Vila Verde

Prado. António e Patrício registam centenas de espécies de aves em fotografia

Fernando André Silva

António Moreira e Patrício Rodrigues, residentes na Vila de Prado, concelho de Vila Verde, dedicam-se ao longo dos últimos anos à captura de pássaros através da fotografia, tendo inclusive uma exposição patente na Câmara de Vila Verde com alguns dos retratos das centenas de diferentes aves captadas em diversos pontos da região minhota. Fátima Mendes, artesã residente na Vila de Prado, criou a exposição que esteve patente durante o final do mês de abril.

Exposição esteve patente na CMVV Foto: FAS / Semanário V

Exposição esteve patente na CMVV Foto: FAS / Semanário V

O Semanário V acompanhou a dupla de fotógrafos amadores durante uma sessão de fotografia no Parque da Devesa, em Vila Nova de Famalicão, verificando que nem sempre é fácil conseguir captar a imagem perfeita de aves que, na sua maioria, são irrequietas e não parecem gostar muito de sorrir para a fotografia.

António e Patrício captam avifauna do Minho (c) FAS / Semanário V

Uma dessas aves é o “guarda-rios”, espécime de cor azul e laranja que raramente se deixa apanhar, embora a dupla esteja cada vez mais experiente na forma como pode registar esta ave que se assemelha a um F-16, segundo constata Patrício.

Guarda-rios Alcedinidae / Arquivo de António Moreira

Guarda-rios Alcedinidae / Arquivo de António Moreira

“Este pássaro é um verdadeiro F-16, que abre as asas e faz um voo rasante, por vezes debaixo de pontes, e é muito difícil fotografar”, explica o pradense, que anteriormente se dedicava à fotografia de paisagens.

“Comecei a fotografar pássaros recentemente. Antigamente tirava mais fotografias a monumentos e a paisagens junto ao rio Cávado, mas comecei a ficar fascinado com as aves e toda a natureza”, explica.

Pintassilgo(Carduelis carduelis) Arquivo de António Moreira

Também António Moreira sente fascínio por este tipo de registo fotográfico. Confessa que nos últimos tempos tem-se dedicado cada vez mais à fotografia, embora o trabalho nem sempre o permita.

“Tentámos fazer isto aos sábados”, sublinha, revelando que os pontos favoritos para “capturar” os pássaros passam pelo rio Cávado, na zona de Prado, pelo Parque da Devesa, em Famalicão, e em alguns lugares de Arcos de Valdevez.

Os dois criaram um grupo nas redes sociais onde vão divulgando os registos, servindo esse canal como uma forma de exposição e até de algum apoio para continuarem com este passatempo.

Outra das mais valias para este “passatempo” dos dois pradenses é mesmo o contacto com a natureza

“Isto é do melhor, a calma, a paz que nos transmite. Quando nos dedicamos a este registo, sentimo-nos em comunhão com a natureza”, explica Patrício. António concorda, e acrescenta que é “um bom passatempo para sair de casa e estar ao ar livre”.

António e Patrício procuram aves no Parque da Devesa (c) FAS / Semanário V

Outra caraterística desta atividade é a “comunhão” entre fotógrafos e uma “boa forma” de conhecer novas pessoas.

Em Famalicão, já muita gente conhece a imagem dos dois fotógrafos que se aventuram pela zona mais pantanosa do parque da cidade. Conceição Alves é uma delas. A famalicense indicou à reportagem do Semanário V que já conhece bem os dois “amigos”, a quem costuma saudar sempre que dá um passeio pelo parque.

“Conheci-os por causa da fotografia. O meu irmão também gosta de fotografar pássaros e foi assim que os conheci”, conta.

Em Famalicão, a dupla pradense também se sente em casa. E foi por isso que escolheram o local para a reportagem com o Semanário V.

“Há várias pessoas que nos vão conhecendo aqui, que nos perguntam o que estamos a fotografar e regra geral gostam daquilo que fazemos”, explica António.

No Parque da Devesa, durante a reportagem, conseguiram captar vários espécimes, para além do tão desejado guarda-rios

As “barulhentas” galinhas de água, os “brilhantes” estorninhos, as famílias de patos-real, todos acabaram registadas no cartão de memória da dupla, que almejava encontrar ainda um rouxinol que se ouvia, mas que nunca saiu do meio da vegetação.

Rouxinol / Arquivo de António Moreira

O material que utilizam é acessível ao português comum, não utilizando tripés nem lentes que permitam captar as aves durante o voo. Isso acaba por lhes dificultar o trabalho, como confessa Patrício.

“Não temos lente para captar em voo por isso temos de esperar que as aves pousem em algum local e rezar para que não levantem logo voo”, explica.

Depois de várias aves fotografadas, os dois fotógrafos aproveitam ainda para registar outros animais que passam por aquele parque, como o caso de um coelho selvagem que se aventurou pelo meio do mato. E, despedindo-se da reportagem do Semanário V, a dupla aventurou-se pela zona mais pantanosa do parque, em busca de um registo único do coelho-bravo. Porque nem só de pássaros vive a natureza.

Com o apoio de Fátima Mendes, que viu no passatempo da dupla um sinónimo de liberdade, a dupla está a organizar exposições de fotografia e de fotografia em azulejo.

Patrício Rodrigues, Fátima Mendes e António Moreira / Facebook de António Moreira

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Jornalista