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Diretor de Bingo da Amadora diz que despacho da procuradora “enxovalha a classe policial”

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O diretor da concessão da sala de jogo do Bingo da Amadora veio hoje a público pronunciar-se sobre o despacho de arquivamento por parte de uma procuradora em relação às agressões e insultos de um cidadão russo a agentes da PSP, já noticiada pelo Semanário V.

O responsável, de forma a que a imagem da sala não saia prejudicada, enviou um documento à nossa redação a explicar os contornos das agressões e insultos, indicando que os dois homens que estavam acusados de injúrias e agressão a um agente da PSP, tinham convidado outro frequentador para “conversar como homens”, fora da sala de bingo.

Explica que “ambos proferiram ameaças e algumas palavras de caráter impróprio a esse mesmo frequentador que, por várias vezes, havia solicitado que se mantivessem em silêncio”, acrescentando que os responsáveis que estavam presentes no turno de trabalho, por parte do Bingo, “fizeram várias abordagens no sentido de os acalmar, o que se mostrou infrutífero”.

Revela que entre a troca de palavras, “um dos frequentadores levantou-se com o objetivo de agredir outro, o que causou enorme transtorno ao normal funcionamento das partidas, tendo a sessão parado para resolver a situação”. Terá sido nessa altura que chegaram os agentes da PSP, de forma a resolver o desacato.

“Com presença policial, a chefe de sala acorreu ao conflito e tentou demover o frequentador de nacionalidade russa de agredir outro frequentador, tendo este desferido um pontapé na perna da chefe de sala e nos agentes”, revela o responsável de sala do Bingo da Amadora.

Os homens acabaram por ser retirados da sala na presença da polícia, tendo os agentes indicado que estes se poderiam ir embora. “Mas não foram embora e mostraram um comportamento mais agressivo que o manifestado no interior”, explica o diretor.

“Já algemados, foram informados da expulsão da sala nos termos do n.º 2, do art. 16.º, do DL n.º 65/2015, de 29 de abril, sob pena de proibição de entrar na sala até despacho da Inspeção Geral de Jogos”, acrescenta.

O responsável cita a autoridade, indicando que os dois indivíduos foram identificados, foi feito o auto de notícia, mas havia sido ordenada a libertação destes pela procuradora por, alegadamente, “um deles ser russo e não se afigurar grave a libertação destes”.

“Foi por mim solicitada, à Inspeção Geral de Jogos, a abertura de um processo de contraordenação para interdição à sala que acabou por ser igualmente arquivado em virtude de o comportamento dos dois frequentadores ter sido considerada crime. Como o crime se sobrepõe à contraordenação, não pude concretizar a medida inibitória para a interdição destes à sala”, explica o diretor, salvaguardando o nome do Bingo da Amadora.

O diretor explica que “até ao dia de hoje, nunca foram solicitadas gravações do circuito de videovigilância da sala e nenhum frequentador foi arrolado como testemunha no sentido de esclarecer o sucedido”. “A chefe de sala e o seu adjunto foram presentes a um interrogatório bastante ligeiro, sem qualquer expressão”, acrescenta.

O responsável denuncia ainda que as salas de jogo de bingo não têm inspetores de jogos em permanência nem apoio do Turismo de Portugal para “dotar as suas salas com equipamentos indispensáveis à segurança dos seus frequentadores, pois trata-se de uma atividade noturna que açambarca uma miríade de pessoas, quer com armas, quer com histórico cadastrado de comportamentos violentos, enfim, um sem-número de personalidades suscetíveis de criar pânico dentro de uma sala de jogo”.

“Na ausência de medidas concretas, tenho reforçado a segurança das salas com a contratação de gratificados de forma a minimizar potenciais conflitos”, diz o diretor de sala, acrescentando que “o Bingo da Amadora e Bingo da Amora, as salas que dirijo, foram as que mais tem combatido este flagelo que se dá pela despreocupação total do Turismo de Portugal pelas salas”.

“Recorde-se o caso que veio a público há meses em que um grupo espanhol que concessiona a maioria das salas do país e que não paga os impostos ao estado, e muitos não pagam os vencimentos aos funcionários. Parece-me sensato aferir que na falta de preocupação por parte do Turismo de Portugal em cobrar os impostos às salas geridas pelo grupo espanhol, não haverá, por seu turno, qualquer preocupação no que respeita à segurança das salas”, refere ainda o diretor.

O responsável teme que “o setor a agravar a sua segurança, em prejuízo de um despacho que enxovalha a classe policial, por estes não poderem defenderem-se nem, tampouco, defender os demais cidadãos”.

“O que tem vindo a ser noticiado, conjugado com o despacho do arquivamento, embocará irremediavelmente num medo generalizado das pessoas em frequentarem esta sala. Tendo estado presente na ocorrência em apreço, devo dizer que os agentes da polícia nunca agiram de má-fé e que cumpriram com o seu dever de cuidado”, finaliza.

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