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Há 8 anos em Vila Verde, padre Artur acredita que a “igreja tem de se atualizar”

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Ordenado há 23 anos, o padre Artur Gonçalves chegou a Vila Verde em 2011. Natural de Vieira do Minho, foi para Braga frequentar o seminário a partir do 9.º ano. Terminou a licenciatura em Teologia e foi ordenado padre em 1996.

O padre Artur Jorge contou ao Semanário V que, depois de ter sido ordenado padre, teve quatro paróquias no concelho de Vila Verde, entre 1996 e 2000, nomeadamente, Carreiras São Miguel, Carreiras São Tiago, Nevogilde e Dossãos. Depois de 2000 foi para Braga e entrou para o serviço militar.

O padre Artur não consegue precisar o momento que decidiu seguir este ramo, mas conta que repetiu o 8.º ano e, nessa segunda vez a frequentar a escola, colocou a possibilidade de ir para o seminário. “Fui amadurecendo a ideia de fazer uma experiência no seminário até ao ponto de se concretizar”.

Atualmente está a frequentar um curso de doutoramento, apesar de ter terminado a licenciatura em 1996. Recentemente, entregou a tese na Universidade Católica de Braga, na qual conseguiu 17 valores. Tratou-se de um trabalho sobre “As promessas e o sentimento”.

O padre Artur considera que há diferentes pontos de vista no que respeita ao papel da igreja na comunidade. No Norte do país, a igreja continua a ter um peso “muito importante”, disse, apesar dos números provarem que as pessoas, cada vez mais, se “desligam” da igreja. “Nós igreja temos alguma responsabilidade também, mas as pessoas, hoje em dia, procuram tudo o que seja ‘light’, tudo o que não mereça um compromisso”.

A igreja tem 2.000 anos e o padre de Vila Verde acredita que, apesar das pessoas serem menos, “são mais convictas”. “Noutros países da Europa o número de cristãos baixou muito, mas notam-se muito mais comprometidos com a religião”, afirmou.

“A igreja tem de se atualizar”, adaptar-se à realidade existente, porque os “valores são eternos”, mas têm de ser traduzidos numa linguagem moderna e atualizados ao mundo de hoje. “Não interessa estar a dar resposta hoje a problemas que já não se colocam. A modernização da igreja tem de acontecer”.

Com novas questões presentes na sociedade, a igreja “tem de ter a capacidade de atualizar a mensagem de ontem à linguagem de hoje”.

Sobre o papel da mulher na igreja, o padre Artur considera que “para sermos corretos e abrangentes não podemos descurar uns em relação aos outros e para sermos uma igreja inclusiva nada deve ficar de fora. É importante valorizar todos os aspetos que caracterizam a pessoa”, disse, relembrando que a maioria dos colaboradores em qualquer paróquia são mulheres e que o Papa tem colocado mulheres em lugares de destaque. “Ninguém dignifica tanto a mulher como a igreja católica”, afirma. No entanto, relativamente a este assunto, o padre Artur acredita que a ordenação de mulheres não iria acrescentar valor à igreja.

Quando o padre Artur chegou a Vila Verde, a igreja paroquial da vila sofreu obras de restauro. As salas de catequese e o salão paroquial também foram restaurados. A mais recente intervenção foi na igreja matriz, Carvalhosa, na qual apenas ficaram as paredes. Trata-se de uma igreja do século XVI que foi totalmente reconstruída. “A igreja apresenta hoje melhores condições a nível acústico e térmico”, após o investimento de 200 mil euros.

Fotos: Luís Ribeiro / Semanário V

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