Região

Alto Minho. Confrontos à porta de escola entre pais e comunidade cigana

Mais de 100 pessoas, entre professores, pais e auxiliares, participaram esta segunda-feira num cordão humano por uma escola mais segura, na sede do Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho, em Valença. A iniciativa começou a formar-se cerca das 10:00, organizada pela comunidade educativa, e circundou todo o espaço exterior da escola EB 2,3/S daquela cidade.

No recreio do estabelecimento de ensino, junto às grades, dezenas de alunos assistiam ao protesto, alguns exibindo cartazes onde se lia: “Não há violência na escola” e “Queremos uma convivência sã na escola”. No espaço fronteiro à escola, no interior do cordão humano que a comunidade educativa formou contra a violência, concentraram-se cerca de duas dezenas de pessoas de etnia cigana que gritaram “Não ao Racismo”.

Os protestos, ambos pacíficos, que decorreram durante cerca de meia hora acompanhados de perto por militares da GNR, surgem na sequência da alegada agressão, na semana passada, dos encarregados de educação de uma aluna a dois professores e dois auxiliares de ação educativa, caso que está a ser investigado pela GNR.

Agressão a funcionária da escola por aluna de 14 anos

 

A docente de educação especial e educação visual garantiu que a funcionária foi “injustamente” agredida pela mãe da aluna de 14 anos.

“Quando tentei defender a funcionária fui apanhada pela mãe da criança. Mais tarde, chegou outro colega que também foi agredido”, explicou. A professora referiu a existência de “alguns casos” de violência envolvendo encarregados de educação e “invasões” do estabelecimento de ensino, que passou a estar “protegido por portões automáticos”.

“Temos situações pontuais, mas desta gravidade não. Tantas agressões de uma vez só, e com tanta agressividade, nunca aconteceu”, destacou.

Uma das duas funcionárias alegadamente agredida, Célia Rodrigues, garantiu “não se tratar de questão de racismo, mas de respeito”, explicando que a aluna “queria passar a frente de todos” numa fila de alunos e que a impediu de o fazer.

“Fui insultada com todos os nomes possíveis e imaginários. Um professor que veio tentar apaziguar a situação também foi insultado”, afirmou.

 

Pai da aluna acusa escola de “racismo”

 

Já o pai da aluna, Bruno Rossio, culpou a direção do estabelecimento de ensino que disse “ter-lhe virado as costas por ser cigano”

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