Destaque Vila Verde

Já chegou a Braga a única pastelaria certificada pela Associação Portuguesa de Celíacos

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

A conviver com a doença celíaca, uma família viajou do Brasil para Braga, onde abriram uma pastelaria especializada em produtos sem glúten e sem leite. A pastelaria Bonna é a única na cidade certificada pela Associação Portuguesa de Celíacos.

Localiza-se em Gualtar, em Braga, e trata-se de uma pastelaria totalmente dedicada à produção de alimentos sem glúten e leite, possibilitando as pessoas com restrições alimentares de desfrutar dos seus doces e salgados. A Bonna também confeciona produtos sem ovo, soja ou açúcar sob encomendas.

A gerir a pastelaria estão duas famílias que convivem com a doença celíaca, APLV, diabetes e outras autoimunes associadas. “A nossa bagagem é a família”, disse Samira Guimarães, a chef de cozinha e uma das proprietárias da pastelaria, ao Semanário V.

Após descobrir que a filha mais nova era celíaca, Samira começou a estudar o problema, a experimentar e fez cursos, nomeadamente, no Brasil e nos Estados Unidos. “No Brasil não havia lugares específicos e seguros para celíacos, então criamos uma escola onde as pessoas se sentissem seguras nas suas restrições alimentares”, explicou.

Após deixar o Brasil, há cerca de 4 anos, Samira e João vieram para Portugal com o mesmo objetivo em mente: criar um lugar seguro e especializado em produtos sem glúten e leite, entre outros ingredientes, como ovo ou soja.

Mais tarde, juntou-se ao casal Aluísio Barretto e Juliana Perpétuo, que têm uma filha celíaca e portadora de diabetes tipo 1. Eram clientes habituais do espaço desde a sua abertura, em dezembro de 2018, e tornaram-se amigos, associando-se à Bonna.

Esta experiência pessoal de ambos os casais é o que garante segurança à maioria dos clientes. “Muitos clientes gostam de saber a história dos proprietários, e sabendo que têm história e bagagem de problemas com os quais eles convivem, ficam mais seguros. Os clientes sentem-se mais seguros ao saber que nós também lidamos com este tipo de restrições, e os produtos têm de ser obrigatoriamente especiais”, referiu Aluísio.

Na pastelaria existe um kit, cuja finalidade é analisar os produtos recebidos, para garantir que não está contaminado, que não contém glúten. “Há toda uma higienização mesmo antes de entrar para cá qualquer produto. Mesmo à entrada temos um aviso que é proibida a entrada de glúten na loja”. Estra proibição prende-se pelo facto de existir o risco de contaminação. Tal como explicou ao Semanário V Aluísio, “se um cliente for à pastelaria aqui ao lado e beber uma cerveja ou comer pão e depois usar uma chávena nossa de vidro, iria contaminar. Por isso usamos copos de papel recicláveis. Todos os copos, talheres, pratos é descartável e tudo com matérias recicláveis”.

“O nosso objetivo é conseguir levar para todo o mundo o que fazemos aqui”, acrescentou Samira. Levar a pastelaria e o conceito para outros locais é um objetivo, mas a preocupação é “como estar presente nas outras lojas?”.

Mas como são confecionados os produtos sem os vários ingredientes? 

Samira, a chef de cozinha, explicou que o segredo é saber misturar. “Os produtos acabam por ter o mesmo sabor dos bolos normais, mas as pessoas ficam surpreendidas, porque não levam ovo, glúten, leite… Só temos de saber misturar”.

A chef de cozinha não substitui produtos, simplesmente tira o ingrediente. “Sem ovo é sem ovo. A receita do bolo é a tradicional, com ovos, açúcar… e simplesmente retiro o que é preciso”.

Para as farinhas, Samira cria um mix de farinhas para cada produto que existe na loja, “porque cada mistura dá um resultado diferente de textura”. Além disso, todos os produtos são produzidos na pastelaria e a todas as horas estão a ser confecionados novos produtos. “”udo o que temos está ali exposto, quando acaba fazemos de novo e repomos, não fazemos a mais”, afirmou Samira Guimarães.

“As pessoas acabam por dizer que o nosso objetivo é ganhar dinheiro, mas muito pelo contrário. A nossa margem de lucro é a menor do mercado. Quem está habituado a pagar 10 cêntimos por um pão não entende que nós usamos 5 farinhas diferentes para substituir o glúten. É preciso de misturar 5 farinhas, mais fibra… Todos estes ingredientes acabam por encarecer o produto”.

A pastelaria assegura que os produtos Bonna “são feitos com total segurança, sem o menor risco de contaminação cruzada”. Além disso, todo material que chega pelos fornecedores é testado pelo GlutenTox- Pro e higienizado antes de entrar na produção.

O feedback tem sido positivo e os clientes já são fidelizados. 

Sofia é cliente desde a data de abertura, em setembro. Com uma filha celíaca, admitiu que “o conhecimento que eles têm sobre a doença celíaca mostra exatamente que sabem o que estão a fazer. A qualidade dos produtos é excelente e não notamos diferença no sabor”.

Para a filha, a Bonna é como entrar num “mundo mágico”, porque “não podia comer nada e depois de chegar aqui e poder comer tudo… é outra segurança e, até agora, é a nossa eleição”.

Comentários

Acerca do autor

Mariana Gomes

Mariana Gomes

Jornalista

Deixar um comentário