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Cuida de pessoas mas não esquece o planeta Terra. Rafael promove limpeza dos rios em Vila Verde

Rafael Pinheiro é o criador do movimento Desassossego Ambiental (c) Luís Ribeiro / Semanário V
Fernando André Silva

Rafael Pinheiro, 33 anos, de Barbudo, Vila Verde, tem como profissão cuidar do ser humano, através da enfermagem. Todavia, não deixa de tentar cuidar também do planeta Terra e, em concreto, do concelho de Vila Verde.

Para isso, o jovem ambientalista criou um movimento chamado “Desassossego Ambiental” e já prepara a primeira iniciativa que conta com colaboração da empresa de recolha de resíduos BRAVAL e de várias associações do concelho.

No próximo dia 29 de junho, a partir das 9 horas, Rafael, em ação conjunta com a ADAAVV, EJAH Loureira, Associação Recreativa e Cultural de Soutelo, Núcleo de Escuteiros de Vila Verde e Guias de Prado, vai limpar as margens do rio Homem e do rio Cávado, de forma a sensibilizar a população para a problemática da pegada ecológica no planeta e no concelho.

Ao Semanário V, Rafael explica que a criação deste movimento surgiu depois de ter participado em ações de recolha de lixo nas praias do Norte de Portugal, agregado à prática de desporto que tem levado a cabo nos últimos anos, por entre BTT e trail running, onde viu “demasiados amontoados de lixo” nos montes de Vila Verde.

“Daí, tive a ideia de criar um movimento para tentar consciencializar a população”, explica. Inicialmente, entrou em contacto com o departamento do Ambiente da Câmara de Vila Verde para denunciar alguns dos amontoados que ia encontrando na sua pesquisa por diversas freguesias.

Rafael Pinheiro é o criador do movimento Desassossego Ambiental (c) Luís Ribeiro / Semanário V

“Ao início foram respondidos, mas quando comecei a referir algumas zonas mais críticas e que envolvia empresas, a comunicação com o departamento do Ambiente da Câmara deixou de existir”, aponta.

Com a ausência de comunicação por parte dos responsáveis municipais, Rafael virou-se então “para as associações e para os presidentes de junta”. “Eles [autarcas das freguesias] têm ido aos locais para tentar limpar os amontoados que vou encontrando e noto que estão preocupados com os problemas ambientais, mas quando se trata de empresas, tem de ser a Câmara a tentar resolver”, sublinha.

Rafael dá como exemplo a resolução de problemas deste género nas freguesias de Vila Verde e Barbudo, Oleiros e Duas Igrejas [Ribeira do Neiva], onde amontoados de lixo foram recolhidos pelas autarquias. “No entanto, em Duas Igrejas, onde estava o lixo, agora já existe um novo despejo apenas com pneus”, denuncia.

“Não compreendo porque é que a população, em vez de levar para o meio do monte, não deixa nos locais próprios. Daí criar o movimento através da página [de Facebook], não só para dar o alerta aos serviços ambientais mas também para consciencializar a população para a mudança que o planeta precisa e para que percebam que essa mudança tem de partir de casa”. Rafael reitera que “não há questões políticas” neste movimento.

Ação de limpeza

“Eu já fazia algumas recolhas esporádicas em praias no norte do país, durante o inverno, e pensei porque não fazer em Vila Verde”. O foco principal para esta primeira ação do movimento “Desassossego Ambiental” são os rios. Rafael explica que objetivo “não é só limpar as margens, mas sim educar as pessoas para não deitarem lixo nos rios”.

Para esta ação, a BRAVAL contribuiu com os sacos para fazer a recolha e algumas associações aceitaram o repto deixado, ficando cada uma com um ponto diferente de recolha, como explica Rafael.

“No rio da Malheira fica a ADAVV. Na Ponte Nova fica a EJAH. Em Porto Carrero fica a Associação Cultural de Soutelo, em Prado são as Guias de Prado, que também fazem a parte de Cabanelas, e também temos apoio de grupos de escuteiros para ajudar noutros pontos”, refere.

Rafael deixa o convite aberto à população em geral para comparecer em um destes pontos durante o dia 29. “É complicado perceber quantas pessoas vão aderir, mas acredito que a população em geral vai compreender a importância da ação e vai-se fazer uma atividade marcante”, frisa.

Rafael Pinheiro é o criador do movimento Desassossego Ambiental (c) Luís Ribeiro / Semanário V

Garrafas de água de plástico

Rafael aponta para a reutilização dos materiais de forma a diminuir a pegada ecológica no concelho, e sublinha que já não chega reciclar para salvar o planeta. “Temos de reduzir e recusar o plástico”, aponta. “Ao utilizarmos uma garrafa sem ser de plástico, pode ser de material reutilizável, de inox, ou de plástico reutilizável, criamos menos impacto no ambiente”, explica.

Rafael dá o exemplo da água pura de Vila Verde e salienta que deveriam existir mais fontes de água no centro da vila e um pouco por todo o concelho. “Se não temos qualidade de água na nossa região, quem terá no nosso país? Temos de aproximar as nascentes à população”, reforça.

Desassossego Ambiental

O autor da página explica que o nome surge porque é o próprio planeta Terra “que está desassossegado”. “Se não nos educarmos de forma sustentável, vai implicar o nosso bem estar no planeta, que é a nossa principal casa e temos de o proteger”. vinca.

Rafael refere que a mudança parte das famílias e que o reciclar já não é suficiente. “Temos mesmo de mudar a nossa forma de estar no planeta”, salienta. “Vamos às compras, vemos que tudo está embalado em plástico, para nossa comodidade. Nós não exigimos nada do mercado mas temos de começar a exigir, a ensinar o mercado, que ele irá adaptar-se ao consumidor. E somos nós que temos de controlar o mercado nesse sentido”, explica.

Questões ambientais preocupantes em Vila Verde

Sobre o concelho de Vila Verde, Rafael mostra-se preocupado com a taxa de cobertura de saneamento. “Em 2019 e ainda falarmos em saneamento básico é preocupante”, atira. “Prado avançou recentemente com a obra, depois de alguns problemas que existiram, mas o ambiente não percebe os problemas”, aponta.

Rafael Pinheiro é o criador do movimento Desassossego Ambiental (c) Luís Ribeiro / Semanário V

Mas Rafael crê que também “se tem feito coisas boas”, como a ciclovia urbana e a possibilidade da construção de uma ecovia para reaproveitar as margens do rio.

“A ciclovia tem de ser aproveitada, pois acaba por reduzir a pegada ecológica através do CO2 emitidos pelos carros. Mas as pessoas têm de ser incentivadas, devem utilizar e ajudar o concelho. Devia haver uma maior preocupação por parte da população em proteger mais o ambiente. Politicamente também deveriam surgir mais medidas para proteger o meio ambiente”, vinca.

Futuras ações do movimento

Embora ainda não conheça os resultados da primeira ação, programada para 29 de junho, Rafael já tem nova ação programada para o mês de julho, em parceria com a ADAAVV e a BRAVAL. “A ação conjunta será uma recolha de pilhas e bateria para contribuir com alimentos para os cães do albergue municipal”, explica. “Já falámos com a BRAVAL e eles estão disponíveis para receber as pilhas e vão pagar um valor pelo peso recolhido, que depois será revertido em ração para os animais”, finaliza.

A campanha de limpeza das margens do rio Cávado e do rio Homem decorre no próximo sábado, 29 de junho, entre as 9h e as 13h.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista

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