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Minhotos de Clichy. Emigrantes voluntários ajudam a realizar sonhos

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Os Minhotos de Clichy. É esta a associação criada por Miguel Pires e Fernanda Pires, naturais de Terras de Bouro e Vila Verde, respetivamente.

Com sede nos arredores de Paris, esta associação já doou 450 mil euros aos incêndios em Pedrógão, em 2017, 15 mil euros para uma instituição no Sudão do Sul, 10 mil euros para a reconstrução de uma casa após um incêndio em Rio Caldo e ainda uma instituição de Famalicão, que acolhe crianças retiradas ou abandonadas pelos pais, a ATC Giestinhas. Estas foram algumas das causas apoiadas pela associação que, na última sexta-feira, visitou o IPO do Porto para apoiar as crianças e os familiares.

Emigrantes em França, o casal viaja até ao Gerês todos os anos para realizar o sonho de centenas de crianças e pessoas com deficiência. Este ano, a Associação Os Minhotos de Clichy levou 470 pessoas com deficiência, na sua maioria crianças, para a Barragem da Caniçada, no Gerês, para um “batismo náutico”.

“Meninos a sonhar nas águas do Gerês” foi o nome dado à iniciativa que juntou várias instituições portuguesas de solidariedade social, apadrinhada pelo cantor Zé Amaro.

Desde 2016, sempre no último fim de semana de junho, a associação organiza um evento para centenas de pessoas de várias instituições em Portugal. O primeiro tratou-se de um batismo de voo, em Braga. “Colegas nossos trouxeram avionetas de França e as crianças deram uma voltinha de 20 minutos”, contou o presidente da associação, Miguel Pires, ao Semanário V.

No Gerês, o batismo náutico realiza-se em junho, “porque a marina é reservada unicamente a esta atividade e nos outros meses está ocupada com muitos visitantes”.

Esta iniciativa não é apenas para pessoas com deficiência, mas também para instituições, crianças que foram tiradas ou abandonadas pelos pais ou grupos da catequese.

O objetivo é dar a oportunidade a quem nunca andou de barco poder passear por águas do Gerês. O evento conta com passeios de barco, comida e bebida, música e animação. A organização oferece bonés do McDonald’s, uma das entidades patrocinadoras, que também ofereceu 1.000 Chupa Chups, tal como a Carclasse, que ofereceu camisolas a todos os participantes e uma vitela para o almoço.

Miguel Pires explica que o número não pode ultrapassar as 500 pessoas, porque a associação “não dá apenas o acolhimento para um passeio de barco, oferece ainda comes e bebes” e todo o material necessário, apesar das ajudas de outras entidades e voluntários. “Nós só pagamos a barraca e o aluguer dos insufláveis, depois temos outras ajudas de fora. O Intermarché de Amares, o ano passado, ofereceu água e sumos. Santo Tirso ofereceu 600 peças de fruta, pessoas particulares”.

Também a Cruz Vermelha de Rio Caldo participa nestas atividades como voluntários, bem como o fotografo do SC Braga, que tira fotografias individuais para os diplomas dos participantes.

O batismo náutico, no Rio Caldo, começou com a ajuda de Vânia, que trabalha na área da assistência social, contou Miguel, acrescentando que também “foi ela que nos pôs em contacto com o IPO do Porto”.

Para o próximo ano, o objetivo é organizar dois dias destas atividades, reservando um apenas para as crianças no serviço de oncologia do IPO. Também está a começar a ser organizada uma possível viagem à Disneyland Paris com um grupo de crianças escolhidas pelo IPO do Porto, com tudo pago pela instituição. “Estes gestos tão simples e banais para nós podem mudar, e mudam, a vida das crianças”.

Todas as iniciativas têm a participação especial da Vânia Durães, voluntária, que os apoia em toda a logística e preparação dos eventos e foi graças ao seu carisma social que a dinâmica da associação cresce em Portugal de ano para ano.

Os Minhotos de Clichy angariaram 450 mil euros para Pedrógão

Em 2017, Pedrógão foi atingido pela tragédia provocada pelos incêndios e a associação doou 450 mil euros para Portugal.

O dinheiro para organizar estes eventos surge de festas e espetáculos que a associação organiza durante o ano para angariar fundos. São realizados jantares, convidados artistas para juntar o dinheiro necessário. Miguel Pires conta que a associação surgiu em 2001, após ter saído da associação a que pertencia anteriormente, que integrava um grupo de futebol. Por motivos de força maior, Miguel teve de deixar a presidência daquela associação e decidiu criar de raiz, em conjunto com a família e dois casais amigos de Santo Tirso, a Associação Os Minhotos de Clinchy. Esta é uma associação com fins sociais.

“Na altura eu disse que queria criar uma associação para ajudar causas sociais”, revelou. Já foram realizadas ações como a “Roupa sem Fronteiras”, na qual foram recolhidas 60 toneladas de roupa para oferecer. “Recolhemos roupa, lavamos, passamos a ferro e selecionamos por idade e tamanhos”.

O ano passado a associação juntou 15.000 euros para uma instituição no Sudão do Sul, na qual o dinheiro foi oferecido a uma missionária que está no Sudão há 15 anos.

Há dez anos, uma senhora em Rio Caldo ficou sem casa devido a um incêndio e a associação juntou 10.000 euros para a reconstrução.

A ATC Giestinhas, em Famalicão, também foi um dos alvos dos Minhotos de Clichy.

O nosso único interesse é a alegria das crianças”, disse Miguel Pires. “O que nós temos feito pelas instituições com crianças com deficiências mentais e motoras é ajudar a conquistar sonhos”. 

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Jornalista