Braga

Chef na Suíça forma cozinheiros de elite, mas o sonho é voltar a Portugal

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Com apenas 24 anos, Manuel Faria viajou para a Suíça sem planos para o futuro. Natural de Vila Verde, hoje é chef de cozinha e forma cozinheiros profissionais, mas o sonho é voltar a Portugal.

Estudou na Escola Secundária de Vila Verde e, quando ficou sem emprego aos 24 anos, depois de ter aberto um abr em Vila Verde, “que não correu como planeado”, decidiu rumar à Suíça sem um plano traçado.

Nunca tinha estudado cozinha antes de chegar a Davos, na parte alemã da Suíça, onde começou num trabalho desconhecido. Manuel confessa ao Semanário V que os primeiros anos não foram fáceis, “porque não conhecia a língua”, nunca tinha trabalhado numa cozinha e estava sozinho num país desconhecido.

“Quando decidi fechar o bar, um primo disse-me que me conseguia arranjar trabalho na Suíça”, contou Manuel Faria, que admitiu não ter amigos na Suíça no início do seu percurso no estrangeiro.

“Trabalhávamos 12 horas por dia, às vezes sem folgas. Cheguei a trabalhar 3 meses sem folgas e essas horas não eram pagas”. Depois de 4 anos a trabalhar no hotel de 5 estrelas, decidiu enviar o currículo para um restaurante na parte francesa da Suíça, onde foi aceite.

Depois de sair do restaurante, entrou num restaurante italiano, onde trabalho como pizzaolo no primeiro ano. No segundo ano, passou para a cozinha quente, mas confessa que se sentiu um pouco explorado. Foi nessa altura que pediu ao patrão para o deixar estudar.

“Eu queria fazer o curso de cozinheiro. Não sabia nada de cozinha”, mas o patrão considerou que “para estudar não era preciso um curso”.

Manuel afirma que, caso tivesse um curso, o patrão era obrigado a pagar melhor. “Ele tentou-me manter sem estudos e eu desisti”.

Depois de ser despedir, sem perspetivas de um novo trabalho, passou cerca de 5 meses “a pensar voltar a Portugal, a desistir de tudo”, até que, recorrendo ao fundo de desemprego, fez um curso de seis meses de cozinha. “Não dá para ser chef de cozinha, mas dá para ajudante e para evoluir mais um pouco”.

No final do curso, teve de fazer um estágio, tendo entrado numa clínica, onde lhe perguntaram se queria continuar a estudar enquanto trabalhava.

Antes de acabar o curso, Manuel pediu transferência para CFC, “que é um certificado de cozinheiro e já podia ser chef de cozinha”. Nos anos que estudou cozinha, tirou ainda dois certificados de Pastelaria Moderna e Métodos de Cozedura Modernos.

O acordo durante estes anos era não tirar uma nota baixa, caso acontecesse, “perdia o trabalho e perdia os estudos”.

Depois de chegar à Suíça, aos 24 anos, Manuel passou cerca de 8 anos a trabalhar como ajudante de cozinha, “ou como chef de cozinha, mais concretamente, mas não era pago como tal”.

Depois de terminar o estágio, conseguiu entrar para uma escola de hotelaria, tornando-se chef de uma das cozinhas da escola onde dá formação sobre estudos práticos de culinária. Mas o percurso de Manuel não fica por aqui. Enquanto trabalhava tirou, também, um curso na Universidade de Dervy na Inglaterra.

Os planos para o futuro próximo, daqui a seis meses, é entrar para um MIB – Master In Business -, de gestão de hotelaria. É o único chef da escola multicultural onde dá formação, sendo que os seus clientes são estudantes e staff.

Voltar para Portugal é um sonho que ainda quer concretizar em breve, sendo que já tem em mente um projeto relacionado com o ensino de hotelaria no seu país. Manuel confessa que “é uma escola para formar profissionais, mas ainda é um projeto que demora um bocado”.

Fotos: Luís Ribeiro / Semanário V

 

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