Andreia Santos Opinião

Opinião. Mood Follows Action

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Quase de certeza já regressaste ao trabalho ou então estás a terminar as férias. O Verão está a chegar ao fim, pelo menos em termos cronológicos… Nesta fase não é incomum sentires que não tens vontade nenhuma de voltar à rotina e entregares-te novamente às tarefas laborais… Pois é, a vida não é só ofício e todos deveríamos estar conscientes disso. Ainda assim, hoje quero falar-te de energia para andar… Começa devagar, mas começa!

Muitas vezes julgamos que só estamos bem quando motivados e que tudo corre melhor em sintonia emocional. Claro. Mas nem sempre será desta forma. Sim, sim, custa e todos fazemos coisas de que podemos à partida gostar ou desejar menos. Procrastinar, diz-te muito? Talvez. Do lado de cá, embora sinta a falta do mar (irei ter com ele sempre que conseguir, prometo), há que usar truques para ter a força mental necessária para o que tem que ser. Acabo por gostar, tu que me lês há muito sabes disso. Já voltei há umas semanas, tenho recebido pacientes sem vontade, com falta de confiança e até tristeza. Dizem-me regularmente: “Estou a aguardar ficar melhor para fazer…” Se isto funcionasse assim…

“O tempo é um luxo… tudo acontece muito rápido. Para fazermos alguma coisa que valha realmente a pena temos que levar o tempo connosco.” Diria, estar verdadeiramente presente e dedicado. Não é sempre simples. A senhora que falou de Presença num dos seus livros chama-se Amy Cuddy e foi a mesma que evidenciou a importância de não esperar pelas emoções para avançar, evocando com prova científica, as “power poses”. Ou seja, através do “Fake it til you become it”, porque a nossa linguagem corporal modela o que somos, podemos afastar a bad mood. Mas não é só. Um dos primeiros psicólogos/filósofos a compreender o processo contra-intuitivo sobre o não esperar para ir foi William James. Este acreditava que as emoções derivam das acções do corpo e que sem as respostas fisiológicas das mesmas não seríamos sequer capazes de tê-las, para ele “ficamos tristes porque choramos”. Não será absolutamente assim, mas num aspeto tem razão: Mood Follows Action. O nosso comportamento contribui para criar emoções. Por isso, faz!

Este princípio de activação comportamental é hoje usado no tratamento da depressão, por exemplo quando planeamos com o cliente um conjunto de actividades destinadas a facilitar a boa disposição e o prazer. São pequenos passos para quebrar a neurobiologia da depressão e criar maior flexibilidade e força. De acordo com Shpancer, qualquer pessoa interessada em ter uma boa higiene mental deverá compreender: “a melhor forma de mudar o que sentimos é mudar o que fazemos.” “É difícil, senão impossível, controlar os nossos pensamentos e os sentimentos que geram, mas podemos controlar o nosso comportamento.” (Stulberg). Na área desportiva fala-se de flexibilidade psicológica, a capacidade de tomar uma decisão consciente, baseada nos nossos valores, para persistir ou alterar o curso de uma situação. Isto é fundamental à boa performance e à saúde mental de facto. Em síntese, focar menos na motivação e no que se sente e mais nas acções pode ajudar. Dá-te uma oportunidade de alterares o que sentes. Vai! Para alcançares sucesso em quaisquer objectivos de longo prazo talvez o atributo mais importante seja aparecer, o que no início é mais fácil, porque estás entusiasmado/a a meio do caminho esmorece. Manter é o truque aqui. Angela Duckworth sabe que não é o talento, mas a persistência. Go!! Make it Happen! Até já!

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional