Braga Destaque

À Conversa com André Tiago Almeida, consultor em Gestão e Marketing

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

“Falta amor no mundo”

 

Admiro o André. Conheço-o há alguns anos e vou observando o seu caminho. Hoje decidi conversar com ele e oferecer-te um bocadinho da pessoa que é: doce e humilde. Generoso e capaz.

Andreia Santos: Olá André, fico contente por teres aceite dares-me respostas, já tinha esta conversa planeada há algum tempo. O que me diriam os teus amigos de ti?

André Almeida: Obrigada por te teres lembrado de mim. Os meus amigos… felizmente posso dizer que tenho alguns, diriam que sou um bom amigo, que está sempre disponível para ajudar, ouvir, aconselhar. Que tento sempre oferecer-me e dar-me para ajudar a realizar os seus projetos, os seus sonhos! Sinto que um mundo sem amigos é um mundo sem sonhos, sem afetos, sem ligação, sem experiências, sem momentos… e isso é muito mau.

O André é uma pessoa que adora o que faz, que se entrega e tenta dar sempre o melhor que consegue. É um profissional de Marketing que gosta de explorar o potencial das marcas e mostrá-lo ao mundo. Diria que é um sonhador criativo que acredita ser possível fazer sempre mais e melhor mesmo que tudo indique o contrário.

A.S.: Tenderia a dizer que te apaixonam as coisas simples, concordas?

A.A.: Sim, plenamente! Eu sou de origens humildes e penso que muita da personalidade de vamos construindo baseia-se nessa característica e na forma como somos educados. Sou grato pela educação que tive, do bom e do mau, pois tudo são lições que nos permitem moldar e perceber o mundo. Hoje em dia cada vez mais me apaixonam essas coisas simples e a tendência será essa. Como trabalho na área do Marketing, a simplicidade e a Usabilidade nunca estiveram tão presentes como agora, num mundo cada vez mais apressado e stressante, é na simplicidade que muitas vezes conseguimos refletir o quão fantástico ela é.

A.S.: É difícil a consultoria em marketing?

A.A.: Para quem faz o que gosta e vive e entrega o melhor de si em cada projeto, tem provas dadas (portfólio/recomendações), domina as principais técnicas e ferramentas e acima de tudo é correto, penso que não é difícil, contudo é exigente! Existem desafios claro e o mercado ainda não está preparado para perceber que o marketing não é só publicidade. Marketing é estratégia e como se pode alcançar melhor os objetivos estabelecidos. Essa sim, considero que é a maior dificuldade: alterar mentalidades!

A.S.: Que sugestões darias a quem quer iniciar um negócio?

A.A.: Hoje em dia é muito fácil alguém ter uma ideia e aventurar-se num negócio, contudo deve ter muita atenção quanto ao passo que irá dar. É necessário conhecer muito bem a área de negócio que vai desenvolver e isso compreende para além de dominar as técnicas e as ferramentas conhecer também o ambiente externo, o mercado, a concorrência, as oportunidades exploradas e por explorar, os produtos e serviços disponíveis, as suas especificidades, etc… é possível “estar de olho” ao que a concorrência faz e poder acompanhar e responder quase no imediato com soluções diferenciadoras e que aportam valor ao consumidor. Não posso deixar também de referir que é necessário bons (muito bons) níveis de resiliência e acreditar que tudo o que era possível fazer foi feito para obter sucesso no negócio. Por fim e não menos importante, a credibilidade, a confiança e o respeito que é o que determinarão o consumidor escolher-nos ou à concorrência.

 

A.S.: Vi algumas vezes nas tuas redes sociais o céu (risos), fala-me um bocadinho do Céu Listrado e dessa tua paixão.

A.A.: Céu Listrado – Clube Aeronáutico (CLCA) começou a fazer parte da minha vida e dos meus hobbies um pouco por acaso. Sempre fui um curioso por natureza e nos tempos livres rumava frequentemente até ao Aeródromo Municipal de Braga para ver o Paraquedismo e claro os aviões! Não nasci com o fascínio pelas asas, essa “paixão” foi nascendo à medida que ia e vou convivendo e apreendendo com os Pilotos e as pessoas do meio Aeronáutico. Conheci o CLCA por intermédio de amigos e posteriormente acolhido na altura por alguns dos seus membros, que posso afirmar que hoje se tornaram muito bons amigos. O CLCA é um clube desportivo sem fins lucrativos com o propósito de proporcionar experiências aeronáuticas à comunidade Bracarense. Permite-me desenvolver algumas skills e aplicar na prática conhecimentos de forma a fazer crescer o clube enquanto instituição de referência aeronáutica.

A.S.: Também és um ativista. E apoias projetos sociais… Podes falar me disso?

A.A.: Sempre achei que devia deixar uma marca neste mundo, por mais pequena que fosse e que tivesse impacto positivo em alguém ou em algo. Aliás, acho que se cada um de nós olhar à sua volta e der atenção a algo ou alguém que possa ser ajudado e dedicar um pouco que seja nessa missão, então o mundo tornar-se-á um local muito melhor. Em 2012 dediquei mais vontade a essa característica “ativista”. Comecei por me tornar voluntário no Banco Alimentar Contra a Fome de Braga, em Associações locais, eventos locais e nacionais, sempre a título voluntário, como forma de adquirir contactos, experiência. O “bichinho” foi ficando… Posteriormente a rede de relações foi aumentando e encontrando outros projetos tais como o Refood Braga 100%, que se dedica à recolha de excedentes alimentares na cidade de Braga e os encaminha para famílias carenciadas da cidade, ou a ACREDITAR, Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, onde de 15 em 15 dias dedico algumas horas a colocar um sorriso nessas crianças e/ou a permitir o descanso de algumas horas aos pais que as acompanham diariamente.

Sinto que encho ao realizar estas simples ações e que a razão da minha existência neste mundo faz muito mais sentido!

A.S.: O que é para ti o voluntariado?

A.A.:  Para mim o voluntariado é a capacidade de nos darmos com responsabilidade e dedicarmos algo de nós à concretização de algo. Falo em responsabilidade porque não podemos olhar para o voluntariado como uma moda. Tenho ao longo desta ainda pequena caminhada verificado que o voluntariado é visto como uma “coisa fixe” em que fica bem partilhar nas Redes sociais. É importante sim partilhar o que se faz, partilhar os projetos, dando-lhes visibilidade. No entanto é necessário acrescentar a responsabilidade quando se assume a dedicação voluntária a uma causa. Quando nos assumimos voluntários, estamos a confirmar muitas vezes um prato de refeição a uma família, um sorriso a uma criança, uma tarefa a um idoso. Estas pessoas estão a contar connosco e devemos ser responsáveis pelo nosso compromisso.

A.S.: O que falta ao mundo para ser melhor?

A.A.: Falta ao mundo simplicidade, bondade. No fundo falta amor. As pessoas vivem obcecadas por resultados, por desejos supérfluos, por notoriedade, não olhando a meios para atingir os fins. Fico deveras preocupado com a capacidade que as pessoas têm de agredir, injuriar outras por coisas muitas vezes sem sentido e algumas delas sem fundamento. Penso que a falta de educação tem também uma quota parte nesse comportamento. Por falta de educação refiro-me ao conhecimento, à capacidade empírica de averiguar e agir de acordo com fundamentos. Neste mundo tão acelerado as pessoas têm a necessidade de se expressar e utilizam as redes sociais (pelo pior caminho) para se exprimirem e “libertarem”.

A.S.: Existe alguém que admires e te inspire no teu caminho?

A.A.: Existe uma pessoa que muito admiro e que devo tudo na vida que é a minha mãe. Aquela que sempre acreditou em mim, que me fez sentir que eu era capaz, que me protegeu! A sua vida, a crença e a luta são para mim exemplo de inspiração e permitem-me olhar para o futuro com uma visão completamente nítida daquilo que quero e que acredito.

A.S.: O que te falta fazer?

A.A.: Acho que me falta fazer ainda muita coisa. Há projetos que ainda estão na gaveta pois os dias só têm 24 horas e muitas vezes eram precisas no mínimo 48. Tanto a nível pessoal como profissional ainda há objetivos por cumprir e que penso estar no bom caminho para os alcançar. Nunca fui uma pessoa com pressa de alcançar as coisas, mesmo sabendo que por isso mesmo poderei ter perdido oportunidades.

A.S.: Pareces-me quase sempre muito calmo, o que te tira do sério?

A.A.: Tira-me do sério a incompetência, a falta de respeito, e ingratidão. Penso que no mundo de hoje não há necessidade para isso. O que tiver de ser feito que seja bem feito (demora-se o mesmo tempo a fazer bem e a fazer mal, logo faça-se bem à primeira). Quando fazemos ou recebemos algo devemos sempre agradecer.

A.S.: Estamos quase no fim do ano, o que queres fazer de diferente em 2020?

A.A.: Em 2020 quero dedicar-me mais à família, aos que mais amo! Quero também olhar mais para mim, pois é com um EU forte que conseguimos “dar” mais e melhor de nós ao mundo. Quero aproveitar mais as potencialidades do digital, criar novos projetos e encontrar formas de o evangelizar ao mundo.

A.S.: Escolhe uma palavra para 2019.

A.A.: Obrigado.

A.S.: Desejo-te as maiores felicidades. Obrigada André, por tudo.

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Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional