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Bruxelas “profundamente preocupada” com a Amazónia apoia debate no G7

Redação
Escrito por Redação

A Comissão Europeia mostrou-se hoje “profundamente preocupada” com os incêndios na floresta da Amazónia, no Brasil, manifestando apoio ao pedido feito pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, para debater esta situação, o que já motivou críticas do governo brasileiro.

“AComissão está profundamente preocupada. A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e contém um décimo das espécies mundiais. É por isso que saudamos as intenções do Presidente [francês] Macron em discutir esta questão na cimeira do G7, dada a necessidade de atuarrapidamente”, afirmou a porta-voz do executivo comunitário Mina Andreeva.

Falando na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a responsável notou que a União Europeia (UE) está já “em contacto com as autoridades brasileiras e bolivianas” sobre esta questão.

“E estamos prontos para ajudar como pudermos, desde logo fornecendo assistência ou ativando o nosso sistema de satélites Copernicus”, apontou Mina Andreeva.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou na quinta-feira a que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana em Biarritz, sudoeste de França, afirmando que se trata de uma “crise internacional”.

Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Em representação da UE estará, no encontro, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que substituirá na ocasião o líder do executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, que foi operado de urgência.

Ainda na quinta-feira, e horas após a declaração de Macron, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, rebateu o apelo do seu homólogo francês, acusando-o de “mentalidade colonialista” e de querer alcançar “ganhos políticos pessoais”.

Também nesse dia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se “profundamente preocupado” com os incêndios numa das “mais importantes fontes de oxigénio e biodiversidade“, referindo que a Amazónia “deve ser protegida”.

Questionada na conferência de imprensa de hoje se a UE tenciona pressionar o Presidente brasileiro a aplicar medidas para evitar a desflorestação, a porta-voz da Comissão Europeia referiu que o acordo de livre comércio celebrado há dois meses com a organização do Mercado Comum do Sul (Mercosul) é “o melhor instrumento” para o conseguir, desde logo porque tem em conta os objetivos do Acordo de Paris.

“Achamos que é importante criar compromissos legais nos nossos acordos porque essa é a forma legítima de fazer com que as partes os respeitem”, adiantou Mina Andreeva.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa áreado planeta.

Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente a França).

Ainda segundo o INPE, a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.

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