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Laurus Nobilis. Já terminou mais uma edição do Festival de Música de Famalicão

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Com a superação para o triplo no que respeita ao número de visitantes do encontro, a expetativa de subir a qualidade o ano anterior foi totalmente alcançada. Ao longo de 4 dias foram muitas as emoções dos que corresponderam ao convite do Laurus Nobilis e não faltaram para fazer parte deste momento único dedicado ao Metal.

Comecei por me deslocar ao Louro na 4ª feira, dia 25, não perdi a oportunidade de acompanhar o Roteiro Turístico que antecipou os dias de concertos. Depois de paragem obrigatória na pastelaria em que por lá tomo café caminhei até ao recinto e compreendi a azáfama de quem trabalhou muito para tornar tudo verdade, de acordo com Álvaro Oliveira, desde o início de Junho. A limpeza do terreno, a retirada de uma lona do ribeiro, a montagem das estruturas deram que fazer aos voluntários que todas as vezes se reúnem, aproveitando os tempos pós laborais para criar a festa. Conversei com muita gente que transpirava, cumprimentei o Capitão Aguiar, vi os palcos antes das horas, vi os primeiros campistas, vi o novo logotipo a ser colocado e assisti à montagem da praça da alimentação, vi muitos barris de cerveja… No autocarro da C. M. de Falmalicão com hora de sáida às 11:30h fui gratuitamente, com os que apareceram, passear pela cultura e história do lugar. Um encanto com direito a tradição, vinho e presunto, acessível a todos os festivaleiros que tivessem realizado a inscrição. No fim só podia desejar que o LNMF fosse o sucesso que era merecido a esta gente da organização que tanto me diz.

As novidades fizeram-se sentir cedo neste Laurus preocupado e convicto: saltou à vista de todos um dos slogans mais espalhados pela paisagem bonita do Louro, “só faltas tu para salvar o planeta”. Este festival de missão, quer tornar realidade a Casa do Artista, acrescentou ao seu destino mais uma marca, ajudar a Terra em que habitamos. Os copos eram recicláveis, houve menos beatas no chão e a higienização do espaço era permanente: vi muitas vezes miúdos e miúdas empenhados com esfregonas e baldes a limpar aqueles que são de certeza os melhores WC de festival que alguma vez existiram. Os chuveiros desta vez contaram com tecnologia militar e a água podia ser quente. Houve piscinas para refrescar os residentes e uma nova zona, a “Victoria Stage”, dinamizada por associações locais. Só não fiz uma massagem porque estava em cima da hora para os concertos, mas poderia tê-la feito, como a uma tatuagem se quisesse ou mesmo ter provado sugestões gastronómicas. Comi o pão com chouriço que existiu a noite toda quentinho e para quem fosse à Tasca comer ou beber. Área fora da zona alimentar normal, de onde este ano trouxe o cheirinho a chocolate e crepes.

Apesar da chuva que nos visitou, os dias foram longos pela participação e entusiasmo de ver os que aguardavamos. Os três palcos foram ocupados de 26 a 28 pelas bandas nacionais e internacionais que o

cartaz anunciou, mas com excepções. Fora da responsabilidade do LNMF esteve a ausência muito sofrida dos Hypocrisy e comunicada pelo Capitão Aguiar com pesar. Estes eram os vultos mais esperados por todos os que se deslocaram, vindos de toda a parte do nosso país e vizinhos, ao Festival. Uma conquista plena e merecida do Laurus que destrona outros eventos com este anúncio e que desiludiu a audiência. Custou-me os rostos tristes e a devolução do dinheiro aos festivaleiros que o quisessem de volta, mas orgulhei-me uma vez mais daqueles que fizeram tudo para minimizar o impacto da perda do avião de Peter Tagtgren. Não foi isto que conseguiu retirar ao LNMF o mérito de três dias soberbos e de muito peso.

O dia 26 foi inaugurado pelos nacionais Miss Lava no Palco Porminho, que apresentaram Sonic Debris e revisitaram temas mais antigos como Ride. Os nossos Peste e Sida foram os seguintes e levaram a plateia a entoar os conhecidos: “Sol da Caparica” ou “Bule Bule”. Um dos momentos altos da noite aconteceu quando Lars Von Petrov subiu ao palco e com os Entombed A.D. agora mostrou com energia muito própria o que é o seu novo Death Metal. A banda sueca conseguiu do público muitos aplausos e circle pits. Finalmente, os esperados Fleshgod Apocalypse de Itália chegaram e houve rendição. Veronica Bordarcchini destaca-se com a sua voz e dá a diferença a estes músicos que arrasaram trazendo Veleno sobretudo, o seu último trabalho.

O dia 27 foi a vez de Samael, aguardados há muito em Portugal. A banda que sofreu alterações radicais desde os primórdios mas mantém fieis alguns dos que encheram a arena no Laurus. Apesar das teclas em substituição da bateria, crítica mais frequentemente ouvida, foi a uma voz que temas como “My saviour” no encore ou “Angel of Wrath” durante o alinhamento se cantaram. Antes destes que prometeram regressar, ouviu-se Crematory. Os alemães e o seu Metal Gótico aqueceram o público e emotivamente charam até si o seu maior fã nacional provando a sua humildade e proximidade. Não desiludiram os Lisboetas Sinistro, teatrais. Internacionalmente aclamados, também no Laurus foram muito bem recebidos. Nem os portuenses Sollar, mais recentes, mas com uma formação em que a experiência existe.

 

O último dia, já depois do anúncio dificil da noite, trouxe ao palco os Analepsy que se portaram muito, muito bem e convidaram Sérgio Afonso dos Bleedind Display para dar a sua voz poderosa ao alinhamento. Temas como “Engorged Absorption” ou “Lethal Injection”ajudaram os presentes a esquecer o momento anterior e a viver em grande euforia a noite. Todos pediram para a banda voltar, mas a música caiu rápido depois da despedida e eles não voltaram. Podiam tê-lo feito. Para alguns foi o melhor concerto. Para outros foi o dos seguintes, extraordinários, embora diferentes Soilwork. A simpatia desta banda foi incrível. Este concerto durou mais que o anterior e em cerca de 1:20h a banda e os que sabiam tudo na

ponta da língua encantaram-me. A melodia característica destes suecos foi suprema neste festival e fez-me afastar algumas vezes com a câmara fotográfica de perto das grades, tal era a agitação.

Pelo palco secundário passaram nomes conhecidos e também aguardados como Gwydion, que para alguns mereceram destaque, os Besta ou os Wrath Sins. Voltei a estar segura e a avaliar pelo número de bombeiros e seguranças presentes seria difícil não estar. Não houve incidentes. Nos instantes em que fui ao fosso das bandas fotografar pude admirar o profissionalismo gigante dos homens com cartões do MAI ao pescoço. Pontuação muito elevada para estes. Continuei a conversar com muita gente. E estar no Louro em dias de Festival é isso mesmo, estar junto e com sentido de comunidade. Este ano provou isso também.

Terminei 28 com a amabilidade de dois dos elementos dos Sonneillon que me acompanharam ao comboio já depois de longas conversas e brindes pela noite dentro. Destes dias guardo a gentileza, a proeza das pessoas que se unem e a alegria dos que foram comigo até lá. À Associação Ecos Culturais do Louro a minha vénia e promessa renovada de não faltar em 2020!

Fotos: Andreia Santos / Semanário V

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Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional