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De Vila Verde para o mundo. Rosalvo Melo trabalha com os U2, Rolling Stones e Katy Perry

Foto: Luís Ribeiro / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Nasceu em Boston, nos Estados Unidos, mas veio para Vila Verde com apenas 7 anos. Estudou na Escola Básica de Vila Verde e fez o ensino secundário na Escola Carlos Amarante, em Braga. Atualmente vive dividido entre dois mundos: a música e o design e multimédia. Toca bateria, mas estudou Design, Comunicação e Multimédia. Rosalvo, com 31 anos, trabalhou com grandes nomes da música, como os Rolling Stones, U2, Katy Perry e Michael Bublé. O projeto mais recente foi para os 50 anos da ida à lua da NASA.

É natural de Vila Verde?

Os meus pais são de Vila Verde, mas tanto eu como a minha irmã nascemos nos Estados Unidos. Quando éramos miúdos viemos para Portugal. Estive em Vila Verde até ao final do 9.º ano, depois fui para Braga. Estive lá três anos, mudei-me para o Porto, mais três anos, Lisboa depois e, depois, Inglaterra. 

Estudei no Ciclo, depois fui para a Carlos Amarante em Braga, fui para a faculdade no Porto, para a Escola Superior Artística do Porto onde estudei Design, Comunicação e Multimédia. Quando acabei o curso no Porto, decidi fazer uma pós-graduação em Animação 3D e foi aí que me mudei para Lisboa. No final do curso comecei a trabalhar e, sete meses depois, recebi uma proposta de trabalho em Inglaterra. Foi muito repentino, mas fui. Foi tudo em menos de uma semana, entre receber o email, fazer as malas e ir para Inglaterra. 

 

O que faz em Inglaterra?

 

Sou musico e designer. Da parte da música, tenho todas as bandas com quem toco, já toquei e continuo a gravar. Seja com artistas, que não faço necessariamente parte da banda, mas que às vezes precisam. Ligam, vou ao estúdio, gravo umas músicas ou o disco inteiro. Quando há concertos, por vezes vou tocar com eles. 

Neste momento tenho algumas bandas paradas. Com uma, vim tocar a Vila Verde na Festa das Colheitas, em 2014, salvo erro. Os Gold Wolf. Fizemos uma série de espetáculos, gravamos alguns discos e, entretanto, fizemos uma pausa. Este ano talvez nos juntemos para voltar a gravar.  A outra, Low Sun, é um quarteto, instrumental, mais pesado e psicadélico.

 

Com quem é que já tocou?

Antes de sair de Portugal, toquei com o Zézé Fernandes, Deception Point, entre outros. Desde que fui para Inglaterra toquei com muita gente. 

Whale Mountain, N&dF, Tommy Coyle, High Fever, Nika Boon, Opionist (e as bandas acima mencionadas), são alguns dos nomes com quem trabalhei. 

Foto: Simon Kallas

Há quanto tempo entrou neste mundo da música? 

A música sempre esteve presente na minha vida. Desde muito pequenino lembro-me de ir com os meus pais, ainda nos Estados Unidos, a espetáculos,  festas de rua, e estava sempre a fazer que tocava. A minha mãe na universidade tinha um colega que era professor de bateria. Eu tinha uns 4 anos e lembro-me de ter aulas com ele, mas era muito novo e não durou muito. Quando vim para Portugal foi quando investi mais na parte da música, estudei em Braga e, cá em Vila Verde, tive as minhas primeiras aulas de formação musical. Entretanto, quando me mudei para Braga comecei a tocar com bandas e amigos. Os anos foram passando e fui aprofundando os conhecimentos. Música sempre esteve presente, mas comecei a levar as coisas mais a sério quando toquei com o Zézé Fernandes e começamos a fazer turnês, não só em Portugal, mas também no estrangeiro.

 

E a outra parte da sua vida? Estudou Design no Porto, depois foi para Lisboa…

A outra parte da minha vida tem a ver com a minha formação académica. Estudei Design, Comunicação e Multimédia, acabei o curso, estudei animação. Crescer com as referências todas dos desenhos animados que passavam na minha geração, sempre me fez querer perceber como é que aquilo se fazia e acabei por entrar nesse mundo. Sete meses depois ter começado a trabalhar num estúdio em Lisboa, recebi uma proposta para ir para o estrangeiro e não pensei duas vezes. Comecei a trabalhar e, como sempre achei que o audio e o video estavam ligados, comecei a fazer visuais para concertos.

 

Qual foi a proposta que recebeu quando ainda estava em Lisboa? 

A proposta foi um bocado às cegas. Era um estúdio de animação em Londres. Foi numa fase em que punha tudo o que fazia online e um dia recebi um email a dizer que estavam a abrir um estúdio novo, e que gostavam que eu me juntasse. Na altura fiquei um pouco baralhado, não estava a perceber muito bem, mas aceitei. O máximo que podia acontecer era chegar lá, não ser nada, e voltar para Portugal. Isto foi no final de 2011. Trabalhei nesse estúdio dois anos e depois comecei a trabalhar como freelancer. A partir daí é que as coisas começaram a acontecer para mim e comecei a trabalhar em estúdios diferentes, consoante fosse preciso. Entretanto foi isso que me levou a fazer vídeos para bandas, turnês (não como músico, mas como designer) com artistas como Rolling Stones, U2, Katy Perry, etc e agora mais recentemente, com a NASA na celebração dos 50 anos da ida à lua.

Rosalvo Melo com os astronautas Gerry Griffin (diretor de voo da missão Apollo) e Charlie Duke (Apollo 16)

O meu trabalho é, de uma forma muito resumida, fazer os videos e animações que passam nos ecrãs e em palco durante os espetáculos. 

No caso da Nasa, era uma tenda gigante e havia projeção 360°. Tínhamos a projeção a toda a volta que contava a história em conjunto com os atores em palco. 

Estive com eles um mês na California, assisti aos 5 espetáculos com convidados e agora segue para 18 cidades norte americanas durante os próximos 3 anos.  Ainda não há confirmações se virá para a Europa. 

 

A nível pessoal, tem planos para voltar aos Estados Unidos ou a Portugal? 

Felizmente o que faço permite-me trabalhar de onde quiser, na maioria dos projectos. Posso continuar a trabalhar para os meus clientes dos Estados Unidos ou Inglaterra a partir daqui. A minha base é, e será, pelo menos para já, Londres. 

 

Gostava de voltar a Boston?

Não sei, há muito que não lá vou. Nos últimos dois anos tenho viajado muito para os Estados Unidos. Estive na Califórnia, em março estive na Flórida a trabalhar com o Michael Bublé e no ano passado, quando estava em turnê com os U2 estive em algumas cidades. E de todas por onde passei, achei Nova Iorque o mais parecido com Londres. O dia em Londres (como em qualquer grande cidade) passa muito rápido e acontece muita coisa e tenho algum receio de perder isso.

 

Falou em fazer turnês. Quando faz um trabalho para um artista vai em turnê com ele?

Sim. Normalmente a minha parte acaba ao fim de dois ou três espetáculos. Faço os ensaios com eles, no caso dos U2 foram quase 3 meses de ensaios repartidos entre o Canadá e os Estados Unidos. Começamos em Nova Iorque, passamos pelo Canadá e acabamos em Oklahoma onde fizemos o primeiro espetáculo. Faço os ensaios todos, os videos, programamos tudo e fazemos sempre dois ou três espetáculos para ter a certeza que está tudo a correr bem. Depois o espetáculo continua e nós regressamos a casa para iniciar outro projeto ou tirar férias.

 

Qual foi o projeto mais aliciante ou mais especial que desenvolveu?

 

Quase todos os projetos são aliciantes numa fase inicial (risos). Mas o primeiro grande projeto foi com os Rolling Stones, o primeiro nunca se esquece. 

Um momento especial foi quando os U2 tocaram em Lisboa, foi memorável. Fui ao concerto e vi o meu trabalho projetado em “casa”.

Este da Nasa também me deu muito gosto, porque se tratava de espaço e foi algo diferente do que o que normalmente faço. Tive ainda a oportunidade de ir ao laboratório da NASA e vi-os a montar o mars rover que vai para Marte em 2020 e estive na sala de controlo. Incrível.

Fotos: Luís Ribeiro / Semanário V

 

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Jornalista