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À Conversa com Juliana Talaia, Designer da URDI

Juliana Talaia, Designer da URDI
Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

“É preciso persistir, insistir, estar determinado e resistir ou desiste-se”

Acabei de sair da URDI, onde encontrei a Juliana, que conhecia apenas de me atender na loja de venda a público da EXTREMOS antes desta entrevista. Enquanto cliente, fiquei há uns meses, quando entrei pela primeira vez neste espaço na zona histórica de Braga, com vontade de destacar este projecto. Hoje começo por te convidar a entrar nesta “casinha”, a simpatia de quem te recebe e o bom gosto do artesanato exposto são cartões de visita que não conseguirás ignorar. A Juliana estava ao telefone, mas rapidamente me deu atenção. Depois de me apresentar, iniciamos esta conversa.

Andreia Santos: Como surgiu a URDI?

Juliana Talaia: A URDI é a loja de venda a público da EXTREMOS que é a nossa fábrica. Na verdade a nossa marca já existe há 18 anos. Era difícil às pessoas que quisessem comprar artigos em pouca quantidade, “um presente”, “um cesto apenas”, chegar até nós. A fábrica só trabalha para grandes superfícies com muita produção de artigo em cada encomenda. Daí decidimos abrir a loja. Queríamos um lugar simbólico, pelo que a marca representa por isso ficamos aqui no centro de Braga, nesta zona.

A.S.: O que significa URDI, tem algum significado especial?

T.: (A sorrir). Tem… vem de urdir, que é a arte de tecer.

A.S.: Compreendo que são quase os únicos nesta área…

J.T.: Sim, por cá, no Norte, há pequeninas iniciativas, pessoas que se organizam e procurando vendedores podem criar uma marca, mas detemos a quase exclusividade nacional desta área de artesanato.

A.S.: Que produtos têm para vender? Qual é o vosso catálogo?

J.T.: Temos cestaria e mobiliário.

© URDI

A.S.: Mas é tudo artesanal…

J.T.: Sim, tudo feito à mão. Tudo. E com materiais só nacionais. Preferimos parar de produzir a ir comprar materiais de outros países, como a China por exemplo que é de mais fácil acesso. Neste aspecto somos mesmo fiéis. Muitas vezes enquanto explico este processo que é nosso, as pessoas não acreditam. Não posso fazer nada… é a nossa marca de facto, o que fazemos.

A.S.: É fácil estar nesta área de mercado?

J.T.: Não. Em termos económicos porque temos a fábrica e tradição não sentimos tanto o impacto de uns anos para os outros. Estamos bem. Mas, na loja sente-se este ano que se vende menos que o anterior. As pessoas estão mais cautelosas na compra, pensam muito antes de comprar. Mesmo os turistas. Que antes eram mais espontâneos.

A.S.: Como é o cliente tipo?

J.T.: As nossas épocas altas são as alturas em que há mais turistas, as férias e festas. Durante o ano são mais os locais. Os turistas compram mais produtos individuais como cestos, alguma peça. Recordações. Os locais artigos maiores: mobiliário.

© URDI

A.S.: Qual é a motivação maior da URDI?

J.T.: (Com uma expressão que denota a entrega plena ao que diz), a paixão pela arte e a preservação da mesma o que já é difícil.

A.S.: Compreendo que a URDI é um legado geracional, posso dizer assim?

J.T.: Sim, é isso. Os pais dos dois sócios, da minha mãe e do sócio dela, já trabalhavam em madeira, o trabalho do vime e do bambu é antigo e neste momento na fábrica temos mais colaboradores jovens e apenas dois mais velhos responsáveis por transmitir a arte. Se isto acabar, acaba tudo porque o ofício perde-se.

A.S.: A Juliana está a gerir a loja, é fácil?

J.T.: Não. Há muita concorrência. Este é um nicho de mercado. As pessoas presumem que ganhamos muito dinheiro com a venda, mas isso não corresponde. Não é fácil ganhar dinheiro havendo tantas ofertas de outras marcas, sobretudo estrangeiras…

A.S.: É preciso dar valor…

J.T.: Sim, valorizar o produto, a forma como é feito. Este trabalho.

© URDI

A.S.: O que diria a alguém que quisesse abrir um negócio como este?

J.T.: (Risos) Que tem que persistir. É preciso persistir, insistir, estar determinado ou desiste-se. Não é fácil. É preciso gostar.

A.S.: Considera-se uma empreendedora?

J.T.: (Sem hesitar) Sim.

A.S.: O que é para si um empreendedor?

J.T.: Alguém que não desiste das suas ideias, isso, que persiste. Que é corajoso.

Foi bom de compreender que a Juliana tem uma entrega que a investigação traduz como a necessária aos que são bem sucedidos. Não lhe falta também a competência, do trato e do ofício, ela é responsável pelo design de alguns dos produtos da URDI. Disse-me “enquanto eu desenho, eles trabalham” e sente-se nesta expressão uma verdadeira parceria. Licenciada em Design de Interiores, abandonou propostas de outras marcas para ajudar a EXTREMOS e dar continuidade ao negócio familiar com que cresceu. Nesta área, entre colegas designers, está sozinha. Eu fico-lhe grata por toda a dedicação. Até breve Juliana.

A URDI tem site para visitares: https://extremos.pt/urdi/

© URDI

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Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional

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