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Tiro Prático. “Armas não são só para homens, as mulheres conseguem disparar tão bem”

Elsa Joaquim Foto: Mariana Gomes / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

As mulheres já vão conquistando o seu lugar na modalidade de Tiro, mas ainda existe pouca divulgação do desporto e o preconceito de que se trata de uma modalidade de homens ainda é significativo. Elsa Joaquim participou no passado fim de semana na prova de tiro Bracara Augusta, da categoria Level III Match, que se realizou em Cabanelas, sendo uma das duas mulheres portuguesas que competiram.

Elsa já pratica tiro há oito anos e, esta modalidade – Tiro IPSC -, pratica há três anos. “O meu marido praticava tiro e eu achava muito interessante. Já que eu ficava a ver as provas, ele convidou-me a participar e agora é uma coisa que faço com imenso prazer”, contou em entrevista ao Semanário V.

O ano passado, nesta mesma prova no Complexo de Tiro de Cabanelas, Elsa venceu o primeiro lugar nas duas provas em que teve a melhor participação feminina, tendo ganho o campeonato. Ainda este ano irá à Sérvia representar a seleção portuguesa e já participou em várias provas no estrangeiro. “Fiz alguns campeonatos em Espanha e tenho corrido o país de Norte a Sul sempre à procura de provas diferentes”, referiu.

Em Portugal existem apenas cerca de uma dúzia de mulheres que praticam IPSC, que se trata de uma modalidade realizada em espaços abertos e que se traduz a execução de pistas (stages), sob rigorosas medidas de segurança. A competição consiste completar um determinado desafio de forma rápida e precisa, composto por alvos de papel ou de metal, colocados estrategicamente. A competição é acompanhada por um árbitro que controla e fiscaliza o atirador.

Elsa Joaquim Foto: Mariana Gomes / Semanário V

Em Cabanelas participaram apenas 2 mulheres portuguesas, Elsa Joaquim e Ana Bessa, sendo que a maioria vieram de Espanha.

“Infelizmente não existem muitas mulheres a praticar esta modalidade, devemos ter umas 10 ou 12 mulheres a competir. É pena que não participem em mais provas”, admite Elsa Joaquim, que acredita que o facto do Tiro ser um desporto muito caro, faz com que as poucas mulheres que o praticam, “pratiquem com pouca regularidade”.

Elsa revela que o objetivo é captar cada vez mais mulheres, divulgando e promovendo o desporto. “O problema é que falta muita divulgação e mostrar que as armas não é uma coisa só de homens e que as mulheres conseguem disparar tão bem quanto os homens”.

Com o objetivo de acabar com o preconceito de que se trata de um desporto perigoso, Elsa assegura que “os atiradores têm muita preocupação pelas regras da segurança, em manter a sua segurança e a segurança dos outros atletas”, afirmando que se trata de um desporto “extremamente seguro”.

Elsa é natural de Lisboa e admite que, na zona Centro, não existem carreiras de treino neste momento. “Estamos à espera que se encontrem soluções para se treinar na zona Centro. No Algarve há ótimas carreiras e aqui em cima há ótimas carreiras”.

A modalidade de Tiro Prático, conhecido também como IPSC, sigla da confederação que a tutela –International Practical Shooting Confederation, é uma competição dinâmica, na qual os atiradores procuram resolver as dificuldades impostas nos diversos cenários, da forma mais rápida e precisa, sem, contudo, comprometer a segurança.

Elsa Joaquim Foto: Mariana Gomes / Semanário V

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Jornalista