Opinião Raul Marques Pereira

Opinião. ‘De profundis’, histórias de Dor e superação III

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“O que mais importa é quão bem caminhas através do fogo” escreveu Charles Bukowski.

Esta semana continuaremos a continuar a história de Ana que, na sua Dor, caminha sobre o fogo há demasiado tempo. Depois de a ouvir, o médico tinha prometido a Ana que a iria ajudar a perceber a causa da sua Dor, a encontrar o tratamento mais adequado e a conseguir explicar aos outros o seu problema para não se sentir julgada.

A Dor Crónica, explicou o médico é como uma pequena chama que, se não for controlada, acaba num enorme incêndio de muito difícil controlo. E, da mesma forma que nos incêndios o fogo destrói e faz ruir o mais forte dos edifícios, a dor também pode causar dano, mesmo às pessoas mais fortes se não for tratada em tempo útil.

No caso de Ana, a sua Dor Crónica parece ter dois factores causais major. O  primeiro, explicou o médico, é a doença que lhe causou a alteração nos rins e que a levou a uma situação clínica muito grave. Neste tipo de doença é habitual que vários sistemas do nosso corpo fiquem afectados e, neste caso, a doença atingiu as articulações da mão provocando dor e incapacidade para uma vida normal. O segundo factor está relacionado com o tempo que se demorou a começar a tratar a dor. Para ilustrar este conceito o médico explicou-o da seguinte forma: “Imagine que tem uma erva daninha que começa a crescer. Se a cortar logo ela não lhe vai dar trabalho nenhum mas se deixar o tempo passar sem fazer nada ela vai continuar a crescer e vai exigir muito mais trabalho, muito mais força para ser removida”.

Depois de perceber que não havia dúvidas da parte de Ana, continuou: “A Dor Crónica tem tendência a piorar quanto mais tempo estiver por tratar adequadamente. Está na altura de, se estiver de acordo conversarmos sobre o tratamento que me parece ser mais adequado para si”.

O médico explicou as várias hipóteses, os prós e os contras de cada tratamento disponível. Explicou também a necessidade de, por vezes, ter que ser tomado mais que um medicamento para se conseguir um bom controlo de dor. Falou também de outras estratégias, para além da medicação que ajudam a lidar com a Dor Crónica. No fim desta explicação disse: “Na minha opinião este é o melhor tratamento para si neste momento. Gostava de definir consigo objectivos para os próximos meses no que diz respeito ao controlo da Dor. E gostava de definir um calendário de reavaliação periódica da sua Dor para que se sinta acompanhada e para se ajustar a terapêutica sempre que for necessário.” Ana concordou e sentiu-se entusiasmada porque nunca tinha visto uma abordagem médica parecida com esta para a sua Dor.

Faltava falar sobre um ponto importante – como explicar aos outros o que é ter uma dor crónica. O médico perguntou a Ana se já se sentia preparada para transmitir aos amigos, à família a sua Dor. Nessa altura Ana disse: “Dr, acho que se alguém contasse histórias como estas no jornal talvez fosse mais fácil os outros perceberem. É importante para quem sofre com este problema saber que não está sozinho.”

E assim começou o tratamento de Ana ao qual um dia voltaremos.

Nota:  história inspirada em factos verídicos

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