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À conversa com Pedro Talaia: “Só quero dar às pessoas”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

À Conversa com Pedro Talaia, Gestor de Marketing da Displax: “Só quero dar às pessoas”.

Este encontro estava agendado. Fui ver o Pedro novamente no papel de organizador, desta vez num Meetup Braga.Growth. “O melhor é deixar fluir” disse-me…

Andreia Santos: A maioria das pessoas que conhecemos descrevem-te como “muito boa pessoa”. Como é que este feedback te faz sentir?
Pedro Talaia: (A sorrir, ligeiramente constrangido). Sabes, eu não me considero humilde… sou muito objectivo. Quando organizei o TEDx estava desempregado, sem nada que fazer…
A.S.: Como é que tu és?
P. T.: Eu nunca estou bem (risos), no bom sentido. Sou hiperactivo no conhecimento. Tenho vontade de estar sempre a aprender.
A.S.: És curioso?
P.T.: Sim.
A.S.: Um eterno aprendente como diria o Sinek. Qual é a tua missão?
P.T.: Não faço a mínima ideia… penso muito nisto. Creio que o mais importante é que aqueles que me são próximos vão sentir a minha falta quando os deixar. Amá-los faz parte das minhas prioridades. Só quero dar às pessoas…
A.S.: Como no TedxBraga e no Braga.Growth…
P.T.: O Tedx abriu muitas portas, fiz muitos contactos. O Braga.Growth é mais um evento sem fins lucrativos que para mim tem a intenção de dar aos profissionais contactos e receber deles. Permite criar possibilidades de negócio, dar um passo à frente.
A.S.: O que te inspira?
P.T.: Pessoas empreendedoras. A motivação delas, não terem medo. Influenciam-me os amigos, a minha namorada. Um bom livro, um bom filme.
A.S.: Se tivesses que me recomendar algum livro que marcou a tua vida, qual seria?
P.T.: (A pensar…) Existe um livro sobre gestão de redes sociais que me marcou muito, que ajuda a colocar na posição dos outros, o “Jab, jab, jab, right hook” de Gary Vaynerchuk.
A.S.: Contactas muito com empreendedores. O que é para ti um empreendedor?
P.T.: … Estou à procura da palavra certa, de uma analogia que possa funcionar… Acho que um empreendedor é um mix de vários animais, um morcego talvez… alguém sem destino e sempre no caminho, sem medo de enfrentar a realidade, que anda muitas vezes no escuro, e que voando está sempre à procura de um sítio para pousar…
A.S.: O que dirias aos novos empreendedores?
P.T.: Depende da fase do empreendedor. Se for numa fase inicial: não tenhas medo, vai… numa fase mais avançada daria sugestões mais concretas, eu fiz isto, aquilo…
A.S. Quais são os desafios que sentes hoje no mercado?
P.T.: O trabalho remoto. Gostar de cada cultura é essencial. Acho que é um investimento ter pessoas de diferentes culturas nas empresas. É também necessário que o mercado consiga surpreender.
A.S.: Tu também és empreendedor… para quando um projecto teu?
P.T.: (Risos) Sou um empreendedor com um caminho, já com conteúdo, mas ainda nunca me senti a 100%… Ter contactado com pessoas resilientes na Startup Braga fez-me querer ter um negócio meu.

A.S.: De 0 a 10 quanta vontade tens de ter algo que seja teu?
P.T.: 10
A.S.: Estás numa fase de exploração… o que já és irá somar-se a algo mais…
P.T.: Acho que falhar é a coisa mais comum e divertida que me acontece.
A.S.: Quais são hoje as principais dificuldades que sentes?
P.T.: Acho que as pessoas estão cada vez mais individualistas. Nota-se a influência do querer aparecer, toda a gente quer palco. Já aprendi que quando as pessoas querem ficar com os louros mais vale dar… Há muita superficialidade, o carro que o outro comprou… tendências. Sinto que sou mais simples e que prefiro fazer outras coisas. Por exemplo, eu não vejo Game of Thrones (para descontrair a conversa e a sorrir).
A.S.: E não te sentes mal? (Risos)
P.T.: (Risos) Prefiro fazer outras coisas, ver um bom filme, jantar a dois…
A.S.: Gostas muito de viajar, foste recentemente a NY…
P.T.: Sim, foi muito bom. Aquilo que não está exposto da viagem é o que fica… Um dia estávamos num parque e a minha namorada nunca tinha visto esquilos… estava encantada e eu quis gravar o momento sem ela dar conta. Isto é o que fica. O que guardamos. O que não publicamos.
A.S.: O que te falta?
P.T.: Quero ver todas as culturas do mundo, mas também tenho mesmo medo de morrer em alguns países. Ir para o estrangeiro, crescer. Ganhar sustentabilidade e ideias…
A.S.: O que é que o teu percurso já te diz que podes deixar com outros?
P.T.: Quando paramos de lutar acaba tudo. Não nos devemos deixar abater pelo que nos acontece. O meu pai faleceu muito cedo e isso fez-me viver. Não nos devemos comparar às pessoas. A nossa vida não é a dos outros. O mundo é um lugar muito pequeno…

Bio

Com um histórico de reprovação dois anos consecutivos no 12º ano, trabalhou na C&A e finalizou os estudos à noite. Passou pela Brasileira, antes de ir para o Ensino Superior e fazer parte da Associação de Estudantes do IPVC e de entrar para Gestão Artística e Cultural. Depois de um Erasmus na Dinamarca, uma das cidades mundiais que o marcaram, serviu às mesas, entrou na U.M. no Mestrado de Comunicação, Arte e Cultura e partiu para o Algarve, onde foi recepcionista no Sheraton. Foi quando regressou a Braga que a sua vida mudou em definitivo com a primeira organização do TEDx e com o ingresso no Skills Lab. Hoje está na Displax, mas eu não sei onde irá parar… O Pedro não sabe porque o entrevistei… Não sabe, na verdadeira humildade que tem, confirmo, a grandiosidade do que me ofereceu, um dia estas entrevistas terão vídeo para que vejas o que eu tenho a sorte de sentir… Obrigada Pedro.

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Acerca do autor

Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional

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