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Roconorte é a banda típica das festas minhotas e atua em Vila Verde

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Regina e José são os responsáveis pelo grupo Roconorte, que atua no Santo António de Vila Verde na próxima sexta-feira, 14 de junho. O casal contou ao Semanário V como é que nasceu o projeto, o que esperam do espetáculo em Vila Verde e o que é que o público pode esperar do concerto.

Onde nasceu este projeto, o Roconorte, e qual é a ligação a Vila Verde?

Regina: Já existe há 38 anos. Nasceu em Monção. O meu marido, o baterista da banda, José Peixoto, é da Portela do Vade e nós tomamos conta do grupo Roconorte, estamos na gerência, há seis anos. Já fazemos parte desta equipa há 13 anos. Nós moramos em Vila Verde e a nossa vida é em Vila Verde.

Há quantos anos atuam?

Regina: Já vivemos da música há muitos anos. O Roconorte não é o primeiro. Eu comecei com 12 anos na música, já passei por muitos projetos.

José: Eu comecei mais tarde um bocadinho, mas o projeto que nos dedicamos mais foi o Roconorte. A partir do momento que integramos a equipa e desde que passamos de parte integrante a gestão do grupo é totalmente diferente.

Regina: Isto é uma empresa. Tem 16 funcionários e a maioria trabalha a tempo inteiro, ou seja, são mesmo funcionários vinculados à empresa, não é um hobbie. Há alguns grupos que levam isto como um hobbie.

Que tipo de espetáculos fazem?

Regina: Temos as romarias, chamadas as festas da aldeia, também vamos para fora, costumamos ir à Suíça, Paris, …

 

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V

 

Os ensaios continuam a ser em Monção?

Regina: Continuam. Neste momento ainda é tudo em Monção, porque ainda existe o antigo dono, que foi o fundador. Apesar dele ainda estar ligado à música, agora com projetos a solo, gosta de estar connosco. É o Jorge Nande, ele tem 64 ou 65 anos. Ele precisa ainda de nos ter ali e, enquanto pudermos vamos contribuir para que ele se sinta bem. Foi ele que nos deu a oportunidade de seguirmos o nosso sonho, de confiar no nosso trabalho.

José: O Roconorte é um filho dele, foi um projeto que ele criou de raiz e gosta de acompanhar. Enquanto estiver por perto vai fazer toda a questão de nos ter por lá. Ele neste momento voltou a ativar um projeto que deu origem ao Roconorte, que é o tema “Solos”. Há 39 anos, houve uma fusão de dois grupos que deu origem ao Roconorte e o Jorge já era integrante desse grupo. Neste momento tentou ir buscar esse projeto e, de há três anos a esta parte, tem feito alguns espetáculos. É um projeto giro.

Já não é a primeira vez que atuam em Vila Verde, pois não?

José: Desde que estamos nós a gerir, é a segunda vez. Foi em 2015 e agora 2019.

E o que esperam deste espetáculo de Santo António?

Regina: As festas de Santo António são as festas de Santo António! Eu recordo as festas desde criança, porque eu também já vivi aqui. Vila Verde é muito direcionada a artistas, não tem este conceito de grupos e é sempre uma espectativa grande. Nós tentamos sempre adequar o tipo de repertório ao público que vai estar presente. Aliás, este ano só vamos tocar no fim do artista, já vai começar bastante tarde, em princípio à meia-noite. Vamos tentar fazer um repertório mais jovem.

Como é que vocês preparam o repertório?

Regina: Nós temos o alinhamento do nosso espetáculo que, normalmente, é de três ou três horas e meia seguidas. Da última vez que estivemos em Vila Verde não fizemos um espetáculo seguido. Tentamos ajustar. Quando estamos na zona de Trás-os-montes tocamos baile, quando estamos em vilas tocamos mais espetáculo. Quando temos de reduzir três horas a uma hora é muito complicado mostrar tudo o que temos, porque o nosso espetáculo envolve todos os estilos de música, mas depois estamos a mudar de vestuário e então ficamos um bocadinho tristes quando temos de reduzir, porque gostávamos de mostrar mais.

E podemos saber o que esperar em Vila Verde?

Regina: Temos a nossa entrada da Disney e vamos tocar, talvez, um momento ou dois de baile, para algumas pessoas que possam estar de mais idade. Depois temos de passar logo para reggaetons ou rock português ou internacional. Por ser tão tarde, não vamos tocar fado aquela hora, por exemplo. O público que temos nesse momento não é o mais adequado para tocar baile ou cantar fado, por isso vamos ter de saltar para a segunda parte. Temos desde Queen, Tina Turner, medleys de clássicos, músicas mais recentes da Lady Gaga, os temas que estão mais na moda.

José: A hora que vamos tocar vai condicionar o que vamos apresentar. Temos de saltar um bocado no nosso repertório que começa sempre com a nossa entrada. Depois entramos para a parte de baile, música tradicional, concertina, fado, depois música espanhola de vários estilos. Tudo um bocado. Temos música portuguesa atual, também.

Regina: Para nós é um privilégio a Câmara de Vila Verde nos ter dado esta oportunidade. Não é um costume Vila Verde ter este tipo de grupo e só temos de agradecer à Câmara, à vereadora Júlia e Delfina, por nos dar esta oportunidade. O Santo António de Vila Verde é uma festa que tem muita afluência.

 

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V

 

Como é que são preparados os espetáculos?

Regina: Eu preparo tudo o que é coreografias e vestuário. Temos um alinhamento, um diretor musical que também ajuda a gerir a parte do ensaio e prepara tudo o que é de palco, a logística de cenários. A Paula Rodrigues é a cabeleireira e trata da imagem da banda. A logística e vestuários também somos nós que fazemos, tal como a venda na estrada. Nós trabalhamos muito pouco como empresários.

Quantos membros tem o grupo?

José: 16, nove músicos e sete técnicos.

O público tem correspondido às espectativas?

Regina: Sim, são públicos diferentes pelo país. Na zona minho o público reage de uma forma… São todas diferentes. A zona de Trás-os-montes recebe-nos muito bem, as pessoas demonstram que querem é dançar. Na zona do minho, cada festa é uma festa, há zonas que as pessoas querem concertinas e músicas populares, mas não são de dançar muito, mas são de aplaudir. Na zona centro também há públicos que dançam e outras que não dançam, mas aplaudem. Temos de saber lidar com os públicos diferentes.

José: Cada zona é uma zona. O ano passado tocámos em Aboim da Nóbrega e nem parecia que estávamos na zona de Vila Verde, pela afluência e pela dança.

 

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V

 

E que estilo de música gostam mais de tocar?

Regina: Eu gosto de Rock, mas tentamos tocar da mesma forma o Rock como o Baile, o profissionalismo está lá.

José: Neste mercado temos de tocar do que gostamos e não gostamos. Temos de tocar o que a comissão de festas pede. Quem está neste ramo tem de aprender a gostar de ser versátil. Além do Santo António vamos estar também em Pedregais, dia 9 de julho, em Godinhaços, a 16 de agosto, e Nevogilde, dia 20 de julho.

Quais são os planos para o futuro?

Regina: É continuar esta caminhada. Ter sempre um trabalho e um repertório que as pessoas gostam. 90% do nosso repertório muda todos os anos, não vamos repetir sempre as mesmas músicas.

 

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V

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Jornalista