Andreia Santos Opinião

Opinião. Não guardes para ti…

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Estou sentada na minha varanda, são 23h, a terminar o dia de trabalho e a pensar nele… O que hoje te quero pedir é demasiado simples, embora nem todos o entendamos assim por vezes. Vou confessar-me a ti: estou numa fase da vida em que pouca coisa fora daquilo em que acredito me interessa, sinto-me crescida, mas com uma criança bem guardada cá dentro. Uma criança que acredita nas coisas boas e que por certo as faz acontecer… Hoje quero dizer-te também que dar de nós cansa muito, dói… mas no final o saldo é bom pelo que significou toda a travessia da ajuda e que isto é por mim.

Existem estudos que comprovam que dar tem efeitos emocionais mais fortes e positivos que receber. Recentemente, o Adam Grant colocou uma questão nas suas redes sociais: qual foi o pior conselho profissional que alguma vez recebeste? Já pensaste? Será talvez próximo de algum destes: 1) Não percas tempo a ajudar os outros; 2) Larga 90% dos teus projectos porque só conseguirás dar conta de um 3) Não escrevas um livro. It rings a bell? Pois eu já os ouvi a todos e tenho oportunidade de perceber que para além de outras pessoas também os escutarem sistematicamente, estão errados. Posso até confessar novamente: a maioria das pessoas com quem convivo porque quero, aquelas que trago para perto de mim, seguem a primeira premissa e a segunda: ajudam os outros e têm muitos projectos. E admiro-as. Partimos do princípio do equilíbrio da ajuda, mas esta não tem que ser uma transação. Estás admirado/a? Pois, deixa-me então formular o pedido: não dês para receber, por favor não o faças! Isso não é mesmo dar. OU então, quando pedires ajuda não fiques na expectativa de pagar de volta o auxilio que recebeste.

Os relacionamentos verdadeiros não envolvem trocas sincronizadas de boas acções. Não te estou a dizer que não podes esperar nada dos teus relacionamentos e que deves dar sem receber. Isto também é um equivoco que te pregam: não cries expectativas… nada pior que esta recomendação. É evidente que todos temos que sentir reciprocidade nas relações próximas, (não necessariamente nas profissionais ou nas outras), ela é uma norma, não pode ser é uma lei que não nos deixa agir com humanidade (e/ou diria profissionalismo). As boas relações implicam crescer em torno da generosidade que existe sem obrigação. Tenho tanto a agradecer e tanto, tanto que nunca paguei.

Em concreto, da próxima vez que te pedirem alguma coisa compreende apenas se a podes ou não fazer e… se puderes faz sem esperar. Não percebi porque é que temos que esconder recursos uns dos outros ou que as nossas vidas se orientem baseadas no que temos e os outros não. Podemos partilhar? Está a chegar Agosto e irei de férias. Estou cansada agora. Quando voltar continuarei… mesmo que me digas ou andes para aí a dizer: “és demasiado boa pessoa…” Isso existe? Não e também não, todos temos limitações e se não guardarmos para nós o melhor se calhar podemos todos crescer. Até já!

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional