Braga

Mentora do projeto com famílias refugiadas IntegrArte, encantou no The Voice

Maria João Ferreira Faria, 26 anos, natural de Moreira de Cónegos (Guimarães) mas neste momento a residir em Braga. Licenciada em Educação pela Universidade do Minho, mestre em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária pela mesma universidade.

Em 2017, iniciou o segundo ano de mestrado com uma investigação, mas também trabalho de campo com refugiados.

Em exclusivo ao V falou da sua experiência no The Voice e deu a conhecer o projeto com famílias de refugiados. Não virou as cadeiras dos mentores mas o seu objetivo foi cumprido. Alertar a comunidade e sociedade para a temática dos refugiados.

Em que panorama contactou com refugiados?

Por sugestão da minha orientadora, Prof. Doutora Clara Costa Oliveira escolhi então a intervenção com refugiados através da Segurança Social de Braga. O meu projeto foi implementado com duas famílias na residência das mesmas. A primeira família, uma mãe com três filhos menores, proveniente da República Democrática do Congo, um país que se encontra em guerra civil e em pobreza extrema. A segunda família, um casal com dois filhos menores cuja mulher é oriunda da Ucrânia e o marido do Bangladesh, e devido ao facto de ser um casal heterogéneo sofreram de extremo racismo na Ucrânia, Polónia e Áustria. A finalidade do meu projeto, IntegrArte: um projeto comunitário com famílias refugiadas passou por inserir a arte como uma estratégia de inclusão de pessoas refugiadas na nossa sociedade. A escolha da arte como forma de intervenção neste projeto está relacionada com o seu papel transformador e universal na vida dos seres humanos. A escolha deste tema foi feita com base na minha ligação à arte, mais especificamente à música. Acredito que a educação e a cultura podem ajudar na mudança de mentalidades e a melhorar o mundo.

(c) MJ

(c) MJ

Qual a sua sensação durante o programa?

Fui inscrita no The Voice por uma amiga. A música sempre esteve na minha vida e é a minha segunda profissão e paixão. Decidi aceitar o desafio e arriscar. A participação no programa foi uma experiência incrível porque tive a oportunidade de aprender mais e melhor o funcionamento do mundo da televisão e dos concursos. Ao entrar em palco, senti um nervoso que não me lembro de ter sentido antes. As luzes, as câmaras, a plateia, os 4 jurados que por sinal são músicos dos quais gosto bastante, provocou imensa ansiedade. Aliado a isto, o facto de ter de estar muito concentrada a tocar com a banda do The Voice, e na realidade, o mais importante era a minha voz e a minha interpretação que estavam causa. O nervosismo e a escolha da música (Dog Days Are Over) um tema bastante complexo, acabou por prejudicar a minha prestação. Apesar de tudo, a conversa com os mentores foi positiva e a experiência foi única. Por fim, tive a oportunidade de falar um pouco sobre o meu projeto IntegrArte com refugiados e nessa fase senti que estava a ter oportunidade de dar voz relativamente a uma questão muito importante: ajudar o outro e termos mais em atenção esta população que carece de acompanhamento e atenção. A minha saída em palco foi presenteada com abraços dos quatro mentores que me felicitaram pelo trabalho, dedicação e preocupação com os refugiados. Como referiu a Marisa Liz no final: ninguém no mundo é ilegal, o mundo é nosso, é de todos.

 

(c) MJ

Sentiu carinho do público?

Senti-me acarinhada por todos durante toda a minha participação, a equipa de produção e colegas foram fantásticos. Mas o maior carinho foi essencialmente das pessoas que me acompanharam no dia. Obviamente que também senti o carinho da família e amigos que não puderam estar na prova cega. Depois da minha prova cega tenho recebido imensas mensagens pela minha prestação e participação no programa.

 

Acha que a sua história pode inspirar outras pessoas para a temática dos refugiados?

Sem dúvida. Sei que o facto de ter falado em televisão sobre a importância de ajudarmos os refugiados, inspirei, certamente mais pessoas não só da área social e educacional, mas também do mundo artístico para que possam dar o seu contributo. Mesmo que o contributo seja pequeno, pode fazer toda a diferença na vida destas pessoas. Tudo é possível nos dias de hoje, podemos ajudar contactando autarquias, associações, lojas sociais, apelos no Facebook.

 

MJ project – O projeto musical

 

(c) MJ Project

 

MJ Project é um projeto musical que tenho com a minha amiga pianista Jaqueline Conde. Surgiu em 2016, numa época da minha vida em que atravessei por algumas adversidades. A música uniu-nos e tornou tudo muito mais simples e leve. A música é uma linguagem universal e tem o incrível poder de nos fazer sentir melhor. Desde então, MJ Project tem feito inúmeros eventos direcionados para qualquer contexto, porque uma característica que nos define é a versatilidade de estilos que interpretamos. Desde cerimónias religiosas, a jantares e a bares, o piano, as nossas vozes e a nossa amizade são a alma do projeto. A música é para se sentir e partilhar! É isso que queremos e continuaremos a fazê-lo!

 

Maria João é uma jovem que segundo a mesma “ama a temática que escolheu estudar e trabalhar – os refugiados”. Trabalha com jovens na área de ensino apoiando a sua aprendizagem mas sonha, desenvolver o seu projeto numa entidade que agarre o seu conhecimento. Numa era em que a temática dos refugiados está em cima da mesa da Europa e do País, a Maria João deu um exemplo de luta pela temática levando à televisão a um programa entertainment criando uma onda de “pelo menos curiosidade” para a temática.

 

 

Partilhe esta notícia!

Comentários

topo