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Vila Verde avança com movimento “Anti Lítio”

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

A prospeção de lítio na região de Braga vai avançar, através dos avanços da empresa australiana Fortscue Metal Groups. Os estudos na região denominada como “Cruto”, que abrange os concelhos de Braga, Vila Verde e Barcelos, vão iniciar em breve.

Depois de um grupo de bracarenses ter dado início a um movimento de contestação, com a criação do “Movimento Anti-lítio”, também Vila Verde se juntou ao protesto e nasceu, então, o movimento “Vila Verde contra a exploração de lítio”.

Criado por Johanna Cunha, de Vila Verde, este movimento pretende alertar para as preocupações de alguns dos riscos da extração de lítio no concelho. O grupo foi fundado no dia 2 de julho e conta já com cerca de 200 membros e centenas de publicações.

Segundo a fundadora do movimento, “a preocupação da população é genuina e o sentimento de urgência perante uma ameaça desta envergadura tem a capacidade de transformar qualquer cidadão em ativista”.

O grupo nasceu na sequência de uma conversa com os criadores do grupo “Movimento Anti-lítio” de Braga, baseando-se, também, no exemplo do grupo “SOS Serra D’Arga”, em Ponte de Lima.

Johanna Cunha considera que “a adesão repentina das pessoas para estes grupos, e para o grupo de Vila Verde em particular, deve-se ao facto de as pessoas terem acesso à informação de forma muito mais rápida do que antes e de maneira fidedigna, pois com alguma pesquisa podemos avaliar a veracidade dos argumentos que avançamos”.

Apesar de Matos Fernandes, ministro do Ambiente, ter esclarecido que se existir lítio, tem de ser feito “um estudo de impacto ambiental sobre o projeto”, avançando que apenas assim o projeto pode ter “luz verde”, Johanna Cunha considera que “a exploração de lítio ou de outros metais ou minerais à grande escala representa um atendado ecológico e humano”.

A ativista sublinha que esta exploração trará consequências como a “contaminação das águas e dos lenços freáticos com substâncias nocivas, as emissões de poeiras que contaminam a atmosfera, a destruição da flora e da fauna, a destruição do património histórico e arqueológico, como é o caso no Monte do Castelo, bem como outros problemas, como a poluição sonora, perda de valor imobiliário e perda de interesse turístico”.

Este movimento pretende, então, ser informativo, de forma a chegar ao maior número de pessoas. “Há pessoas que não têm noção do que irá representar uma exploração a céu aberto”.

De acordo com especialistas na extração de minérios, apenas 1% a 2% da área de prospeção será intervencionada. O ministro do Ambiente adianta ainda que as empresas têm de assegurar que o lítio será tratado no país, de forma a gerar emprego e potenciar a economia.

A Câmara Municipal de Vila Verde anunciou que é contra a exploração de lítio no concelho

O Município de Vila Verde votou, por unanimidade, em reunião de Câmara, contra “a prospeção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, lítio, tungsténio, estanho e outros minerais metálicos ferrosos”.

Foi aprovado um parecer conta a exploração de lítio e outros minerais ferrosos no concelho.

“Consideramos que não estão reunidas as condições para ponderar e acautelar seriamente os direitos de pesquisa e prospeção solicitados pela empresa Fortescue Metais Group Exploration Pty Ltd, relativos à área abrangida pelo polígono de “Cruto” que abrange parcialmente algumas zonas dos concelhos de Braga, Barcelos e de Vila Verde”, lê-se na nota de esclarecimento público avançada pelo Município.

A Câmara de Vila Verde adianta, ainda, que foi solicitada à Direção Geral de Energia e Geologia, atempadamente, “a disponibilização de informação mais pormenorizada que habilite a Câmara Municipal e os Cidadãos a uma tomada de decisão mais criteriosa e fundamentada”.

 

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