presidente propôs um acordo que fosse inferior a 1Milhao, ficando então acordado que a Câmara pagaria à Escola o valor de 988mil Euros”, recorda ainda a gerência.

EPATV pode avançar para meios judiciais

No mesmo documento enviado às redações, a gestão da EPATV aponta a via jurídica para solucionar esta e outras dívidas, já dos anos de 2018 e 2019. Segundo a gestão da escola, a CMVV tem em atraso pagamentos relativos a 2018 no valor de cerca de 29 mil euros, assim como valores de alguns serviços já efetuados no ano de 2019. A escola deixa a questão se “os vereadores que solicitaram o serviço” também se “esqueceram” dos mesmos.

“Perante tais factos e evidências, e pelo bom nome da EPATV, sentimo-nos na obrigação de esclarecer toda a população que em nós acredita e reconhece o projeto EPATV como válido e profícuo para o concelho. E face à tomada de posição de ausência de diálogo, temos que tomar providencias e decisões; umas pela via politicas, outras como nós, temos que deitar mão aos meios jurídicos ao nosso dispor, para repôr a verdade e cobrar o que nos é devido”, garante a gerência da EPATV, sublinhando que é intenção “deixar de uma vez por todas de dar crédito a Câmara Municipal de Vila Verde, enquanto se passarem episódios destes”.

Comentários

topo