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Pedófilo de Águeda confessa 583 crimes de abusos sexuais sobre crianças

Fernando André Silva

Um homem de 27 anos começou a ser julgado no Campus de Justiça de Lisboa pela suspeita de prática de 583 crimes de abusos sexuais e mais de 70 mil crimes de pornografia infantil, escreve hoje o jornal PÚBLICO.

Suspeita-se que o homem liderava uma rede internacional de pedofilia especializada em abusos a bebés, e o homem já terá confessado os crimes nesta segunda-feira. Nega, no entanto, que tenha recebido pagamentos para divulgar os vídeos de cariz sexual que fazia com as vítimas. Para além do homem, sucateiro de profissão, estão ainda a ser julgados os pais e duas mulheres que deixaram os filhos ao cuidado do homem mesmo sabendo que ele abusava de crianças.

O homem já havia sido julgado por pornografia infantil em 2017, mas os juízes do Tribunal de Aveiro condenaram o arguido a pena suspensa, não o mandando para a cadeia de forma a “não estragar a vida que tinha à frente”, escreve o mesmo jornal. Ficou em liberdade, com tratamento psicológico, mas continuou a abusar de sobrinhos, primos e outras crianças.

Terá montando uma rede internacional de pedofilia a partir da sucata em Águeda, apelidando a rede de “Baby Heart”, divulgando os vídeos e imagens através da “dark web”, zona “obscura” da internet onde se praticam vários crimes, desde pedofilia ao incentivo ao terrorismo.

Segundo a acusação do Ministério Público, o arguido criou “um sistema de prestígio, atribuindo uma estrela vazia aos membros novos, a qual, à medida que tais membros partilhavam conteúdos de abusos sexuais de crianças, ia sendo preenchida”.

“Quando a mesma se encontrasse totalmente preenchida, o membro recebia a designação de membro especial, sendo que para tanto teria que publicar e partilhar boa pornografia de menores”, refere a acusação, imputando-lhe 583 crimes de abuso sexual cometidos sobre oito crianças, para além de 70 mil crimes de pornografia infantil, entre 2013 e junho de 2017, quando foi detido.

A rede foi descoberta por autoridades australianas que informaram as autoridades nacionais. Também um informático de Belas e um radiologista de Parede estariam envolvidos na mesma rede.

O julgamento prossegue à porta fechada.

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Jornalista