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Vila Verde. Após 25 anos, continua a não haver rasto de Cláudia, mas mãe mantém esperança

Cláudia Alexandra, filha mais nova de Maria de Jesus Alves, de Vila Verde, desapareceu no dia 13 de maio de 1994, para nunca mais regressar à casa da família, situada em Oleiros.

25 anos após o desaparecimento, Maria de Jesus mantém a esperança que a menina de cabelos loiros, hoje com 32 anos, se encontre com vida e, talvez, que essa vida seja uma vida feliz.

Maria de Jesus com lista de crianças desaparecidas em Portugal (c) FAS / Semanário V

O Semanário V passou algum tempo com a família de Cláudia, esta manhã, em Oleiros. A mãe da menina ainda não perdeu a esperança de apelar à comunicação social para que ajudem a encontrar qualquer indício que leve ao paradeiro da menina, agora mulher.

“Só se houver alguma pista, é que a [Polícia] Judiciária volta a procurar a Cláudia”, explica Maria de Jesus, inconformada com o que sucedeu naquele dia fatídico, que deveria ser santo, por ser o dia de Nossa Senhora, mas que para a família Alves foi de desespero.

Maria de Jesus conta que a filha seguia pela estrada que liga a casa da família à escola, junto à atual sede da junta de Oleiros. “Era uma sexta-feira, a menina ia na estrada e de repente nunca mais ninguém a viu. Os vizinhos dizem que ouviram uma porta de um carro a bater espreitaram já ninguém sabia da Cláudia”, explica a progenitora.

Retrato robô do aspeto de Cláudia aos 20 anos (c) FAS / Semanário V

Reforça com o testemunho de outro vizinho, que “estava a sair de uma bouça”. “Disse que viu um carro preto a passar, com um homem à frente e outro no banco de trás, e que achou aquilo estranho. Depois percebeu que andávamos à procura da menina e associou o carro ao desaparecimento”.

As teorias, então, foram muitas. Mas a investigação da PJ não levou a qualquer esclarecimento.

“Ninguém me tira na cabeça que foi a mando de uma prima minha”, acusa Maria de Jesus, 25 anos depois do desaparecimento. A oleirense conta que uma prima, na altura com 17 anos, pediu-lhe para “vender” a filha mais velha para um casal que não tinha filhos.

“Isso aconteceu uns dias antes do desaparecimento da Cláudia. Ela pediu-me a mais velha e como eu disse que não, ela ameaçou que ia levá-la na mesma”, assegura Maria de Jesus.

Maria de Jesus e irmã recordam os cadernos escolares e fotos de Cláudia (c) FAS / Semanário V

No entanto, o interrogatório levado a cabo pelos inspetores não apontou nesse sentido, e a prima acabou por ser ilibada do possível crime. “Ainda hoje não fala para mim, nunca mais falou desde essa altura”, conta Maria de Jesus.

Na altura do desaparecimento, Maria de Jesus comunicou imediatamente às autoridades, no posto territorial de Prado da GNR. “Era uma sexta-feira e disseram-me que só iam começar a procurar na segunda”, refere, acrescentando que “não procuraram quase nada”. “Quem muito fez foram os escuteiros, que procuraram nos poços, nos montes, em todos os buracos nas freguesias à volta da casa”, sublinha Maria de Jesus.

Outro momento que ficou “atravessado” até hoje a Maria de Jesus foram as palavras do pároco local, entretanto falecido. “Veio aqui a minha casa dizer para eu não me afligir que ela estava em França, a ser bem tratada”, assegura Maria de Jesus. A mãe diz que fez imediatamente queixa junto do tribunal e que o padre foi chamado ao Ministério Público, mas que admitiu ter dito aquilo para “confortar a dor da mãe”. A irmã de Maria de Jesus, presente nesta entrevista, confirmou as palavras do padre Gavina.

As janelas de casa de Maria de Jesus têm retratos da filha desaparecida

Apesar de todos os contratempos, e de o processo já ter sido arquivado, Maria de Jesus não perde a esperança, embora admita que a mesma tem diluído com o passar dos anos. “Tenho esperança que ela está viva. Ou está presa em algum lado ou já não se lembra de nós”, refere, admitindo que “a dor ficou sempre”. “Tenho uma neta que está com a mesma idade e custa-me muito”, desabafa.

“Tenho esperança que surja uma pista nova, mas é muito difícil, agora com 32 anos… A verdade é que a esperança diminui com o passar dos anos… Mas ainda há uma réstia, basta existir uma pista”, finaliza Maria de Jesus.

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