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Banda L-Blues. “Viver da música em Portugal é subir degraus infinitos mas nunca desistir”

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Com origem em Barcelos, a banda L-Blues nasceu dentro da escola de música de Bruno Lopes, professor de guitarra que juntou quatro alunos e iniciou o projeto em 2016.

Bruno Lopes, vocalista e guitarrista, Diogo Silva, baixista, Ana Neto, vocalista, Jorge Braga, baterista, Céu Neiva, pianista e guitarrista, são os membros que integram a banda que vai tocar no Cávado Summer Fest, na Vila de Prado.

Em 2010, Bruno criou a escola de música onde nasceu o projeto L-Blues seis anos depois. Desde 2016 a pisar palcos e com várias aparições na televisão, os L-Blues pretendem chegar a todas as idades com o seu estilo musical.

Em 2017 gravaram o volume I, “que teve alguma aceitação” e, a partir daí, começaram a desenvolver o trabalho de banda”. Em 2018 lançaram o volume II e, desde fevereiro, contam com cerca de 30 concertos e 3 aparições na televisão nacional. Com o tema “Outono” a integrar a playlist de algumas rádios nacionais, os L-Blues consideram que este percurso “está a correr bem para uma banda independente”.

Sem um manager, a banda gere o próprio projeto, desde a produção à gestão de concertos. “Não temos uma campanha publicitária e a melhor coisa que pode acontecer é ver o público a ouvir as nossas músicas, a comprar o disco e a querer assinaturas no disco, só pelo facto de estarmos a tocar”. A banda vai do rock aos blues, admitindo que os concertos “são um pouco pesados, mas o público gosta”.

Sendo uma banda independente, gerir a carreira de músicos não é fácil e, em Portugal, viver da música é uma caminhada longa. Bruno Lopes descreve esta caminhada como subir degraus infinitos, mas nunca desistir”. O guitarrista explica que “não é fácil, porque parece que, quando consegues subir um degrau tens mais dez à tua frente e se pensares em quantos degraus tens de subir, vês que é quase uma montanha e quase que desistes”.

Ainda assim, e com todos os obstáculos que surgem na indústria musical, “o importante é desfrutar da viagem”. “A indústria musical existe, mas ao mesmo tempo não existe. Vivemos num país muito fechado, cada um quer ocupar o seu espaço na indústria e não há hipótese para toda a gente”.

“Somos escravos da música”, disse Ana Neto, com a certeza de que o termo é implementado nesta frase com um bom sentido. “Nenhum de nós conseguia viver sem a música, faz parte do nosso dia-a-dia”, justificou. “O que era do mundo sem música?”, questionou, também, Bruno Lopes.

O nome L-Blues tem, também, uma história por trás. Além de “Blues” ir ao encontro do estilo musical da banda, Bruno Lopes conta que foi buscar o conceito aos anos 30, “quando os blues nasceram”. “Os negros que queriam sair da plantação a única hipótese que tinham era a música ou continuavam a ser escravos. Estamos a falar de um povo que não tinha educação. Esta ideia veio do Robert Johnson, que era um músico de blues, que a única forma de sair e ter uma vida diferente era andar de cidade em cidade a tocar e era um dos melhores guitarristas de sempre”.

Para o festival em Vila de Prado, os L-Blues asseguram que o público pode esperar “um Rock-Blues mais moderno, que consegue chegar a muita gente, pelo facto de termos músicas mais calmas, mais puxadas, um misto do início ao fim da música”, disse Ana Neto. Cantar em português ajuda, também, a enriquecer a ligação com o público, segundo Bruno Lopes.

O Cávado Summer Fest é “o primeiro festival de verão” que a banda vai integrar. “Temos tocado em sítios fechados, teatros, bares, tocamos num festival de blues em Barcelos, o ano passado, e este é o nosso primeiro festival de verão” e a expectativa comum entre a banda é “animo, muita festa e muita cerveja”.

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