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“Portugal é de longe o país mediterrânico que mais sofreu com incêndios florestais”

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Relatório da WWF revela que em Portugal ardem, em média todos os anos, quase 140 mil hectares, em mais de 2200 incêndios, significando o dobro do número de fogos dos outros países do Mediterrâneo, assim como a maior área ardida.

Portugal é o país que mais arde na zona do Mediterrâneo, tendo na última década quase o dobro dos incêndios e a maior área ardida entre seis países desta região, revela um relatório da WWF esta quarta-feira apresentado.

O relatório “O Mediterrâneo arde”, lançado em Portugal pela ANP/WWF (Associação Natureza Portugal/Fundo Mundial para a Natureza), analisa a situação dos incêndios florestais em Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Turquia.

“Portugal é de longe o país mediterrânico que mais sofreu com incêndios florestais: nos últimos 30 anos, enfrentou o maior número de ocorrências de incêndio e teve mais hectares queimados. (…) As florestas portuguesas ardem anualmente uma média de 3%”, precisa o documento.

O relatório da WWF indica que em Portugal ardem, em média todos os anos, quase 140.000 hectares, em mais de 22.000 incêndios, significando o dobro do número de fogos dos outros países do Mediterrâneo, bem como a maior área ardida.

Depois de Portugal, os países com mais incêndios são a Espanha (12.174) e a Grécia (9222), com uma área ardida de 94.400 e 50.202 hectares, respetivamente, de acordo com os números da WWF.

Os países menos afetados pelas chamas e com menos área ardida são a França e a Turquia.

“Em 2017 e em Portugal, 540.000 hectares foram destruídos pelas chamas, 250% a mais do que área média ardida por ano. Em Espanha cerca de 180.000 hectares arderam, 70% a mais do que o habitual anualmente. Além disso, 119 pessoas perderam a vida em Portugal e quatro em Espanha”, refere o documento.

A WWF refere que, em junho de 2017, e pela primeira vez na Europa, “Portugal sofreu um novo tipo de incêndio, desconhecido até hoje pela comunidade científica”, mas que esteve claramente ligado às mudanças globais e que se tornou “incontrolável e letal”.

Este tipo de fogo repetiu-se novamente, no mesmo ano, em Portugal e em Espanha, e no ano seguinte na Grécia.

Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia totalizam mais de 80% da área total queimada no continente europeu anualmente.

Em média, 375.000 hectares de floresta são queimados anualmente na região do Mediterrâneo, num total de 56 mil incêndios florestais, “com danos ambientais e económicos significativos e com sérios riscos para a vida humana”, salienta aquela organização ambientalista.

O relatório aponta que, apesar da tendência geral de queda no número de incêndios e na área queimada desde os anos 80 do século passado, há “uma tendência perigosa a ganhar peso”, que são os grandes incêndios florestais, que em Portugal são considerados aqueles que queimam áreas superiores a 100 hectares.

Segundo a WWF, na última década, este tipo de incêndios foi responsável por 68% do total de área ardida, apesar de apenas representarem 0,66% do número total de incidentes.

“Além disso, uma nova geração de incêndios apareceu na Europa Mediterrânea: superincêndios, que são muito rápidos, letais e impossíveis de extinguir apesar dos avançados dos dispositivos de combate”, frisa o mesmo documento.

Atualmente, refere o relatório, os incêndios representam perdas de cerca de três mil milhões de euros por ano em todo a Europa, estimando a WWF para 2070-2100 um cenário “de crescentes emissões de gases de efeito estufa” e que o impacto económico dos incêndios em Portugal, Grécia, Espanha, França e Itália possa chegar aos cinco mil milhões de euros por ano.

A WWF refere que realizou, pela primeira vez, um relatório sobre os incêndios na região do Mediterrâneo, tendo em conta a “partilha de problemas comuns e o agravamento previsto da situação devido às alterações climáticas”.

No relatório, a organização alerta para o facto de estes seis países do Mediterrâneo enfrentarem a mesma emergência e pede aos governos para que unam esforços na criação de uma estratégia comum para a prevenção de incêndios com medidas a longo prazo e um sistema de acompanhamento e monitorização da implementação de políticas e fundos comunitários.

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