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Há 14 anos numa cadeira de rodas, Manuel reutiliza jornais para criar peças originais

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Após um acidente, em 2005, Manuel Dias começou a construir peças em madeira que, posteriormente, começou a vender. Hoje constrói artigos em papel de jornal e já conta com centenas guardados que, para já, ainda não têm destino.

Há 14 anos numa cadeira de rodas, Manuel ocupa o seu tempo livre na construção das mais variadas peças. Desde julho do ano passado que a Misericórdia de Vila Verde o acolheu como paciente e foi então que começou a trabalhar o papel, disse Manuel Dias em entrevista ao Semanário V.

Manuel reutilizou várias edições antigas do jornal Semanário V para a criação das suas peças originais.

Em 2005 Manuel sofreu um acidente, após uma visita ao lar onde estava a sua falecida mãe. Desde então, está numa cadeira de rodas. “Quando comecei a recuperar, vim para casa e pensei ‘e agora o que vai ser da minha vida numa cadeira de rodas?’. Manuel pediu trabalho onde trabalhava anteriormente, mas foi-lhe dito que não era possível trabalhar naquele local com a cadeira.

“O meu irmão que está em Lisboa trouxe-me um banquinho de madeira, feito por um senhor deficiente que queria ganhar mais um dinheirito e começou a fazer banquinhos. Ele disse-me que, para me entreter, podia começar a fazer uns iguais”, contou Manuel, adiantando que a primeira peça que fez foi precisamente um banquinho simples. Até hoje já vendeu centenas iguais.

 

Pelo banquinho oferecido pelo irmão, reproduziu centenas semelhantes e construiu também garrafas com emblemas. “Comecei só com madeira, depois passei a fazer com rolhas de cortiça e, depois, quando fui para a misericórdia, comecei a ver na internet trabalhos em papel de jornal. São uns tubinhos, amassados e enrolados”.

Na Santa Casa da Misericórdia foram-lhe oferecidas centenas de jornais, incluindo edições antigas do Semanário V, com as quais construiu dezenas de peças. “Trouxe caixas e caixas de jornais da Misericórdia, ainda tenho alguns guardados”.

 

Com estas peças, Manuel já participou em feiras e já no próximo fim de semana, do dia 8 ao 10, vai estar na Feira de São Martinho, em Terras de Bouro, para a qual foi convidado a participar pelo Município. “O ano passado não fui, porque estava no Hospital, este ano a Câmara já me mandou a carta para eu ir”, contou, acrescentando que este é o terceiro ano que participa neste feira.

Não pago nada, a Câmara deu-me isenção. Desde que souberam que faço estas peças convidaram-me e nunca paguei nada”, disse Manuel.

Manuel ainda não tem uma loja online, mas vende as peças a partir de uma página no Facebook. “Meto as peças na internet para quem quiser ver. As pessoas mandam-me mensagem e eu envio. Se for aqui perto vêm buscar, mas se for longe, envio pelo correio. Eu bem queria fazer uma loja online, mas… a minha mulher está sempre a dizer ‘fazes tanta coisa e não vendes nada!'”, contou Manuel entre risos. “A casa está cheia, mas pelo menos estou entretido, já não penso em coisas fracas”.

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