Aires Fumega Opinião

Opinião. Rio dá à Costa

Redação
Escrito por Redação

Não há memória de haver umas eleições tão pouco disputadas. A velha e habitual dicotomia, que dividia o poder em Portugal em duas grandes forças opostas, parece ter dado lugar a um mar de calma.

Um mar em que Rio recebe um barco, já ele sem leme, mas mesmo assim se propõe navegar.

Como não poderá aventurar-se muito longe, resigna-se e deixa-se à deriva.

Inevitavelmente irá dar à Costa. Costa mantém-se imóvel. Não precisa fazer nada. Apenas ter a calma de esperar que a vaga traga tudo o que está ao sabor do vento.

A verdade é que nunca se viu um Rio com margens tão estreitas. Deve-se ao facto de não ter afluentes. E um rio sem afluentes não pode crescer. Rio está sozinho, enquanto o partido prefere deixar a luta para daqui a quatro anos. Já que é para perder as eleições, não vale a pena queimar mais recursos.

Rio sai do norte para o sul. E vai para o sul sem norte. Este desnorte faz com que fique na história do partido por ter conseguido o pior resultado de sempre. Ele sabe disso e até já antevê. Já avisa que não quer ser deputado, apesar de ser a isso que se candidata naturalmente.

Talvez as últimas eleições legislativas tenham criado  no PSD, um trauma. Pois não bastou ser o partido mais votado. Ficou a perceber-se que num sistema parlamentar, nem sempre o partido mais votado governa, mas sim as maiorias que podem advir e compor uma solução governativa.

A gerigonça não era ao estilo dos desenhos de máquinas de guerra, nunca testadas de Leonardo da Vinci. Foram quatro anos de negociações, cedências e consensos. A tal máquina que muitos temiam estava até bem afinada, não se desintegrou, apesar da vontade de outros, e chegou ao fim quase intacta.

Na direita mais que moribunda, o assunto da atualidade é o arroz de atum da Cristas enquanto calça os seus novos sapatos de correr, de contrafação, comprados na feira por cinco euros. De esperar que tenham boa aderência, já que o caminho é a descer. Os dois dígitos que tanto Portas falava, não é mais que uma miragem distante, em que que pouco mais de metade deverá ser alcançada.

Catarina, mais à esquerda não podia perder a oportunidade de meter água e falou das barragens e da  evaporação da água. Pôs na ordem do dia o assunto do Ciclo da Água que a maior parte de nós já não falava desde a instrução primária.

Jerónimo, cansado como sempre, farto de repetir as mesmas frases, parece esperar o seu sucessor. Tal como um jogador em período de prolongamento, já faz sinal ao banco para ser substituído, mas ainda ninguém parece estar a aquecer.

A estrela parece ser agora o PAN, que de repente se vê a falar em economia, finanças, justiça, educação e saúde. André Silva bem tenta desviar todos os assuntos para a sua praia: o ambiente e os animais. Vai dando umas bicadas fortes aos outros e mostrando as garras, mostrando que os “animais” afinal são de uma ideologia de esquerda bem radical.

De esperar mais umas semanas e ver se o cenário se altera. Mas para já a expectativa não é saber quem vai ganhar, mas sim por quantos vai ganhar.

Comentários

Acerca do autor

Redação

Redação

Deixar um comentário