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André Monteiro mantém viva a produção manual de cestos de vime em Soutelo

André Monteiro, de 68 anos, mantém viva a tradição artesanal da construção de cestos de vime, arte herdada dos pais e avós, pertencentes à conhecida “família Monteiro”, de etnia cigana. Hoje em dia, já não constrói tantos cestos como em outros tempos, mas ainda vai dando “vazão” às encomendas que lhe chegam, sobretudo em larga escala.

Falámos com o artesão que mantém uma pequena oficina à face da EN 101, em Soutelo, concelho de Vila Verde, e este esclareceu-nos sobre a arte de recolher o vimeiro para fazer o vime. Ao longo do ano, existem dois períodos onde é possível “descascar” o vime, para depois o utilizar na produção de cestos.

“A planta descasca em abril e podemos utilizar em maio. Os rebentos que ficam acabam por crescer novamente e podemos recolher em agosto”, clarifica o artesão, indicando que “no resto do ano não resulta da mesma forma”. O local onde André apanha o vimeiro não é certo. “Há em vários lados, à beira da estrada, nos montes, é só procurar”, afirma.

Com as mãos calejadas, fruto da “dureza” deste tipo de trabalho, André explica que, “para quem sabe”, a arte não é complicada. “Temos de tratar o vime, descascar e depois vamos enfiando e atando, até ao resultado final”, conta. Cada cesto, de médio porte, leva cerca de uma hora a ser feito. “Os maiores podem demorar hora e meia”, explica, referindo-se a cestos para armazenar lenha.

Natural de Montemor-o-Velho, fixou residência em Soutelo há cerca de 20 anos, e vai municionando alguns “cesteiros” da região com as suas aptidões nos trabalhos manuais. “Tenho sempre algumas encomendas. Aqui tenho 30, para entregar a um cliente. Mas é para fazer mais agora na altura do verão”, conta, revelando que “vai dando para ganhar a vida”.

A arte aprendeu-a com os pais, desde criança. “Aos 12 anos já sabia fazer cestos sozinho. Naquela altura era a única forma de ganhar a vida da minha família e foi por isso que tive de aprender”, expõe.

“Mas a arte, na família, vai morrer comigo”, lamenta, indicando que nenhum dos filhos e netos aprendeu a arte. “Às vezes sentam-se aqui a ver mas nenhum quis aprender”, refere. Esse é, aliás, um dos lamentos de André. “Entre filhos, netos e bisnetos, somos mais de 50”, atira, “mas nenhum quer seguir a profissão”.

A arte de elaborar cestos em vime é bem antiga. Já no período da antiga Pérsia, os escudos para as batalhas eram feitas com este material. Era também utilizado no antigo Egipto, acabando por ganhar grande influência na cultura céltica, que permanece até aos dias de hoje.

Também os primeiros aviões possuíam material feito com vime, fruto do peso leve e ser bastante resistente. Hoje em dia, ainda são utilizados nos cestos de balões de ar quente.

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