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PSD descarta Rui Silva para as legislativas. Susana Silva favorita por Vila Verde

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Susana Silva é a favorita da comissão política concelhia de Vila Verde para ser indicada às listas de deputados do Partido Social Democrata, apurou o Semanário V junto de fonte do partido. A atual líder parlamentar da bancada social-democrata da Assembleia Municipal de Vila Verde e, até ao passado mês de maio, responsável pelo terceiro programa do Contrato Local de Desenvolvimento Social de Vila Verde, reuniu consensos na comissão política local, liderada por António Vilela, e será o nome indicado à comissão política distrital, liderada por José Manuel Fernandes, também ele de Vila Verde.

A deputada municipal poderá estar de malas aviadas para Lisboa a partir de 6 de outubro de 2019, uma vez que, ao que tudo indica, será uma das escolhidas em lugar elegível para representar o distrito de Braga na Assembleia da República. Ao que apurámos junto de fonte do partido, Susana Silva deverá encabeçar o sexto ou o nono lugar da lista, que garante elegibilidade. Caso surja algum contratempo e a deputada municipal acabe por não ser candidata, o segundo nome avançado pela concelhia é o de Filipe Lopes, também ele deputado municipal, mas este já não terá as mesmas chances de ser eleito, por não ser mulher.

Ao que tudo indica, o facto de Vila Verde escolher uma representante do sexo feminino garante elegibilidade, tendo em conta a lei da paridade que indica que deverá existir uma representante feminina a cada três homens nas listas a deputados da Assembleia da República. No caso da distrital de Braga, as principais concelhias [Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos] devem indicar um homem como deputado, tendo o V já confirmado que essa situação ocorre, pelo menos, com Famalicão, Braga e Barcelos.

De acordo com os estatutos do partido, o peso na escolha da ordem dos nomes indicados pelas concelhias avalia-se consoante a “grandeza” em número de habitantes de cada concelho. Vila Verde figura nos concelhos mais populosos do distrito, e será, ao que tudo indica, um dos concelhos mais representativos a indicar uma mulher, o que faria com que a deputada surgisse nos primeiros lugares da lista. Fonte da distrital de Braga do PSD indicou ao Semanário V que a possibilidade de Susana Silva surgir nos nove primeiros lugares é “bastante alta”. Já Filipe Lopes não terá tanta sorte caso seja o nome indicado. O arquiteto, por ser homem, poderá ficar em lugar não elegível, caso seja o nome apresentado.

No seio do PSD não existem primárias, como é recomendado, por exemplo, no Partido Socialista. Os nomes de candidatos a deputados são indicados pela comissão política de cada concelho aos líderes da distrital, que, por sua vez, ordenam os nomes na lista. Basicamente, José Manuel Fernandes, líder da distrital PSD, será quem vai escolher os lugares que cada indicado ocupa nas listas, não podendo, no entanto, reprovar algum nome. Essa função passa pela comissão política nacional, que pode recusar as indicações das concelhias.

Rui Silva de saída do Parlamento

Rui Silva, atual deputado da Assembleia da República, foi o indicado pela comissão concelhia na última legislatura, e, pese embora tenha sido um dos grandes apoiantes de Rui Rio, ao contrário da ala “vilelista” que não se pronunciou, Rui Silva estará mesmo de fora das listas para a nova legislatura. Ao que o Semanário V apurou, durante a reunião da comissão política concelhia, o nome de Rui Silva foi equacionado mas logo descartado, tendo em conta o envolvimento no processo de alienação dos direitos da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) a privados. Fonte do PSD disse ao Semanário V que, “dadas as circunstâncias, o nome não figura nos indicados a deputado”.

Este acaba por ser um revés nas aspirações política do professor natural de Merelim São Pedro, mas que tem feito carreira política em Vila Verde. Rui Silva tem sido interveniente ativo em várias comissões a nível nacional, como é o caso da Comissão de Inquérito ao Caso Tancos. Tem também representado o partido em diligências no estrangeiro no âmbito de comissões relacionadas com Economia. O atual deputado foi, desde uma primeira instância, apoiante incondicional do atual líder nacional dos sociais-democratas, Rui Rio, mas isso não foi suficiente para que aspirasse manter o lugar ocupado desde 2016. É conhecida a política de Rui Rio de não integrar militantes a braços com problemas judiciais no âmbito de corrupção, e a concelhia do PSD de Vila Verde, antevendo essa circunstância, não indicou o nome do professor.

Recorde-se que Rui Silva é um dos três acusados pelo Ministério Público, a par do autarca António Vilela [que preside à concelhia do PSD de Vila Verde] e João Luís Nogueira, atual administrador da EPATV, no processo que envolve a venda daquela escola profissional a privados por parte das câmaras de Vila Verde, Amares e Terras de Bouro. Segundo o MP, Rui Silva está acusado de um crime de corrupção passiva e um crime de prevaricação, este último em co-autoria com António Vilela.

Eleições decorrem a 6 de outubro com “varridela” no seio do PSD

As listas eleitorais do PSD estão a sofrer grandes alterações em relação à última legislatura, havendo mesmo quem fale em “limpeza”. José Manuel Soares, vice-presidente da mesa da Assembleia Distrital do Porto, referiu à agência noticiosa “Lusa” que alguns deputados “antes de serem varridos, auto-excluem-se”.

Nomes fortes no seio do partido como Teresa Morais, António Leitão Amaro, Paula Teixeira da Cruz, Matos Correia ou Mercês Borges, atuais deputados, não devem integrar as novas listas dos sociais-democratas.

De acordo com o semanário SOL, está uma “limpeza em curso”, apontando que “críticos de Rui Rio estão a ser indicados em várias concelhias”.

O ex-líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, crítico assumido de Rui Rio, será um desses casos, sendo um dos nomes indicados para a lista concelhia de Braga, com o apoio do presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio.

Mas estas indicações poderão não passar de “fogo-de-vista”, com o “descontentamento” a crescer em algumas concelhias que “sentem que a questão é aritmética e que, portanto, não vale a pena escolher os melhores”, aponta José Manuel Soares, em declarações à Lusa.

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