Vila Verde

Concentração de Prado. “Espírito motard é ar no focinho e muito respeito”

Fernando André Silva

“Ar no focinho e muito respeito”. É um dos lemas que definem o espírito motard. E a Vila de Prado é a “Meca” dos motards durante o fim de semana, com a concentração de três dias a atrair meio milhar de amantes das motorizadas vindos de vários pontos do país. Com cerca de 25 moto-clubes inscritos totalizando perto de 500 motards, a praia fluvial do Faial assiste a concertos de rock’n’roll, exibições motorizadas e, claro, muito convívio e espírito motard.

“Bom tempo, motas, miúdas e rock’n’roll, o que precisamos mais?”

Diogo, César, Arnaldo e Filipe vêm de Roriz, Barcelos. Pertencem ao grupo Motogalos e vieram pelo “espírito motard”. “Bom tempo, motas, miúdas e rock’n’roll, o que precisamos mais?”, diz um sarcástico Diogo.

Grupo de amigos vindo de Roriz (c) FAS / Semanário V

“Também viemos ver amigos a tocar, os Doutor Assério, que são uma banda da nossa terra”, acrescenta César. “O concerto foi fantástico”, aludem. Como são de perto, não acamparam, como fazem centenas de motards, mas marcam presença durante os três dias do evento.

“O espaço é amplo e bom, o pessoal é muito porreiro. Mas para ser igual à da concentração de Barcelos, ainda têm muito que andar”, graceja Arnaldo, “o mais velho”, como se intitula.

O espírito motard é muito diferente

Márcio Veloso, de Vila Verde, chegou ao Faial na sua Yamaha TDM Twin 8.5. O também bombeiro e elemento da Fanfarra dos Bombeiros de Vila Verde veio à concentração sobretudo pelo convívio. “O espírito de motard é muito diferente”, destaca.

Márcio Veloso (c) FAS / Semanário V

“É um grupo de amizade, onde se bate com a mão nas costas. Outros espíritos é mais porrada e inimizades, mas nos motards é diferente”, confessa o também especialista em segurança que veio com um grupo de amigos: os Papa Léguas.

Márcio considera que há cada vez mais gente a vir à concentração de Prado. Destaca o verde da paisagem e o rio ao pé do campismo. “Aqui acampa-se de forma maravilhosa durante três dias”, destaca. “O pessoal adora isto”, salienta.

A mota mais pequena da concentração

Paulo Marques veio de Dume. Anda de mota há um ano mas já não perde as concentrações. Vem a Prado pelo convívio e porque “gosta do espírito”. Com a sua Bennelli, uma das motas mais pequenas de toda a concentração, deixa um alerta para automobilistas que “não deixam ultrapassar nas filas”.

Paulo Marques veio de Dume (c) FAS / Semanário V

“Eu queria deixar isso vincado. Há condutores que encostam para a esquerda para irmos para cima dos carros que vêm de frente e não acho isso correto”, salienta. “Acho que os automobilistas deviam encostar um pouco para deixar passar os motociclistas. Não somos melhores do que ninguém, mas quando estão em fila, podiam facilitar”, apela, admitindo mesmo sentir “receio” quando conduz a mota.

Muita gente no evento

Bruno Seara, está na concentração em trabalho. Tem um ecrã no local e aproveita para se inteirar do evento. Já parceiro há três anos, cede o ecrã gigante ao Moto Clube de Prado, em troca de publicidade. Notou alguma evolução, embora nos outros dois anos o clima não foi favorável, mas mostra-se impressionado com o número de pessoas que aderem ao evento.

“Condutores… quando saírem para a estrada, reparar sempre se vem uma mota”

De Viana do Castelo, veio o grupo motard 4 Team. Estão em Prado por tradição. “Vimos cá há cerca de 10 anos e queremos voltar sempre”. Atraídos pelo local, pelo rio, pelo convívio e pelo “saber receber do Rui [presidente do Moto Clube de Prado], confessa que já não há “muito por onde evoluir”, por já ser “um sucesso” desde sempre. Pertence aos Renegados do Ritmo, uma banda de covers conhecida por “pegar nas músicas e f**** todas”.

4 Team de Viana (c) FAS / Semanário V

Zé de Chaves e Rafa Braga

Rafa Braga, “benfiquista de coração”, anda há 37 de mota e está cá por vários motivos. “Um deles é porque há aqui dezenas de moto-clubes diferentes e eu conheço-os quase todos”, diz, enquanto é interrompido por Elisabete Branco. “Esta amiga e o marido fizeram agora a Route 66”, conta Rafa.

Sobre o famoso “Espírito motard”, Rafa apelida como “ar no focinho e muito respeito”.  “O motard é aquele que tem respeito e sabe andar na estrada. O resto são aceleras”, vinca.

Rafa salienta estes encontros como a “verdadeira amizade entre todos os grupos motards”, mas deixa um reparo sobre a sinistralidade.

“Peço a todos os que andam de mota para perceberem que o acelerador é que faz andar a mota. Deixem de fazer filmes e andem com respeito”, apela aos colegas motards. Mas tem também um recado para os automobilistas. “Condutores… quando saírem para a estrada, reparar sempre se vem uma mota”.

Route 66

Quatro casais em quatro motas.  José Pereira e Elisabete Branco vieram de Chaves e já são uma das principais atrações desta concentração. Completaram, na passada semana, o percurso da mítica americana Route 66, que atravessa o país do Tio Sam de uma ponta à outra.

“Não há palavras para descrever. Fizemos mais de 5.000 quilómetros ao longo não só da Route 66, mas fomos também ao Grand Canyon e a Las Vegas, que é fora da estrada mítica”, explica José Pereira, mais conhecido por entre os colegas motards como “Zé de Chaves”.

O casal recomenda a “quem possa”, para fazer idêntico. “Digo a todos que possam para experimentarem a Route 66, porque é fora de série. Estivemos seis semanas a passar locais que iam de 6 graus negativos até 42 graus, tudo muito diversificado”, salienta.

Sobre os motivos de virem à concentração de Prado, apontam que “a malta é espetacular e que é bom, ao final de uma semana de trabalho, encontrar a malta”.

De Alfena até Prado

António Monteiro, sócio honorário do Moto Clube de Alfena, conta ao Semanário V que vieram cerca de 45 amigos de Alfena, perto de Miranda do Douro.

Motoclube de Alfena (c) FAS / Semanário V

“Vimos a Prado porque é uma concentração mítica para o Moto Clube de Alfena e o pessoal gosta mesmo de cá vir, já vimos desde 2002, e por isso é que dizemos que é mítica”, atira o motoqueiro, deixando elogios à praia fluvial junto ao rio Cávado.

“Quanto a mim, esta é a concentração com o espaço mais bonito de todas as que corremos a nível nacional”, garante o mirandês.

António Quintas, de 72 anos, anda de mota desde os 19 e vem a Prado há 18, e concorda que é das concentrações com um dos espaço mais “espetaculares” de Portugal.

A concentração motard do Moto Clube de Prado prossegue este sábado e pela madrugada de domingo, terminando durante o dia de amanhã.

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Fernando André Silva

Jornalista