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De Vila Verde ao Reino Unido. Com 45 anos é professora catedrática em Newcastle

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Natural de Vila Verde, Vera Soares é Professora Catedrática (Full Professor) na Universidade de Newcastle, no Reino Unido. Tirou a licenciatura em Psicologia, o mestrado e doutoramento na Universidade do Minho, em Braga, onde lecionou até 2006, ano em que se mudou para o Reino Unido.

Em 1996 terminou a licenciatura em Psicologia, tendo feito a sua especialização em Psicologia Clínica e da Saúde. Continuou o seu percurso de especialização no mestrado e doutoramento. Durante o mestrado estudou como ajudar pessoas com dor crónica a lidar com este sintoma. No doutoramento, já como docente, continuou o seu trabalho na área da promoção saúde, enquanto deu aulas, colaborou em projetos de investigação e supervisionou alunos que completavam os seus estágios.

“As pessoas dizem que lá fora o ensino é que é bom, mas não é bem assim. Acho que as escolas e as universidades aqui em Portugal fazem um trabalho fantástico em formar profissionais. Não me sinto em nada pior formada, muito pelo contrário, e acho que a belíssima formação que tive em Portugal ajudou muito a minha carreira lá fora”, disse Vera, relembrando que há excelentes portugueses a fazer a diferença “lá fora” e é, por isso, fundamental dar também uma oportunidade aos imigrantes que chegam a Portugal.

Após terminar o doutoramento, Vera conseguiu uma posicão como investigadora sénior na Universidade de RG em Aberdeen, no Reino Unido. “Uma das coisas que apreciei quando lá cheguei, e ainda hoje admiro, é o facto das pessoas serem muito menos hierárquicas no contexto laboral. Cheguei lá como investigadora e todos me trataram como uma pessoa que era parte da equipa com uma voz ativa”, afirmou Vera, questionando “porque é que vais estar a tratar uma pessoa de forma diferente? O respeito é preciso sempre, não é preciso hierarquia”.

Com apenas 45 anos, é professora catedrática em Newcastle, algo que Vera acredita que, em Portugal, “não seria tão cedo”. “Em Portugal, apenas consegues chegar a esse patamar [professor catedrático], se alguém se reformar ou se for para outra universidade”, enquanto que no Reino Unido essa oportunidade surge com o mérito e com o trabalho realizado.

Quando chegou ao Reino Unido, deu aulas de licenciatura e de mestrado, tendo, atualmente, optado por apenas lecionar aulas de mestrado, onde é professora da Psicologia da Saúde e Saúde Pública.

“O meu tempo está distribuído entre investigação e ensino. A Escola de Psicologia e o Instituto de Investigacão onde trabalho fazem parte da Faculdade de Medicina“.

Também o acesso ao ensino superior, no Reino Unido, funciona de forma ligeiramente diferente. Apesar de existirem os exames nacionais, “A levels”, onde é possível ter 5 níveis de notas, ao contrário do 0 a 20 que acontece em Portugal, as universidades no Reino Unido oferecem o lugar aos alunos um ano antes da entrada na universidade. Para concorrer, os alunos apresentam as “notas esperadas”. Os alunos são aceites por várias universidades e, caso não alcancem as notas requeridas pela universidade e esperadas por eles, têm de ajustar a sua escolha de universidade.

Além de docente em Newcastle, Vera é ainda a presidente da Sociedade Europeia da Psicologia da Saúde. Todos os anos esta sociedade organiza uma conferência para mais de 1.000 delegados que vêm de diversas partes do mundo para este evento, todos os anos a decorrer em diferentes países europeus. A Sociedade Europeia de Psicologia da Saúde lidera 5 jornais científicos, um blog, uma newsletter, grupos de interesse especial e tem ainda um assento nas Nações Unidas.

Quando ainda vivia em Vila Verde, Vera Soares fazia parte da Associação para a Defesa dos Animais e da Natureza como voluntária, e participava em palestras nas quais abordava assuntos chave nestas áreas, como a sustentabilidade e os direitos dos animais. Era também voluntária no ATL da Igreja de Vila Verde, com um foco na parte pedagógica. Agora, sem tempo para voluntariado, apoia monetariamente diversas instituições de caridade internacionais. “Quem tem tempo contribui com tempo, quem não tem contribui com o que pode”.

A sua mensagem final é a de que “com trabalho tudo se consegue” e de que “Portugal é um país com excelentes escolas e universidades capaz, tal como outros países, de formar os profissionais do futuro” que hão-de enfrentar os correntes desafios do nosso planeta: elevados níveis de CO2 e seu impacto detrimental nos escossistemas que sustentam a vida na terra, e uma nova revolução industrial com a emergência da inteligência artificial e o impacto que a IA terá a nível laboral. Mas acima de tudo: “Não deixem de seguir os vossos sonhos com os pés bem assentes no chão e firmemente enraizados em valores humanistas!”

 

Fotos: Luís Ribeiro / Semanário V

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Jornalista